Internacional

Terrorismo. Abdeslam apenas falou para depositar a sua defesa "em Alá"

O único sobrevivente dá célula que atacou Paris em 2015 diz que os muçulmanos são tratados sem "misericórdia" pela justiça europeia. 

O único suspeito vivo dos atentados em Paris de novembro de 2015 apareceu esta segunda-.feira pela primeira vez em público desde que foi capturado.

Salah Abdeslam foi transportado de manhã num grande aparato policial para um tribunal em Bruxelas no qual vai responder pelos acontecimentos que se seguiram à sua fuga de Paris para a capital belga, no decorrer dos quais se viu envolvido em vários tiroteios e fugas à última hora pelas casas do bairro de Molenbeek.

Abdeslam quase não falou ao longo de toda a audiência, assim como vem fazendo com advogados e procuradores franceses e belgas desde que foi capturado. 

“Não desejo responder a quaisquer perguntas”, limitou-se a dizer quando a juiza, Marie-France Keutgen, pediu que lhe confirmasse a identidade.

“O meu silêncio não faz de mim um criminoso, é a minha defesa”, justificou-se, explicando que os muçulmanos, como ele, “são julgados e tratados das piores maneiras, sem misericórdia” e dizendo também que não tem medo “de vocês nem dos vossos aliados” – questionado sobre o que quis dizer com isto, Abdeslam não respondeu. “Julguem-me, façam o que quiserem. Deposito a minha confiança em Alá.” 

Abdeslam só será julgado pelo envolvimento nos atentados terroristas de 2015 no próximo ano. Até ao começo desse julgamento, em França, o Ministério Público belga procurará condená-lo à pena máxima de 20 anos pela posse ilegal de armas e tentativa de homicídio dos agentes envolvidos que o capturaram.

O suspeito de 28 anos vai ser julgado em conjunto com  Sofien Ayari, de 24 anos, que o foi buscar a Paris na madrugada dos atentados e para quem o Ministério Público também quer a pena máxima de 20 anos.

Abdeslam comunicou à sua célula do grupo Estado Islâmico que o seu colete suicida não se detonou em Paris por causa de uma avaria e que essa foi a razão da sua fuga, mas em França argumenta-se que ele pode ter mudado de ideias quanto a explodir-se.