Cultura

Nuno Markl. ‘Se o meu trabalho não fosse público, possivelmente tinha uma vida super-deprimente’

Podia ser uma história matinal da rádio. Segundo o GPS, a casa de Nuno Markl na Parede fica no Brasil. Azar para os paparazzi: não é fácil chegar. Aqui chegados, o vórtice passa a ser temporal. Vamos falar de «1986», uma descida à idade da inocência, quando o futuro homem da rádio e da televisão já era um potencial consumidor compulsivo de cultura popular mas ainda buscava um lugar no mundo, na agitação hormonal das primeiras paixões ou na definição entre seguir na maré de Tarzan Boy ou trancar-se no quarto a amparar a urbano-depressão de quem escolhe os Smiths para a vida e sofrer goleadas no jogo do amor. 

A cave onde a conversa decorre - por onde já passou meia música portuguesa, de Salvador Sobral a Tony Carreira, aos Virgem Suta, que desvirginaram as transmissões via Facebook - é um museu pessoal do brinquedo onde Nuno Markl pode imaginar diálogos com criaturas estranhas mas familiares do universo popular, de Beetlejuice a Twin Peaks, os Daft Punk e, naturalmente, as personagens da Guerra da Estrelas. Sim, 1986 é o regresso à adolescência de alguém que se recusa a abandonar o reino da fantasia.

O ‘1986’ é um plágio de 1986?

(gargalhada) Já tem acontecido haver pessoas a dizer na Internet que é a versão portuguesa dos Goldbergs. Não, isto é a minha família. Porque é que não há-de haver várias séries passadas nos anos 80? É o mesmo que dizer que o Stranger Things é igual aos Goonies. Cada um tem a sua visão da época mas é um pouco um plágio daquele ano, sim. E da minha vida. Se fosse feito por outras pessoas, acusava-as de plágio. Por terem chafurdado na minha vida. Como fui eu, foi uma libertação. Foi terapêutico analisar a relação com a minha vida e o meu pai.

A relação com o mundo como a conhecemos começa ali?

Sim, aqueles anos são decisivos. A fase de transição entre os 15 e os 17. Entre ser jovem e um adulto. É aquele momento em que ainda não se percebe bem o que são os quartos porque os brinquedos convivem com bandas. Não se percebe bem que idade é aquela. É uma fase tramada porque há miúdas giras na escola, a puberdade... É o palco ideal para fazer uma série. Isso e as [eleições] presidenciais. Aquele duelo Soares-Freitas foi um derby de sonho.

É aí que entra o teu pai, um comunista fervoroso. 

Sim, teria sido muito redondinho e certinho fazer uma história sobre uma família de soaristas e uma família de freitistas mas aqui é muito retorcido porque temos freitistas de um lado e um comunista que vai ter de votar [Mário] Soares - foi o que aconteceu com o meu pai. Isso é comédia pura porque o sapo que tem de se engolir... O que o Álvaro Cunhal disse na altura é maravilhoso: «tapem a cara e votem». Na altura, foi zero cómico. O meu pai estava de facto a sofrer com a ideia de votar Soares. Muito anos depois conheci o Mário Soares e pude dizer-lhe: «o meu pai engoliu o sapo de ter de votar em si». Estava a almoçar com o Nuno Artur Silva e de repente há uma mão idosa que bate no vidro. Pude ouvir histórias maravilhosas, como por exemplo o tremendo respeito que tinha pelo Freitas do Amaral. Um cavalheirismo que hoje já não há entre rivais. É tudo uma peixeirada e aqueles dois tinham uma elegância na relação. Contou-me histórias deliciosas de reuniões de Conselho de Ministros com o Mota Pinto em que ambos tinham o hábito de se descalçar debaixo da mesa para estar mais à vontade e, várias vezes, trocavam os sapatos. 

Eras o geek indeciso entre os Smiths e o ‘Tarzan Boy’ retratado na série? 

Sim, bastante. Lembro-me que há um antes e um depois quando sai o Naked dos Talking Heads. Depois de ver o teledisco do [primeiro single] ‘Blind’ lembro-me de pensar: «porra, isto é muito bom. O que é que eu estou a fazer a ouvir o ‘Tarzan Boy’?». Devo ao David Byrne essa abertura de horizontes, embora já tivesse alguns porque os meus pais ouviam Leonard Cohen, além de toda a música do PREC e dos cantores revolucionários. Um ano ou dois antes de descobrir música realmente boa, toda a gente ouvia o ‘Tarzan Boy’. A minha busca incessante por integração levava-me a pensar: «se calhar isto é bom!». A maneira como tentava vender aquilo a mim próprio era: «este gajo transformou o grito do Johnny Weissmuller num refrão». Tinha de haver algum mérito nos Baltimora! Lembro-me de estar de férias em Lagos e ver o single na montra. Não tinha dinheiro e tentei convencer a minha mãe a comprar. Ela arranjou uma explicação maravilhosa. «Estamos em Lagos, está muito calor e quando chegarmos a Lisboa já o vinil derreteu» (gargalhada). E acreditei. 

É um regresso à idade da inocência?

