Economia

Efacec. Ministro português elogia empresária Isabel dos Santos

Inauguração de nova unidade de mobilidade elétrica da Efacec afirma empresa nacional, que assinala 70 anos como líder mundial de setor em expansão

A Efacec inaugurou ontem a nova unidade de mobilidade elétrica. Com capacidade para produzir, por ano, 3800 carregadores rápidos para veículos elétricos, segmento no qual a Efacec é líder mundial, a unidade vai empregar quase 400 pessoas até 2025.

Com sete décadas de experiência e na liderança mundial na indústria da energia e setor da eletricidade, a Efacec aumenta, com este investimento de 2,5 milhões de euros, a sua posição como um dos mais relevantes players naquele que é um dos vetores mais importante do futuro: a mobilidade elétrica.

“A mobilidade elétrica é o futuro. E é uma das rotas para a Efacec ser competitiva e vencedora nos mais desafiantes mercados internacionais”, resume o CEO da empresa na apresentação da nova unidade industrial.

A mobilidade elétrica pesa já 6% do volume de negócios da Efacec, cerca de 26 milhões de euros, e tem a ambição de atingir os 15% num futuro próximo.

A nova unidade industrial de mobilidade elétrica da Efacec vai permitir aumentar a capacidade anual de produção de carregadores rápidos para veículos elétricos, sendo o objetivo da empresa liderada por Ângelo Ramalho triplicar o peso deste segmento para os 100 milhões de euros em três anos.

“Este é um projecto que traduz e reforça a missão da Efacec: trabalhar diariamente na construção de soluções de energia que contribuam para a qualidade de vida de milhões de pessoas em todo o mundo”, acrescentou Ângelo Ramalho para quem a ambição da Efacec é construir um futuro “com mais tecnologia, mais produtos e mais qualidade de vida”.

De acordo com o responsável, que assinalou também os 70 anos da empresa, a Efacec continua a ser um “grupo dedicado à conceção de produtos e serviços para a transmissão e distribuição de energia, presente em todo o mundo” para diversos equipamentos e setores. A Efacec é uma empresa portuguesa presente em mais de 90 países e 76% da sua atividade é resultado de exportações. São mais de 2300 os colaboradores da empresa, 2000 deles em Portugal. Em Matosinhos, sede da empresa, estão as unidades dedicadas aos produtos de energia e na Maia as áreas da Mobilidade Elétrica, Automação, Transportes e Ambiente. A Efacec tem ainda polo de Serviços em Oeiras.

2015, ano de dificuldades financeiras – fechou com prejuízos superiores a 20 milhões de euros, foi também o ano em que chegou uma nova acionista – a Winterfell – que inverteu a “tendência dos resultados negativos”.

Nova acionista No exercício seguinte a Efacec obteve obteve lucros de 4,3 milhões de euros, com o volume de negócios a atingir 431,5 milhões, mais 15,5 milhões de euros do que no ano anterior ou mais 4% do que no período anterior. O EBITDA foi de 34,9 milhões de euros, um crescimento de 25% face ao exercício anterior.

Isabel dos Santos – que desde há três anos controla 66% da Efacec através da sociedade Winterfell – esteve ontem na inauguração da nova unidade de mobilidade elétrica recordando que entrou no capital da Efacec “com a visão de contribuir para um novo ciclo do seu crescimento” e que “a rentabilidade da empresa foi conseguida a partir de uma gestão racional e orientada para resultados”, tendo-se conseguido inverter “o sentido dos resultados negativos para uma tendência positiva”.

Segundo a acionista maioritária da Efacec o objetivo da empresa é ser agora “empregador de referência em Portugal, formando quadros capazes de levar as suas competências a qualquer canto do mundo e acolhendo também aqui os melhores talentos internacionais”.

Segundo Isabel dos Santos, o negócio da mobilidade elétrica “assume agora uma importância especial na empresa e no país”, empregando atualmente 112 pessoas, mas devendo vir a passar por 190 colaboradores “até final deste ano e empregar até 400 pessoas em 2025”.

Descrevendo a Efacec como “uma empresa repleta de história e de tradição”, mas que “continua a estar à frente do seu tempo e a estar primeiro onde os outros não estão”, a empresária angolana apontou-a como exemplo do “espírito de descoberta [que] sempre fez parte do DNA português”.

