Vida

Activistas em topless interrompem concerto de Woody Allen

O protesto deu-se na cidade alemã de Hamburgo, com duas activistas da Femen a interromperem o concerto de Jazz para denunciarem a "cultura de silêncio" envolvendo as alegações de abusos sexuais contra Woody Allen

A acção teve como alvo o multi-premiado realizador norte-americano, com as activistas a subirem ao palco e interromperem a actuação de Woody Allem e da New Orleans Jazz Band, para manifestarem repúdio face à "cultura de silêncio" que envolveu os múltiplos escândalos relacionados com alegações de abusos sexuais que ensombram a figura do cineasta.

As Femen subiram ao palco em topless, com mensagens escritas no tronco, e gritaram a plenos pulmões, enquanto eram submergidas pelo ruído da audiência, que as vaiou e assobiou fortemente, enquanto, por trás, a banda se manteve impávida, aguardando que os seguranças as retirassem do palco da Filarmónica de Hamburbo, no norte da Alemanha. Houve ainda um dos promotores que aproveitou a situação para se meter em campo apenas para tirar uma selfie enquanto as activistas eram arrastadas para fora do palco.

 

 

Embora se tenham multiplicado as notícias sobre as acusações de abusos sexuais contra Woody Allen, também parece certo que o popular realizador tem gozado de uma invulgar benevolência tanto da parte dos media como da indústria cinematográfica e do público. Acusado de abusos sexuais pela ex-mulher, Mia Farrow, e que envolveram a sua filha Dylan Farrow na década de 1990, o casamento entre Allen e a actriz terminou em 1992, quando o realizador assumiu a relação que mantinha com a filha adoptiva dela, Soo-Yi Previn.

Foi, de resto, Mia Farrow quem descobriu o romance secreto que os dois mantinham debaixo do seu nariz ao encontrar fotos indiscretas da filha tiradas por Allen. Assim que completou 21 anos, em 1997, Soon-Yi e o ex-padrasto casaram-se e tiveram dois filhos.

Entretanto, num artigo publicado no ano passado na revista americana "The Hollywood Reporter", o jornalista Ronan Farrow, oficialmente o único filho biológico de Woody Allen e da atriz Mia Farrow, criticou o silêncio da imprensa no Festival de Cannes quanto às acusações de abuso sexual que pesam contra o pai.

Em Hollywood, onde tantas actrizes da noite para o dia conseguem fazer cabeçalhos à margem dos filmes inconsequentes que vão protagonizando com posições feministas ou condenando atitudes machistas, Allen continua a beneficiar de imunidade talvez pelos serviços prestados ao cinema, e as suspeitas que sobre ele recaem continuam a ser levadas em conta como manifestações extravagantes da sua peculiar personalidade.

Depois das activistas serem afastadas, a banda recomeça a tocar e o espectáculo é retomado como se nada se tivesse passado.

Na página de Facebook das Femen foi publicada uma imagem de uma das mulheres com o tronco descoberto com os braços no ar, gritando, momentos antes de ser expulsa. A organização feminista explicou em comunicado que as frases que as activistas tinham escritas na pele tinham sido extraídas de uma carta aberta publicada por Dylan, a filha de Allen, na qual esta o acusa de ter feito dela a vítima de abusos sexuais quando estava à sua guarda e tinha apenas 7 anos de idade.

O caso chegou a ser alvo de investigação, mas viria a ser arquivado. Não contentes, as Femen aguardam que se faça justiça e lembram que "a violência contra a mulher não pode ser ignorada, não é tolerável nem pode ser desculpada, mesmo se o acusado se chama Woody Allen".