Claro, o espírito é esse. E isso tem a ver com as influências de filmes como o do John Hugues. Ele é o santo padroeiro de 1986 [ano de O Rei dos Gazeteiros]. Revimos o Pretty In Pink, o Sixteen Candles, o Breakfast Club e depois há muitas citações diretas a esses filmes. Há um episódio - o mais arriscado, ideia da minha irmã Ana [jornalista, radialista e co-argumentista em 1986] - em que acontece quase o mesmo que aos putos do Breakfast Club. Ficam de castigo na sala e toca o ‘Don’t You Forget About Me’ dos Simple Minds. É um regresso a esse tempo que conseguia ser mais puro, sem ter medo de abraçar alguma sujidade. Tenho saudades da inocência old school que conseguia ser pura e porca.

O que é que pensavas ser? 

Um pouco mais tarde, descobri as rádios piratas. Adorava ouvir mas nunca tinha considerado a hipótese de fazer disso profissão embora, com a minha irmã já fizéssemos emissões de rádio gravadas em casa. Assim que entrei na Rádio Voz de Benfica e, a sério, na Rádio Boa Onda, era aquilo que queria fazer. Adorava contar histórias ao microfone. Fazia um programa diário e tinha piadas todos os dias. Ainda bem que não me lembro de nenhuma porque devia ser péssimo. Mas foi aí que ganhei o gosto e percebi o que queria fazer. Ou rádio ou cartoons, que acabei por não desenvolver. Fiquei viciado na rádio. 

Havia um Muro de Berlim entre a timidez e o desejo de comunicar?

Sim! Por isso é que adorei a rádio. Ao contrário da televisão, que me parecia assustadora - adorava o Herman e os Monty Python mas era impensável uma carreira na televisão -, na rádio estava sozinho com os meus colegas de escola. Sabia que estava a chegar a pessoas - aí umas seis - sem ter de as encarar. Estava seguro. Tinha um público mas não tinha de saber que eles existiam. A rádio foi o meio ideal para resolver esse conflito entre o rapaz privado e o público. Hoje a rádio tem câmaras. Há canais de YouTube com tudo o que fazemos. Já não se pode tirar macacos do nariz. Acho graça a termos um canal de YouTube na Rádio Comercial mas às vezes sinto falta do tempo em que a rádio era um mistério. Em que as pessoas ficavam satisfeitas com o som. Agora se não publicamos um vídeo no YouTube, as pessoas protestam. 

O tempo em que as pessoas acreditavam que quem ouvia vozes via caras?

Sim! Aconteceu comigo no começo do programa da manhã com o [José Carlos] Malato e a [Ana] Lamy. Estava doente em casa e descobri uma plataforma de webcams. Experimentei fazer O Homem Que Mordeu o Cão de casa e as pessoas viram a minha cara. Doente e em roupão. Foi aí que tive o primeiro choque com a realidade, quando uma senhora entrou na janelinha do chat e disse: «ah, que desilusão. Já é a segunda que apanho depois do António Macedo» (ri). 

É aqui no teu covil que te refugias?

Adoro estar em casa. Busco incessantemente por um trabalho que me faça estar sossegado em casa e a receber. Infelizmente, ainda não existe. Uma das razões por que me deu tanto gozo fazer o 1986 foi o intimismo. Não só porque não foi uma encomenda - até O Homem Que Mordeu o Cão foi uma encomenda do Luís Montez. Desta vez, pude estar completamente à vontade. Até o facto de ter escrito a série com a minha irmã foi uma experiência muito intimista e compensadora. Um regresso ao passado em que trabalhava aqui ou em casa dela. Depois, fomos para Benfica fazer a série na minha escola [Secundária José Gomes Ferreira] e no [Teatro] Turim. Senti-me no controlo da situação. 

Por ser uma série autobiográfica, pode ser uma obra-síntese de vida?

Não sei, tenho mais histórias para contar. Ponho sempre situações da minha vida no que faço. No filme Refrigerantes e Canções do Amor, que gerou algumas tensões com o [realizador] Luís Galvão Teles, a essência é autobiográfica. É sobre o fim do meu primeiro casamento e o começo de relação com a Ana Galvão. Entretanto, escrevi outro sobre o fim da segunda relação (ri-se). O Filipe Melo está sempre a dizer-me: «continua a divorciar-te porque escreves coisas interessantíssimas». 

É uma catarse?

É, acho que a escrita é sempre uma catarse e serve de contraste ao que faço na rádio em que conto histórias de outros e analiso as bizarrias de terceiros. No resto, uso a minha experiência. Até os sketches dos Contemporâneos, muitos são histórias reais. Revi um há pouco tempo, o do «amigo gay», em que se gera uma discussão muito incómoda entre o Dinarte [Branco], que faz de homossexual, e diz ao Nuno Lopes, que está com a namorada, que não faz o género dele. «O quê, vais dizer que não me comias!?». Isto aconteceu mesmo com amigos meus. Todo aquele diálogo foi real e eu estava deliciado com aquilo a tomar notas. Foi um sketch a acontecer. Pedi autorização e até foi feito com o Francisco Palma, que era o tipo a gritar na vida real. Sou uma esponja a sacar coisas ao dia-a-dia ou à minha vida.

