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Violência na NBA: 30 anos de história

Placagens, murros, pontapés ou empurrões. Tudo seria (mais) normal se estivéssemos perante um combate de wrestling, mas não é o caso. Quando os jogadores da Liga Norte-Americana de Basquetebol (NBA) deixam o esférico para segundo plano, o espetáculo é outro. E, por mais sanções que sejam aplicadas, parece que o cenário se repete...

 

DR  

Por mais sanções, castigos ou afastamentos, as cenas de violência no desporto voltam sempre a adicionar novos capítulos nesta história mais negra da competição. Desde que o ano começou, há cerca de três meses, a Liga Norte-Americana de Basquetebol (NBA) já coleccionou três episódios a esta série viral, no entanto pouco educativa de ser assistida. 

Nem alguns dos astros da modalidade, considerados ídolos e exemplos a seguir, conseguem ficar limpos deste cadastro, que as imagens teimam em não deixam apagar por mais anos que passem. 

A cena do desentendimento entre Stephen Curry e Russell Westbrook, que não terminou de forma mais dramática devido à intervenção rápida dos membros dos Golden State Warriors e Oklahoma City Thunder, inaugurou a temporada de desacatos na NBA, que à moda do que se assiste nos seriados da ficção a trama vai sempre subindo de tom. 

Foi o que aconteceu nos dias seguintes, com os highlights no enredo que colocou como atorres principais Ibaka, Lopez, Barea e Griffin, embora em cenários distintos [ver caixas ao lado].

 O cerco, segundo os responsáveis da NBA, tem sido cada vez mais estreitado para impedir novas situações deste género, mas como a própria história indica, apesar de não visar estes casos porque talvez não seja necessário, parece que há fenomenos que voltam sempre a repetir-se. 

O BI recolheu seis casos que ocorreram desde 1984, com o inesquecível Larry Bird e Dr.J, até hoje. 

 

Ibaka vs Lopez. Air Canada Centre virou ringue de boxe

Um dos casos mais recentes aconteceu no Air Canada Centre entre Serge Ibaka, do Toronto Raptors, e Robin Lopez, do Chicago Bulls. Os visitantes, a última equipa mencionada, estava a vencer (85-72), mas a conversão de um triplo, que ampliou para 88 a vantagem dos Bulls quando faltavam cerca de quatro minutos para terminar o terceiro período parece ter deixado a pressão à flor da pele. Ou... da mão, neste caso. Em milésimos de segundos, uns simples empurrões transformaram-se num autêntico combate de boxe (com murros de parte a parte) que terminou com a expulsão de Ibaka e Lopez. Um dia depois, a NBA anunciou o castigo: um jogo de suspensão para cada atleta. Uma decisão que não surpreendeu Robin e uma sentença aceite por parte de Serge que reforçou que “o primeiro murro foi dado pelo oponente”. Um embate louco não só pela situação acima descrita, mas porque o jogo terminaria com a vitória dos Raptors (122-120) depois de uma reviravolta surpreendente finalizada após um prolongamento.

Barea vs Griffin. Aplausos para o homem que deitou o gigante ao chão

A situação mais recente de desacatos na NBA. Na verdade, o desentendimento entre Barea e Blake Griffin dos Dallas Mavericks e Los Angeles Clippers, respetivamente, aconteceu apenas um dia depois do Caso 1 [caixa à esquerda]. A particularidade deste confronto (entre os dois, e não do jogo) foi a reação do público depois da expulsão do porto-riquenho. A cotovelada de Barea ao gigante de 2.08 metros de altura deu-se em resposta à rasteira - ou tentativa de -, pregada por Griffin, embora tenha sido o primeiro o único a ter ordem de saída do jogo. Uma atitude que valeu muitos aplausos por parte dos adeptos presentes nas bancadas do American Airlines Center. Apesar da expulsão, os Mavericks conseguiram vencer (97-95) e ainda ambicionam a qualificação para os play-offs. J.J Barea, mais tarde, reagiu: “Eu dei um pequeno empurrão”. 

Bird vs Erving. As lendas também lutam

As maiores figuras da modalidade também entram na lista de combates em que os ‘afundanços’ estão longe de ser feitos nos cestos. Em 1984, os protagonistas foram os alas dos Boston Celtics e dos Philadelphia 76ers. Larry Bird e Julius Erving deixaram para a história uma autêntica cena digna de um ringue de boxe e sobretudo fica, para sempre, o método de equipa utilizado para esta guerra. Enquanto dois colegas de equipa de Dr. J, como Erving ficou conhecido, agarravam em Bird, o ator principal do Philadelphia 76ers não se poupava na violência incutida em cada murro. Charles Barkley e Moses Malone, mais duas lendas da modalidade, acabariam por fazer parte da cena. Há quem diga que Dr.J ganhou a batalha, mas os Boston venceram a guerra. Por 130-119. 
 

Artest vs Walles vs adeptos. O rapper que saltou do palco 

Já passaram 13 anos, mas continua a ser considerada por muitos uma das cenas mais violentas ocorridas num jogo da NBA. E não é para menos. Em campo os Indiana Pacers e os Detroit Pistons. Um arrufo que começou entre Ron Artest e Ben Wallace e terminou com agressões por parte do jogador dos Pacers aos adeptos adversários, depois de ter sido atingido com várias bebidas, gelo e pipocas vindas das bancadas. Um jogo que ficou na memória pelo campo de batalha em que se transformou e em que, inclusivamente, foi necessário assistência médica para cerca de uma dezena de pessoas. Registado também na história da liga ficaram os castigos: uma suspensão de 143 jogos no total, distribuídos pelos vários jogadores envolvidos. A pena mais pesada foi, obviamente, atribuída a Artest, afastado dos pavilhões nos 73 jogos seguintes. Na altura, o rapper, profissão que conciliava com a de jogador, lembrou que gosta “muito dos adeptos”, considerando que “99% dos apoiantes eram óptimos e 1% idiotas”.

Barkley vs O'neal. No fim tudo acaba bem...
Uma bola - atirada propositadamente - para a cabeça de Shaquille O’Neal não podia dar bom resultado. A ideia foi de Charles Barkley, dos Houston Rockets, e terminou com um mano-a-mano entre os dois jogadores. Depois do murro, pouco certeiro, de O’Neal as imagens são pouco perceptivas mas não deixam dúvidas. Uma autêntica confusão escondida por uma corrente de jogadores das duas equipas que se agrupou em volta dos dois. Mas como é habitual no desporto em geral, tudo parece ficar resolvido quando saem de campo. Numa entrevista de 2015 foi pedido a O’Neal para eleger o top 5 dos melhores jogadores de todos os tempos. “Charles Barkley é meu amigo”, começou por dizer, mas “há um atleta que me fez ser quem eu sou - Julius Erving [ver caso 3].
 

Anthony vs Collins. Do murro ao desejo
Dez jogadores expulsos acabou mesmo por ser o resultado mais significativo de uma noite entre os Denver Nuggets e os New York Knicks. Destaque para Carmelo Anthony que além de ser eleito o melhor do encontro, com 34 pontos, esteve no centro das atenções por ser o responsável de uma briga geral  depois do empurrão sobre Robinson e o murro em Collins dos Knicks. Anthony foi suspenso em 15 jogos e David Stern, comissário da NBA lembrou: “Todos aqui tem que dar o exemplo. Esse tipo de coisa [lutas] não pode acontecer.” Mas não havia de ser a primeira e muito menos a última. Hoje, coincidência ou não, Melo, como é tratado, alinha pelos New York Knicks.

 

Artigo originalmente publicado na edição de 8 de abril de 2017