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Ana Botín. Dona de um império que rompe com longa tradição masculina

Assumiu a liderança do grupo Santander em 2014, depois do falecimento do seu pai. Ana Botín, a mais velha de seis irmãos, veio quebrar a longa tradição da instituição financeira: até aí, só homens é que tinham ocupado o lugar de topo. Prometeu criar um banco cada vez maior e a promessa está ser cumprida à risca.

 

Ana Botín é o rosto do gigante financeiro Santander. Com a recente aquisição do espanhol Popular, o grupo tornou-se na maior instituição financeira em Espanha e o maior banco privado em Portugal. Ana Patricia Botín assumiu a liderança do grupo em setembro de 2014, após a morte do pai, Emilio Botin, que faleceu de ataque cardíaco. Na altura tinha 53 anos e já era uma das vogais do grupo, presidindo à unidade no Reino Unido. 

Na banca espanhola já se dizia que a sucessão estava a ser preparada, uma vez que o patriarca Botín se aproximava dos 80 anos e estaria a pensar sair nessa altura. A sua filha - a mais velha de seis irmãos - trabalhava no banco desde 1989, onde entrou depois de ter completado 29 anos. E recebeu boas indicações da comissão do Santander para assumir as rédeas do banco. A opinião era unânime: «É a pessoa mais idónea, dadas as suas qualidades pessoais e profissionais, a sua experiência, a sua trajetória no grupo e o seu unânime reconhecimento nacional e internacional».

No momento em que assumiu funções deixou uma promessa: «Vamos continuar a trabalhar com toda a determinação para construir um Banco Santander melhor a cada dia para os nossos clientes, funcionários e acionistas». A verdade é que essa promessa tem vindo a ser cumprida. E os números falam por si: o banco conta com um total de 17 milhões de clientes, dos quais quatro milhões são em Portugal. 

Poucas horas depois de ter sido comunicada a decisão, Botín enviou um email a todos os colaboradores do Banco Popular, para lhes dar as boas vindas a um grupo onde já trabalham mais de 190 mil pessoas, terminando a carta de modo informal: «Um abraço, Ana».

Corte com a tradição

A nomeação de Ana Botín veio quebrar com a longa tradição do grupo. Até essa altura, o Santander tinha tido sempre homens da família Botín a ocupar o cargo de topo. Mas a sua vasta experiência no setor facilmente contribuiu para para quebrar esta tendência. Ana Patricia Botín nasceu em 1960, formou-se em Ciências Económicas nos EUA, na Universidade Bryn Mawr College, na Pensilvânia, e tirou  uma pós-graduação em Master of Business Administration em Harvard. Integrou o banco fundado pela família em 1989, tendo passado antes pelo JP Morgan. Mais tarde liderou o Santander UK, cargo que preencheu após a saída de António Horta Osório para o Lloyds. Antes, já estivera na presidência do Banesto.

Logo após ter sido escolhida oficialmente, a banqueira agradeceu o voto de confiança, «nestes momentos tão difíceis para mim e para a minha família», numa referência à morte do pai. «Assumo com total compromisso as minhas novas responsabilidades». 

O que é certo é que Ana Botín continua a seguir o exemplo do que vinha a ser seguido pelo seu pai. Emilio Botín, por sua vez, também tinha sucedido ao seu pai e foi o principal responsável pela expansão e crescimento da instituição financeira, não só dentro do mercado espanhol como também fora de portas, através de fortes aquisições. Nomeadamente em Portugal. Primeiro com a compra do Banco Pinto & Sotto Mayor, Banco Totta & Açores, Crédito Predial Português e a seguradora Mundial Confiança, dando lugar ao Santander Totta. Mais recentemente, já durante a liderança de Ana Botín, o grupo adquiriu no final de 2015 o Banif, por 150 milhões de euros.  

Na lista das mais poderosas do mundo

Casada e com três filhos, a banqueira fala cinco línguas e é apreciadora de música clássica. Apesar de ser extremamente zelosa quanto à sua privacidade, esta regra nem sempre é fácil de cumprir, em particular quando é nomeada pela revista Forbes como uma das mulheres mais poderosas do mundo.

A simplicidade é outro dos seus atributos. Ainda este ano, quando esteve no centro das atenções na assembleia-geral de acionistas, o foco não esteve na sua reeleição como presidente mas sim no facto de ter aparecido vestida com um casaco da Zara.