Internacional

Nova Iorque. O fracasso evitou o pior

Os explosivos falharam e só o bombista que ontem tentou atacar Manhattan ficou seriamente ferido. O que o levou a agir está em disputa.

Um homem de 27 anos tentou esta segunda-feira o segundo atentado terrorista em Nova Iorque em apenas dois meses, mas os explosivos caseiros que levava amarrados ao peito, sob um casaco de capucho e fecho, explodiram mal e, ao que parece, também precocemente.

O fracasso evitou o pior e apenas o atacante, um imigrante natural do Bangladesh chamado Akayed Ullah, sofreu ferimentos graves, como cortes e queimaduras sérias no abdómen e mãos. Quatro outras pessoas sofreram pequenos ferimentos e demonstravam esta segunda sintomas como dores de cabeça e de ouvidos.

Ullah transportava duas bombas improvisadas e uma delas parece ter explodido sem intenção quando o bombista estava num dos acessos à Port Authority, o mais movimentado terminal de autocarros no mundo, em Manhattan.

A detonação foi captada pelo sistema de videovigilância, que mostra como a bomba quase não afetou outras pessoas na plataforma, apesar do fumo e do abalo.

Não se sabe se Ullah quis de facto atingir um dos locais mais apinhados do terminal e os motivos que o levaram a lançar o atentado estavam também esta segunda-feira em disputa.

As autoridades afirmavam apenas que Ullah atou os explosivos de uma forma que sugere que pretendia suicidar-se e confirmavam que deixou para trás um escrito declarando as suas intenções – sem, contudo, as revelar.

“Trata-se de Nova Iorque e a verdade é que somos um alvo para muitos que querem atacar a democracia e a liberdade”, disse esta segunda o governador Andrew Cuomo, afirmando também que um atentado contra os apinhados sistemas de metro e autocarros é um dos pesadelos das autoridades – o ataque, que ocorreu por volta das 7h30 locais, quase paralisou a hora de ponta nova-iorquina.

“Temos no nosso porto a Estátua da Liberdade e isso faz de nós um alvo internacional.”

As autoridades americanas fizeram rusgas em duas casas de Brooklyn, onde Ullah vivia – o jovem trabalhava como taxista. Uma pessoa foi esta segunda detida para interrogatório, mas a principal tese parece ser a de que Ullah agiu sozinho, e nem sequer em contacto com um grupo terrorista estrangeiro.

Apesar disso, existiam esta segunda duas teses concorrentes: a de que Ullah agiu em nome do grupo Estado Islâmico, que celebrava o ataque nas redes;_e a de que o bombista agiu em solidariedade com os palestinianos e em protesto contra o reconhecimento americano de Jerusalém como a capital israelita.