País de inovação Para Isabel dos Santos, que tem outros investimentos em Portugal, com destaque para a Galp Energia e NOS, “Portugal é um país de inovação e é hoje líder mundial num dos segmentos mais sofisticados e que ditará uma nova forma de encarar o consumo de energia: a produção de carregadores rápidos e ultrarrápidos para veículos elétricos”.

A dona da Winterfell disse ainda que o “lançamento da nova unidade industrial de mobilidade elétrica traduz o protagonismo da Efacec “na alteração do paradigma atual” e no “desenvolvimento de soluções de mobilidade seguras e limpas”.

Os carregadores rápidos para veículos elétricos produzidos pela empresa, lembra, estão “instalados nos quatro cantos do mundo e integrados nos mais relevantes projetos mundiais de ‘electric vehicles’”.

Através da área de Mobilidade Elétrica, a Efacec produz uma gama completa de carregadores para veículos elétricos para os segmentos privado, público, rápido, ultra rápido e wireless.

A empresa participa ainda nalguns dos principais projetos de mobilidade elétrica a nível mundial, como o consórcio europeu de fabricantes de automóveis, que vai instalar 400 estações de carga de grande potência nas principais auto estradas da Europa. Um projeto idêntico nos EUA, no qual a Efacec também participa, prevê um investimento de dois mil milhões de dólares (perto de 1,6 mil milhões de euros) nos próximos dez anos em infraestruturas de carregamento de veículos elétricos.

De acordo com o Global Electric Vehicle Outlook de 2017, em 2016 houve um recorde de novos registos de carros elétricos, com mais de 750 mil vendas em todo o mundo. Nesse ano, a taxa de crescimento anual de estações de carregamento públicas (72%) foi maior mas de uma magnitude similar à taxa de crescimento de veículos elétricos (60%). Ainda assim, os carros elétricos são apenas 0,2% do número total de veículos ligeiros de passageiros em circulação.

Reduzir diferenças Mas o atual ambiente político – de aposta na redução das emissões de gases de efeito de estufa – está a apoiar nos principais mercados a adoção de veículos elétricos e a das respetivas infraestrutura de carregamento. Ao mesmo tempo, os sinais revelados pela melhoria contínua da tecnologia vão reduzir a diferença de custos competitivos entre veículos elétricos e veículos com motores de combustão interna.

As previsões feitas pelos diferentes países, os anúncios feitos pelos fabricantes e os cenários conhecidos sobre a implantação de veículos elétricos indicam boas perspetivas para que o número destes a nível mundial varie entre 9 milhões e 20 milhões até 2020 e entre 40 milhões e 70 milhões até 2025.

A Efacec, empresa pioneira na área da mobilidade elétrica e líder mundial na produção de carregadores rápidos e ultra rápidos para veículos elétricos, concebeu a nova infraestrutura a pensar numa produção em larga escala de carregadores rápidos e reforça a capacidade exportadora da Efacec para mercados exigentes e sofisticados, como os dos EUA – país com o maior número de carros elétricos em 2015 – e da Europa – a Noruega é o país com a implantação mais bem sucedida de veículos elétricos em ‘market share’( 29%). Seguem-se a Holanda (6,4%) e a Suécia (3,4%).

Produtos e soluções Para Mário Leite da Silva, presidente do Conselho de Administração da Efacec, a nova unidade industrial dedicada “é a materialização de um trajeto vencedor, iniciado pela empresa no final de 2008”, durante o qual a Efacec foi “capaz de pensar mais além, de ter ambição e de apostar no I&D para conceber produtos e soluções inovadores que, a partir de Portugal, chegam aos mais distantes mercados externos”. Segundo Mário Leite Silva, “este é um contributo significativo para a dinamização e diversificação da economia nacional, para as exportações e para a criação de postos de trabalho”.

Presente na inauguração da nova unidade industrial da Efacec, o ministro da Economia, transmitiu uma “palavra especial de agradecimento aos acionistas e, em particular, a Isabel dos Santos”, por “acreditar” na Efacec “num momento em que muitos não acreditavam ainda na economia portuguesa”.

Caldeira Cabral apontou ainda a Efacec como “um bom exemplo do que é a indústria portuguesa”, que “faz parte da solução para o problema de mobilidade mundial para o qual uma solução portuguesa está a ganhar espaço mundialmente”.

“A mobilidade eléctrica é o futuro. E é uma das rotas para a Efacec ser competitiva e vencedora nos mais desafiantes mercados internacionais”