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Transferências. City dá a volta ao Milan no carrossel dos milhões

Em dois dias, o_Manchester City gastou 85 milhões de euros em duas contratações: Danilo (ex-FC Porto e Real Madrid) e Mendy (ex-Mónaco). Ao todo, os Citizens somam já 238 milhões despendidos neste mercado de verão (que só acaba a 1 de setembro), 176 dos quais para reforçar a defesa, tão carente de qualidade nas últimas temporadas.

Em dois dias, 85 milhões de euros “enterrados” em dois laterais, um direito e um esquerdo. Quem pode, pode e o Manchester City, particularmente desde que se vendeu aos milhões árabes, lá para meados de 2008, certamente está no patamar dos que podem. Este ano, todavia, está apostado em bater todos os recordes. Nas últimas duas temporadas, juntando o mercado de verão e o de janeiro, os Citizens despenderam 213 milhões de euros em reforços; desta feita, só nesta janela – aberta no passado dia 1, há apenas 24 dias –, já lá vão 238 milhões!

A mais recente loucura dos novos-ricos de Manchester é o lateral-esquerdo franco-senegalês Benjamin Mendy, um dos grandes destaques do Mónaco de Leonardo Jardim na última temporada. Pela gazela esquerdina, o City não hesitou em prescindir de 55 milhões de euros – grande negócio para os monegascos, que há precisamente um ano pagaram “míseros” 15 milhões para o resgatar ao Marselha. No domingo, havia sido Danilo a ser apresentado: pelo internacional brasileiro, o gigante inglês pagou 30 milhões de euros ao Real_Madrid – exatamente o mesmo valor que os merengues depositaram nos cofres do FC Porto em 2015.

A estas entradas é preciso juntar as de Kyle Walker (outro lateral-direito), contratado ao Tottenham a troco de 51 milhões de euros; Bernardo Silva, ex-Mónaco, que custou 50; Ederson, que deixou o Benfica com os Citizens a desembolsarem 40 milhões; e ainda a jovem promessa brasileira Douglas Luiz, que rendeu 12 milhões aos depauperados cofres do_Vasco da Gama.

Ao todo, o City já gastou 176 milhões de euros neste mercado em contratações para o sector defensivo, claramente o mais problemático da equipa nos últimos anos. Basta ver quanto dinheiro tem sido gasto para reforçar aquela zona – e sem grandes resultados: em 2014/15, Mangala, ex-FC Porto, foi a contratação mais dispendiosa (30,5 milhões) do clube na janela de verão. Fez duas épocas sofríveis, acabou emprestado ao_Valência e neste momento está no lote dos dispensáveis. Na época seguinte, foi Otamendi, outro antigo jogador dos dragões, a chegar aos Citizens a troco de uma quantia ainda mais exorbitante: 44,6 milhões de euros! O internacional argentino conseguiu, porém, apresentar um rendimento bastante superior ao de Mangala, sendo hoje um indiscutível no centro da defesa.

A maior loucura, porém, ocorreu na época passada, quando, após uma longa novela de verão, o City pagou 55,6 milhões de euros ao_Everton para garantir os serviços de John Stones, um promissor central inglês de 22 anos. A estes, refira-se, acrescentou ainda 18 milhões para a contratação do guardião chileno Claudio Bravo, pedido expresso de Pep Guardiola, que rapidamente fez questão de mostrar não contar com Joe Hart, há muitos anos titular absoluto da baliza do City. As opções foram discutíveis e o decorrer da época não ajudou à causa do técnico espanhol: Stones alternou excelentes exibições com performances comprometedoras e Bravo esteve ainda pior, acabando mesmo por ser relegado para o banco a dada altura da temporada – razão pela qual terá este ano a concorrência apertada de Ederson.

 

Milan acordou, PSG ainda não

Esta tendência despesista catapultou o City para o topo da lista dos clubes mais gastadores deste verão – um estatuto que já ocupou na temporada passada, a primeira de Guardiola ao leme. Não deixa de ser um dado curioso, pois o técnico espanhol nunca foi visto como grande defensor de ir pelo caminho mais fácil (leia-se contratações milionárias) para ganhar títulos – no Barcelona e mesmo no Bayern, foi sobretudo através da aposta nos recursos que já tinha à sua disposição quando pegou nas equipas que Guardiola montou o seu esquema vencedor. Coincidência ou não, a primeira temporada ao comando do Manchester City ficou bastante aquém das expetativas...

Em dois dias, dizíamos, o City passou a ser o clube mais gastador do defeso. Isto, porque até aqui era o AC Milan o principal protagonista deste verão. Agora nas mãos do chinês Li Yonghong, o gigante italiano, adormecido há vários anos – acabou em oitavo, décimo, sétimo e sexto nas últimas quatro temporadas, ficando fora das competições europeias em três delas –, está a investir em grande, na tentativa de forçar o regresso ao topo através dos milhões. A contratação de André Silva ao FC Porto por 38 milhões de euros, logo no início do mercado, foi sonante, mas não tanto como a de Bonucci, uma das grandes figuras da rival Juventus: os Rossoneri pagaram 42 milhões à Vecchia Signora e garantiram o central. Mas há ainda Andrea Conti (ex-Atalanta, 25 milhões), Hakan Çalhanoglu (ex-Bayer Leverkusen, 22), Ricardo Rodriguez (ex-Wolfsburgo, 18), Mateo Musacchio (ex-Villarreal, 18) ou Lucas Biglia (ex-Lázio, 17). Ao todo, o Milan vai já nos 189,5 milhões de euros gastos – e o mercado só fecha a 1 de setembro. Muita água vai ainda correr, até porque há clubes que praticamente nem abordaram ainda o mercado – como o PSG, que pode fazer tudo virar se conseguir mesmo a maior transferência da história: os 222 milhões de euros por Neymar...