Politica

CDS acusa geringonça: "Para os senhores o que importa é quem propôs"

O debate do segundo dia das votações do Orçamento do Estado para 2018 na especialidade começou com acusações mútuas. 

CDS acusa a "geringonça" de estar mais preocupado com quem apresenta a proposta do que o que nela diz, enquanto o PSD afirma que "a geringonça acha que manda ela e só ela".

Adão Silva identifica 19 propostas dos sociais-democratas que "foram chumbadas pelo PS" e que Bloco de Esquerdo e PCP "mesmo assim não dizem nada! Porquê esta hipocrisia?", questiona o deputado. "O país fica a saber hoje que o Bloco de Esquerda, o PCP e o PEV, com a complacência do PS, se comportam como uma farsa que utiliza os funcionários públicos a seu belo prazer".

"Se as propostas do PSD foram chumbadas, é porque não serviam e porque de facto o PSD não tinham a maioria no parlamento", relembra Heloísa Apolónia, d'Os Verdes. "Nas últimas legislativas, o CDS e PSD perderam a maioria, e é isso que não se conseguem convencer", acrescentou.

José Soeiro, deputado do Bloco de Esquerda, respondeu às acusações do PSD recordado que o antigo executivo foi o responsável pelas medidas de corte do 10% no subsídio de desemprego porque "tratam [as pessoas] como preguiçosas e fraudulentas", referindo-se a uma proposta que foi ontem aprovada fazendo revogar o corte.

Cecília Meireles, do CDS, disse que a maioria de inaugurar "um novo modo de fazer política" acusando a maioria de "sectarismo de fazer política ou sectarismo politiqueiro levado ao extremo". Segundo a deputada centrista, para a esquerda "pouco importa o impacto que vai fazer nas vidas das pessoas, para os senhores importa quem propôs".

A resposta veio de João Galamba, do PS, que criticou o "queixume" da oposição. "Hoje é quinta-feira e é o dia em que o PSD e CDS dizem que a maioria de esquerda está sólida, se fosse quarta-feira ou sexta-feira diriam o contrário". O que levou a Cecília Meireles a fazer uma nota: "eu não disse que estava sólida, eu disse que estava sectária".

Os sociais-democratas, pela voz de Duarte Pacheco, frisam também a divergência de opiniões dos partidos que apoiam o governo. "No mesmo dia, os mesmos deputados estão a favor de dar mais 12 milhões de euros aos senhores membros do governo para renovar os seus gabinetes e estão contra que se limite as cativações dos serviços públicos"

Pedro Nuno Santos, secretário de Estado do Assuntos Parlamentares recordou que "é preciso que nós nos recordemos que o PSD e o CDS apresentaram propostas sobre pensões e não as advocaram".

"Não sentimos necessidade nem nós nem o país, de ir para lá do que o acordado com a União Europeia, sentimos necessidade de aumentar as pensões", acrescentou o secretário de estado afirmando que o governo volta a "cumprir o contrato que o estado tem com os seus trabalhadores. "As carreiras estão, a partir de 1 de janeiro, descongeladas", relembrou.