Economia

Compras. Promoções ganham terreno às marcas brancas

Os produtos em promoção representaram quase 50% das vendas. Os clientes continuam a procurar bens com a melhor relação qualidade-preço, pondo em segundo plano as marcas brancas e contrariando a tendência de anos anteriores

Os produtos em promoção continuam a ganhar cada vez mais terreno, voltando a colocar as marcas brancas em segundo plano. A conclusão é do barómetro de vendas, referente ao ano passado, apresentado pela Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED). E se, em 2015, as vendas com promoção no setor alimentar já representavam 41,9% do total, no ano passado essa percentagem ainda subiu mais, atingindo 44,8% das vendas e confirmando que o cliente português continua a procurar bens com a melhor relação qualidade-preço.

Para Ana Isabel Trigo Morais, diretora-geral da associação, esta tendência é fácil de explicar: “As promoções são uma exigência do consumidor e acabam por funcionar como uma alavanca muito importante para a geração de vendas, e não há dúvida nenhuma de que os portugueses se habituaram a comprar em promoção, gostam de promoções, o que implica que os retalhistas construam a oferta com base em promoções.”

A verdade é que esta tendência não é exclusiva do mercado nacional. De acordo com a responsável, o exemplo é seguido por outros países da Europa. E, em parte, deve-se, segundo Ana Isabel Trigo Morais, ao papel desempenhado pelas promoções durante o período de crise. Conclusão: assistiu-se a uma transformação “do comportamento do consumidor, que se habituou a comprar em promoção”.

A responsável acredita que esta tendência é para se manter durante este ano. “Acreditamos que as promoções, como continuaram a crescer em 2016, vão continuar a crescer em 2017, e os retalhistas, porque é algo transversal ao setor, vão utilizar esta ferramenta para conquistar os consumidores”, e como o mercado é “muito competitivo, as promoções “são talvez um dos instrumentos mais importantes” para as distribuidoras fidelizarem os consumidores, revela a diretora-geral da associação.

Para trás, e ao contrário do que acontecia em anos anteriores, ficaram as marcas brancas que, no ano passado, registaram um decréscimo de 0,5 pontos percentuais na sua quota de mercado. Ainda assim, continuam a ter um peso de 33,1% no mercado.

Setor em crescimento

Os dados da distribuição tanto alimentar como não alimentar são animadores. Este setor registou uma subida de 3% do volume de vendas, totalizando 19,5 mil milhões de euros.

O maior contributo para este crescimento foi dado pelo retalho alimentar, que atingiu um aumento de 3,6% do volume de vendas, com as categorias perecíveis e congelados a destacarem-se com uma subida de 7,9% e de 5%, respetivamente – um comportamento que reflete, segundo a APED, a grande aposta das insígnias de consumo alimentar e que evidencia uma “grande preocupação dos portugueses com os seus estilos de vida e com uma alimentação saudável”.

Também positivo foi o comportamento da categoria laticínios que, depois de vários meses em queda, registou um crescimento de 0,1% face ao ano transato. Em contraponto ficou o bazar ligeiro ao registar a maior quebra (-0,3%).

No entanto, de acordo com os dados do barómetro, o retalho não alimentar assinalou também um aumento de 2,1% do volume de vendas. Neste segmento, o mercado de linha branca foi o que mais cresceu, com uma subida de 6,9%, sendo registada a maior quebra na categoria fotografia, com uma diminuição da faturação de 11,6%.

Supermercados lideram

No que respeita aos canais de distribuição foi registada uma subida de 0,5 e 0,2 pontos percentuais nos discounters e hipers, respetivamente, com os supermercados a continuarem a liderar o setor com um total de 50,3% das unidades, valor que segue inalterado face a 2015. Seguem-se os hipermercados, com uma quota de mercado de 25,6% (um aumento de uma décima face ao ano anterior). Já os estabelecimentos com preços mais baratos (discounters) passaram a ocupar 15% do mercado (face a 14,5% em 2015), ao passo que o comércio local passou a valer apenas 9,1% do setor (descida relativamente aos 9,8% em 2015).

Para Ana Isabel Trigo Morais, “os resultados do setor revelam índices de crescimento favoráveis, em linha com o clima económico do país e a confiança do consumidor”, mas deixa um alerta: “É importante realçar que, ainda assim, a economia está sujeita a alguma volatilidade e, por isso, iremos continuar a estar atentos a todas as alterações que possam vir a ter impacto no consumo e na vida das empresas.”