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Camilla Parker-Bowles. O outro lado da duquesa

Camilla e Diana, Diana e Camilla. E Carlos. As histórias em torno de um dos triângulos amorosos mais famosos da casa real britânica continuam a fazer rolar tinta. Os ditos mais recentes -  e que apresentam Diana como a má da fita - podem ser encontrados no mais recente livro de Penny Junor, "The Duchess: The untold story", uma biografia da duquesa da Cornualha. 

A família real britânica continua a ter o condão - ou poder - de magnetizar a atenção mediática ocidental. Ora é Kate, a ex-plebeia que parece ter sido esculpida para o papel de rainha, ora é Carlos cuja alegada homossexualidade é explorada, volta e meia, nos tabloides. Depois também há o mais discreto William e o até recentemente indomável Harry, que parece ter assentado com a atriz norte-americana Meghan Markle. Pelo meio ainda há o príncipe Filipe, duque de Edimburgo, cujas gafes têm tanto de divertido como de absolutamente inconveniente e uma veteraníssima e mais recatada Isabel II. E isto para só nos referirmos ao núcleo central da família - viva e morta. É que depois há Diana Spencer, que continua a pairar como uma sombra transversal à casa real. Mas desta vez Diana é apenas uma espécie de coprotagonista - e das feias e más - do novo livro de Penny Junor, especialista nestes assuntos. Até porque o volume nem é centrado nela: trata-se da biografia de Camilla Parker Bowles, intitulado The Duchess: The Untold Story. 

O livro, ainda sem edição nem nome português - numa tradução livre, significa qualquer coisa como A Duquesa: a história não contada - traz revelações bombásticas sobre o relacionamento de ambas - afinal, o caso extraconjugal entre Carlos e Camilla fez com que a história de uma ficasse cosida com linhas de aço na história da outra.

Camilla é Parker Bowles do lado do ex-marido - o seu nome de solteira era Shand. Segundo Penny Junor, Camilla e Diana apreciavam-se mutuamente e chegaram a ser amigas quando se conheceram. Carlos, que já tinha mantido uma relação com a agora Duquesa da Cornualha, nunca escondeu de Diana a amizade íntima com Camilla e, à data do noivado com a que viria a ser mãe dos seus filhos, garantiu que ela seria, dali em diante, a única mulher na sua vida. A união foi aprovada e apoiada quase por unanimidade - apenas três amigos mais próximos do príncipe acharam que era um passo demasiado rápido e que os dois «eram simplesmente demasiado diferentes».

Diana era, aparentemente, a noiva perfeita para um príncipe e eventual futuro monarca - bonita, educada e com ligações à casa real. Mas estava, garante a narrativa, apaixonada «pelo conceito» de virar princesa e não propriamente pelo futuro marido. Segundo relata Junor, nos meses de noivado, Diana «mudou radicalmente», tornou-se «ciumenta» e «paranoica». E «insegura», algo que a própria viria a admitir. Nesses tempos o próprio Carlos teve dúvidas, apesar de gostar de Diana, do sucesso daquela ligação. Mas sempre achou que podiam construir uma relação e que a futura mulher compreendia o papel que a esperava. Ainda assim, na véspera do casamento, em julho de 1981, o príncipe herdeiro passou a noite a chorar - e os sentimentos pela antiga namorada seriam um dos motivos.

Mas o casamento real foi em frente com a pompa e circunstância que o mundo viu e Carlos viu-se casado com uma rapariga completamente desligada da realidade: era «naif, mal-educada e imatura». 

A avó da própria princesa Diana, Lady Ferloy, terá, aliás, pedido desculpa à rainha-mãe, sua amiga, e ao príncipe Carlos, pouco antes de morrer, em 1993, por que estava ciente do comportamento «desonesto e difícil» da neta.

Mesmo enquanto amigas, Camilla e Diana nunca falaram do passado sexual entre o príncipe e a agora duquesa da Cornualha. Até porque, nessa altura, Camilla já era casada com Andrew Parker Bowles e sabia quão «doloroso era ter um marido infiel» e não queria infligir essa dor em mais ninguém. Por isso, chegava a evitar estar presente em meios e eventos em que se pudesse cruzar com o príncipe e a princesa de Gales. Mas Diana continuava «obcecada» por Camilla e pela antiga relação entre o marido e a duquesa - um caso que, viria, como foi admitido pelas partes, a reacender-se mais tarde.

Uma das revelações mais polémicas do livro de Junor é que Diana terá, num acesso de ciúmes levado ao extremo, ameaçado matar Camilla. «Mandei alguém matar-te. Eles estão no jardim. Olha pela janela, consegues vê-los?», terá dito a princesa de Gales numa chamada. 

Segundo o livro, Camilla não terá sido a única pessoa ameaçada por Diana de Gales. Do casamento, o resto é o que sabe: uma relação conflituosa e problemática que deu em separação.

Após o divórcio, Carlos declarou que não se iria casar novamente o que, alega a autora, deixou Camilla completamente «humilhada». A morte da ex-mulher faria o príncipe mudar de ideias e, a 8 de abril de 2005, consuma o casamento com o amor de longa data: Camilla. Não sem o seu quê de dramatismo - de acordo com a biografia que tem enchido os tabloides britânicos, Camilla estava tão «aterrorizada no seu dia de casamento que nem se conseguia levantar da cama». Foi preciso a irmã da duquesa, Annabel, ameaçar que iria vestir a roupa da noiva para a duquesa se levantar. O bloqueio foi ultrapassado e os últimos doze anos de vida em comum parecem ter sido tranquilos para o casal. 

No próximo mês, Camilla Parker Bowles, duquesa da Cornualha, completa 70 anos.