Sociedade

Mão criminosa no Pinhal de Leiria

Total de arguidos nos incêndios de Pedrógão Grande e de outubro não é público. Confirmação de fogo posto no Pinhal do Rei é o último avanço

O incêndio que consumiu o Pinhal de Leiria a 15 de outubro teve mão criminosa. A informação foi confirmada ontem por fonte da PJ de Leiria citada pela Lusa, numa altura em que não existem novas informações oficiais sobre o desenvolvimento quer dos inquéritos de Pedrógão Grande quer das investigações aos fogos de outubro. Por esta altura, não é público o número de arguidos constituídos nem as entidades em causa, não obstante ter sido já libertada alguma informação sobre os processos, que permanecem em segredo de justiça.

O incêndio na Mata Nacional de Leiria não causou vítimas e devastou 86% do pinhal. Houve várias frentes de fogo em simultâneo e, dias depois do incêndio, já havia entre os populares a ideia de que teria sido fogo posto. O presidente da Câmara de Leiria, Raul Castro, chegou a expressar essa ideia, falando de vários focos de incêndio mas também de falsos alarmes, “como se quisessem desviar as atenções e mobilizar meios para essas áreas”, disse na altura o autarca. Foi veiculada a informação de que um dos focos de incêndio que alastrou para o pinhal teria começado num terreno onde é descarregado lixo. Já segundo a edição do “Expresso” do último fim de semana, um dos focos de incêndio terá começado com a ativação de um engenho artesanal.

Na semana passada foi tornado público que relativamente ao inquérito principal do incêndio de Pedrógão terão sido constituídos mais sete arguidos, entre os quais os três autarcas dos concelhos afetados e que serão suspeitos dos crimes de homicídio por negligência e ofensa à integridade física por negligência. De acordo com a SIC, serão também arguidos dois altos dirigentes da Proteção Civil e duas empresas, a EDP e a Ascendi. Ao todo, o inquérito que investiga as 65 mortes diretas causadas pelo fogo de 17 de junho, cerca de metade na EN-232, terá tido como primeiros arguidos Augusto Arnaut, comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande, e Mário Cerol, segundo comandante do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS).

Apesar desta informação veiculada nas últimas semanas, até porque a PJ terá enviado na última quarta-feira o relatório final do incêndio de Pedrógão para o MP de Leiria, não existe uma confirmação oficial sobre os arguidos nos diferentes inquéritos. No caso de Pedrógão, o relatório da PJ indicará que o fogo não teve origem criminosa, corroborando a tese inicialmente apontada de que o mesmo foi causado por relâmpago, o que aparentemente contraria as conclusões da equipa conduzida por Xavier Viegas. Recorde-se que esse trabalho encomendado pelo governo revelou que a tragédia de Pedrógão Grande foi o resultado não de um mas de dois incêndios que convergiram, e os peritos concluíram que os indícios apontavam para que o fogo tivesse sido causado por uma descarga elétrica. “Inclinamo-nos fortemente para que tenha sido a linha elétrica de média tensão a originar os dois incêndios em Escalos Fundeiros e em Regadas”, lê-se no relatório.

Reflorestar o Pinhal

Três meses depois dos incêndios de outubro, o governo apresentou ontem a Estratégia de Recuperação do Pinhal do Rei. António Costa plantou simbolicamente um sobreiro e defendeu que, no futuro, a mata nacional deverá ter pinheiros, mas também outras espécies. O primeiro-ministro realçou ainda que é necessário ter a consciência de que a reflorestação é um desafio para uma década. No final da sessão, o presidente do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas estimou que a madeira ardida nas matas nacionais em 2017 poderá ter um valor de mercado na ordem dos 33 milhões de euros, citou o “Expresso”.