Economia

Facebook. Aproximar as pessoas através da inteligência artificial

Maior rede social do mundo quer reconquistar a confiança dos utilizadores e aposta no desenvolvimento de novas tecnologias

O Facebook parece estar em mutação. Apesar de um aumento continuado do número de utilizadores – a 30 de junho deste ano, o Facebook tinha cerca de 1,32 mil milhões de utilizadores diários (um aumento de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior) –, a maior rede social do mundo está preocupada com a cada vez menor partilha de conteúdos pessoais por parte dos utilizadores em detrimento de partilhas de links de notícias ou de artigos de opinião, fotografias ou vídeos.

E na perspetiva de negócio (ver texto ao lado) a inteligência artificial parece ser a aposta da maior rede social do mundo para conseguir voltar a ganhar a confiança dos utilizadores, para que estes voltem a partilhar conteúdos de cariz mais pessoal.

Um inquérito recente do “Huffington Post” revela que 28% dos utilizadores não confiam “de todo” os seus dados pessoais ao Facebook. 34% disseram “não ter muita confiança” na marca e 32% afirmaram confiar “um pouco”. Já em 2013 o Buzzfeed tinha noticiado, também com base num inquérito, que 61% dos norte-americanos não confiavam nada no Facebook.

Coluna doméstica Na semana passada, a imprensa internacional dava conta de que Mark Zuckerberg, o fundador e CEO do Facebook, tinha constituído uma equipa dedicada ao desenvolvimento de um assistente para o lar, também conhecido como coluna de assistência doméstica – semelhante à Amazon Echo ou ao Google Home.

A ideia de uma coluna de assistência doméstica tem como base o facto de o Facebook, além de ser a maior rede social do mundo, ser ao mesmo tempo um dos sites mais utilizados e ponto de interação entre centenas de milhões de pessoas.

Articular as funcionalidades e as informações do feed de notícias de cada utilizador com uma assistente virtual poderá ser útil para aquelas pessoas que precisam de ser lembrados dos aniversários da família e dos amigos. Com esta assistência, as pessoas poderão fazer partilhas mais pessoais.

Ontem foi noticiada a compra da Ozlo pelo Facebook, o que, segundo a imprensa especializada, veio reforçar a ideia de que a empresa liderada por Zuckerberg está a desenvolver tecnologia de assistência virtual. O Ozlo é uma startup especializada neste setor e junta ao projeto do Facebook quase três dezenas de colaboradores.

Segundo o site Sapo Tek, num dos sistemas desenvolvidos pela Ozlo, uma assistente é capaz de responder se um restaurante é ou não adequado para grupos, analisando e mostrando compreender várias revisões publicadas online. A maior parte do trabalho da startup foi desenvolvido na área da compreensão do texto escrito.

A Ozlo afirma que as suas tecnologias conseguem processar questões que requerem respostas mais complexas e informações contextuais.

Uma porta-voz do Facebook recusou adiantar os valores envolvidos no negócio e afirmou que a startup “vai trabalhar com o Messenger para continuar o seu trabalho com inteligência artificial e machine learning”.

Estar na mesma sala Também ontem, a agência Bloomberg noticiou que o Facebook está a desenvolver uma outra tecnologia para assistência virtual no lar. Neste caso será um dispositivo para videomessaging num ecrã touch de dimensão idêntica ao de um portátil, com câmara integrada.

O objetivo é que este sistema seja capaz de ligar várias pessoas de diferentes geografias num videochat em que pareça que estão na mesma sala.

A tecnologia deverá integrar Android e usar a inteligência artificial do Facebook para proporcionar este ambiente mais intimista. De acordo com a mesma agência noticiosa, a tecnologia é ainda um protótipo, mas já está a ser testada em algumas casas nos EUA.

Os novos dispositivos representam uma nova fase nas ambições de hardware do Facebook, que criou no ano passado o laboratório Building 8 para ajudar a desenvolver o seu próprio hardware e manter os consumidores ligados ao seu ecossistema – feed de notícias, Facebook live, videochamadas e várias outras funcionalidades.

Juntar os utilizadores Toda esta aposta na inteligência artificial parece estar alinhada com o novo propósito anunciado pelo seu fundador de aproximar os utilizadores do Facebook.

No final de junho, o CEO definiu uma nova missão para a maior rede social do mundo. Segundo Mark Zuckerberg, o Facebook já não se limita a “conectar o mundo”. O seu objetivo é “dar às pessoas o poder para construírem comunidades e aproximar cada vez mais o mundo” .