Tecnologia

Web Summit. Stephen Hawking foi o “convidado” surpresa da abertura

Até quinta-feira, a organização espera receber 81 mil pessoas de 170 países

Nem Stephen Hawking faltou à chamada – e logo para falar de inteligência artificial. “Pode ser a melhor ou a pior coisa que alguma vez aconteceu à humanidade”, alertou o físico, por vídeo, no arranque da segunda edição da Web Summit por terras lusas. Os oradores da sessão de abertura foram escolhidos a dedo. O fundador da Web Summit, Peter Cosgrave, fez-se acompanhar de Nuno Sebastião, da Feedzai (startup portuguesa líder em inteligência artificial), a quem coube a honra de apresentar a supresa da noite, Stephen Hawking; Bryan Johnson, fundador da Kernel – uma empresa especializada no desenvolvimento de próteses neurológicas –, Margrethe Vestager, comissária europeia para a Competição, António Guterres, secretário-Geral da ONU – que deu aos boas vindas aos participantes à sua “cidade natal” – e, por fim, o primeiro-ministro português, António Costa, acompanhado do Presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina.

Beautiful Lisbon

“You are very welcome to Web Summit and incredibly welcome to the beautiful city of Lisbon.” Ainda antes de Paddy Cosgrave, cofundador da Web Sumitt, era um ecrã – que se revelou no teleponto do irlandês – a dar as boas vindas a uma Altice Arena – ex-Pavilhão Atlântico, ex-Meo Arena – cheia. Cosgrave admitiu recentemente, em entrevista à Renascença, que tornar a capital portuguesa na casa definitiva da Web Summit era o seu “sonho”. Em ano de bis para Lisboa, a cimeira arrancou com um vídeo de tributo à cidade, que rapidamente se estendeu a Portugal. Cosgrave pediu um aplauso para o país e desafiou a “todos os presidentes e primeiros ministros de todo o mundo para porem as mãos no alto para Portugal”.

Até quinta-feira, a organização espera que passem 81 000 pessoas de 170 países pelo evento, reconhecido como o maior certame de tecnologia e empreendedorismo do mundo. Números meteóricos se comparados com a primeira edição, em 2010. “Foram menos de 400 pessoas”, lembra Paddy, sublinhando que este ano há “voluntários de cinquenta países e mais de mil speakers”. Um caminho ascendente de um evento que, de ano para ano, reúne cada vez mais empreendedores, investidores, estudantes, políticos e meios de comunicação social. Afinal, o advento da tecnologia faz com que a sociedade esteja num ponto de inflexão que, acredita Crosgave, aparece de longe a longe, saltando gerações. “As coisas que só aconteciam em filmes tornaram-se reais”, disse o cofundador do evento.

Networking e Inteligência Artificial

Se algoritmos, programação e inovação fazem parte do alfabeto da Web Summit, há um conceito nevrálgico que Cosgrave fez questão de sublinhar: networking.

Para abrir caminho ao que se vai passar nos próximos dias, lá pediu a todos que se levantassem e se apresentassem a pelo menos três pessoas no seu redor. Nem cinco segundos tinham decorrido e já ouvíamos, ao nosso lado, uma consultora de social media da Polónia e um empreendedor da área digital português a trocarem contactos. Os mais envergonhados, lembrou Crosgave, podem sempre usar a app do evento para entrar em contacto com qualquer um dos 81 000 participantes – uma rede que é obra.