Sociedade

Os assaltos relâmpago a ourivesarias

Nem uma joalharia na zona mais exclusiva do Algarve escapou. Tal como nas Amoreiras, assaltantes chegaram de mota, roubaram o que puderam e fugiram.


Chegaram de mota, pararam junto à sofisticada ourivesaria na estrada da Quinta do Lago, em Almancil, levaram joias e relógios no valor de centenas de milhares de euros e desapareceram sem deixar rasto. Pelo menos, é a informação que há: a investigação está em curso e a Polícia Judiciária não forneceu dados. O roubo à ourivesaria David Rosas, na zona mais exclusiva do Algarve, aconteceu a 29 de setembro e o modus operandi foi parecido com o do assalto a uma joalharia no Centro Comercial das Amoreiras o início do ano. 

Se este tipo de assaltos relâmpago parece repetir-se, não há indícios de os assaltos a ourivesarias estarem a aumentar.
Uma pesquisa rápida online revela inúmeras notícias sobre assaltos a ourivesarias nos últimos anos e o esquema é sempre idêntico. Nos últimos três meses de 2016, a Baixa foi palco de três assaltos a lojas do ramo. O último, a 14 de dezembro, ocorreu em plena manhã, pelas 10h15, quando a Baixa estava já mergulhada na agitação diária que a caracteriza. Foi protagonizado por seis homens armados e não se sabe o valor dos bens que levaram. Mas o assalto mais mediatizado foi precisamente o das Amoreiras, a 13 de fevereiro deste ano. Aconteceu pelas 10h20 da manhã, pouco depois da abertura, numa altura em que ainda não havia muita gente no local.

Os três homens entraram de cara destapada, com golas altas e gorros, subiram ao primeiro andar e ameaçaram as empregadas da loja com uma arma. Com uma marreta, partiram a montra e levaram várias joias e relógios, correspondentes a um valor que não é conhecido. Ao SOL, fonte da empresa avançou que o caso está ainda sob investigação, não sendo possível fornecer nenhuma informação. Já a ourivesaria da Quinta do Lago não foi possível contactar até à hora de fecho

Casos pontuais?

A criminalidade violenta e grave tem vindo a diminuir em Portugal nos últimos anos. Segundo o Relatório Anual de Segurança Interna 2016 (RASI), «as tipologias criminais que a integram têm como denominador comum a violência física ou psicológica, sendo causadores de forte sentimento de insegurança». Ora, em 2016, o número total destas participações fixou-se nos 16.761, enquanto em 2015 tinham sido registadas 18.964. É nesta categoria que se inclui o roubo a ourivesarias.

O mesmo relatório revela mesmo que o roubo a ourivesarias tem vindo a diminuir. Segundo dados que congregam informações de oito Órgãos de Polícia Criminal – GNR, PSP, PJ, SEF,PM, ASAE, AT e PJM –, em 2015 houve registo de 29 roubos a ourivesarias e em 2016 o número diminuiu para 23. O relatório com dados relativos a 2017 ainda não foi publicado – só o será no próximo ano – mas a PSP disponibilizou dados ao SOL que não sugerem um aumento de ocorrências. Até à data – a cerca de dois meses do fim do ano – só há registo de sete assaltos a joalharias. Em 2016, a PSP registou 12 assaltos a ourivesarias, 13 em 2015, 25 em 2014, 35 em 2013 e 74 em 2012.

O RASI 2016 especifica, aliás, no contexto da criminalidade violenta e grave, os crimes com maior representatividade – e o roubo a ourivesarias está longe de ser um deles. Só o conjunto do roubo na via pública (exceto esticão), o roubo por esticão e a resistência e coação sobre funcionário representaram, em 2016, 74,5% das ocorrências.

Os roubos a ourivesarias, em particular, mostraram uma tendência para um aumento até 2012 – ano em que foram registados 164 – a nível nacional, e têm vindo, desde aí, a diminuir sucessivamente.

Mas como explicar esta diminuição generalizada? A PJ não deu respostas. Já a Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal (AORP) avança com uma explicação plausível.

Fátima Santos, secretária-geral da entidade, lembra que «a questão da segurança está inerente ao negócio da joalharia». Por isso, para combaterem os assaltos, «atualmente, as empresas estão munidas de sistemas de segurança mais eficazes e sofisticados», elucida. Assim se explica que estes casos se tenham vindo a tornar «cada vez mais esporádicos».

A secretária-geral explica também que, enquanto associação que representa o setor, a AORP tem, aliás, vindo a desenvolver «vários esforços para promover a prevenção, colaborando com as forças de segurança». Além disso, a AORP organiza, também, «ações de formação junto das empresas para partilhar boas práticas».

Estes fatores levam Fátima Santos a defender que, apesar de continuarem «a registar-se alguns casos pontuais», na generalidade a «joalharia é atualmente um setor seguro».

E, muitas vezes, é como diz o ditado: casa roubada, trancas à porta. Portas fechadas para maior controlo de entradas e câmaras de segurança fazem parte das estratégia das lojas para procurar manter os seus tesouros a salvo.

*Artigo editado por Marta F. Reis

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