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A farsa de Costa, Medina e Roseta

A história do novo hospital da zona oriental de Lisboa tem contornos de farsa. 

Decidido no tempo de José Sócrates e de Correia de Campos, em modelo de parceria público-privada, foi objeto de concurso, havendo um consórcio vencedor. 

Com a vinda da troika, Passos Coelho e Paulo Macedo, embora defensores da construção do novo hospital na zona de Chelas, também em modelo de PPP, para substituir os hospitais da Colina de Santana, consideraram que o projeto de Sócrates e Correia de Campos estava mal concebido, era caro e exigia demasiadas garantias do Estado. 

Em 2014, em reunião da concelhia do PS, António Costa - então presidente da Câmara Municipal de Lisboa -, acompanhado pelo fiel vereador do urbanismo, Manuel Salgado, defendeu vigorosamente o novo hospital para substituir os antigos hospitais que seriam encerrados. E sabem com que argumentos? Os da eficiência e racionalidade económica. 

Finalmente, em 2017, o ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, declara que o novo hospital vai avançar. E no dia 1 deste mês de agosto, em sessão pública, o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, informou que o Estado vai pagar 432 milhões de euros à entidade que vencer o concurso para a construção do edifício, pagos a um ritmo de 16 milhões de euros por ano, durante 27 anos. Afirmou ainda que «o novo hospital vai representar uma poupança substancial para os cofres públicos». Repito: poupança. 

É nesta altura que temos de fazer rewind neste filme. É que aqui há um catch. Todos os governos gostam de anunciar novos hospitais; mas construir este novo hospital tem um pressuposto: encerrar os antigos. 

Ora, como todos sabemos desde o tempo de Correia de Campos, encerrar qualquer hospital no nosso país é um drama. Movem-se todas as corporações e todos os interesses. Veja-se o caso da Maternidade Alfredo da Costa no tempo de Paulo Macedo. 

A esquerda portuguesa e lisboeta tem agora de encerrar seis hospitais e esperneia porque tem medo de perder votos. Sobretudo quando o único argumento é financeiro. Os hospitais antigos foram vendidos há muito à Estamo - e na Colina de Santana, onde eles ainda estão, serão construídos condomínios de luxo e hotéis.

Tudo isto com um Governo das esquerdas unidas e com a coligação Medina/Roseta a governar Lisboa. Foi por isso que na última semana de julho, depois de quatro longos anos do mandato autárquico, se montou na Assembleia Municipal de Lisboa uma valente farsa. 

Helena Roseta, presidente da Assembleia Municipal - e já apresentada como candidata a novo mandato -, escreve uma carta a pedir garantias. Dois dias depois, em nova sessão pública, o ministro não só responde como ainda telefona durante a sessão, a pedido do vereador Manuel Salgado, sentado na primeira fila. E são dadas mais garantias de que a Assembleia Municipal terá uma palavra no assunto, claro. 

Nem Gil Vicente faria melhor. A farsa foi montada pelo encenador e executada pelos atores. É disto que a esquerda gosta - e alguns jornais também.

sofiarocha@sol.pt