Procuras o bright side of life?

Também, mas não devemos fugir às trevas. Aos fins de semana, apresento o [ciclo] Cinepop do [realizador e argumentista] Tiago Carvalho. Estava a ver o Big com o Tom Hanks [1988] e a pensar: «que bom é ir a sítios tão negros», porque hoje em dia há algum entretenimento familiar e popular que foge ao negrume. É um filme sórdido e sujo com o Tom Hanks a fazer o papel de um rapaz de 12 anos preso no corpo de um homem de 30 a chorar pela mãe à noite enquanto se ouvem tiros e gritos. E é uma história familiar e inocente na sua essência. Dito isto, o 1986 até é uma série bastante luminosa apesar de passar por muita teen angst [angústia adolescente].

Não há pudor em assumir as referências.

Claro. No nosso caso, nunca poderia haver plágio porque as personagens assumem e verbalizam esses filmes. Há um episódio mais para a frente, que é o mais arriscado - uma ideia da minha irmã - chamado Juntos em Sonhos Elétricos. São sempre tributos a olhar para a cultura popular que nos formou e a misturá-la com as nossas vidas. 

É recorrente no teu trabalho. 

Ah sim, acontece-me. O Alta Fidelidade, livro e filme, capta muito bem essa coisa muito geek de procurar respostas na cultura popular. O Nick Hornby acertou em cheio. Quando me acontece alguma coisa, acho que todas as canções são sobre mim. Quando estamos apaixonados, se calhar não prestamos tanto atenção ao que está à volta, mas de repente parece que todos os filmes têm algo para dizer.

O clube de vídeo é central na série. 

Sim. Tanto que, na origem, quando ainda não havia série, era mesmo centrado no videoclube. Sobre a mística desses tempos, o romantismo das VHS. Também porque tive uma paixoneta por uma miúda que trabalhava no videoclube do bairro. Mais uma não correspondida e desenvolvida. Escolhia com muito critério os filmes, na esperança que ela pudesse aderir à ideia do Predador. Pornografia estava fora de questão. Talvez o Dirty Dancing tivesse êxito...

Há algum momento em que o rapaz ‘geek’, tímido e não correspondido passa a ser o desejado?

Não sei, continuo a ver-me como o rapaz da série. Talvez [esse interesse] tenha a ver com a figura pública porque há um acesso mais facilitado ao que pensamos e dizemos. Cria-se um mito à volta. Se o meu trabalho não fosse público, possivelmente tinha uma vida super-deprimente. Não quer dizer que seja espetacular.

Ainda és tímido?

Sim, continuo a ser muito inadaptado. Há uns dias estava a falar com a Ana [Galvão], a minha ex - nós damo-nos muito bem e somos muito amigos - e estava a dizer-lhe que quando íamos juntos para qualquer festa ela é que abria o mar. Sou muito acanhado. As pessoas devem pensar: «aquele gajo diz piadas na rádio e agora está ali tão acanhado». Sim, não sou muito de socializar. Ia sempre atrás da Ana. Metia-me na conversa quando ela já tinha aberto as portas da sociabilização.

A relação com Ana Galvão esteve muito exposta publicamente. Porquê?

Sim. Percebi uma coisa algo sinistra: quando se faz uma busca no Google pelo nosso nome, é uma coisa terrível. Vês logo as sugestões pelas buscas das pessoas e uma das entradas na lista é: «Nuno Markl nova namorada». Lembro-me que quando me separei da Anabela, que não era uma figura pública, começou a haver uma curiosidade dos media. Numa festa de aniversário das Produções Fictícias no Lux, saí pela primeira vez com a Ana mas sem dar nas vistas. Sem dar as mãos, nem nada. De repente, há uma jornalista do extinto ‘24 Horas’ que vem ter comigo e pergunta: «então e o seu namoro com a Ana Galvão?». E o que me saiu foi: «já se sabe!?». E ela: «agora já sei!» (gargalhada). No dia seguinte, vínhamos numa página com letras cor-de-rosa gigantes a dizer «apaixonados». Toda a gente ficou a saber dessa maneira. Conseguimos incorporar isso nas nossas rotinas. Apesar de tudo, acho que nunca fomos muito chateados. No fim, decidimos fazer aquele comunicado conjunto porque sabíamos que, se não o fizéssemos, aí assim iam tentar chafurdar para saber o que se passou. A declaração foi publicada, fizeram-se imensas notícias e continuamos a dar-nos.

Aqueles para quem a história foi cruel são os que mais te interessam?

Acho que sim. Os protagonista d’O Homem Que Mordeu Cão são pessoas que cometeram tremendos disparates. Um dos meus critérios de escolha é o «podia acontecer-me» mas em todas elas tento encontrar uma empatia qualquer, por mais bizarra que seja. Isso é capaz de vir dos tempos em que era alvo de bullying. A última coisa que queria era que fosse uma rubrica de bullying. 

Já alguém ficou muito zangado contigo?

Deixa-me pensar, acho que não. Houve uma altura na Antena 3 em que em todas as canções que abordava, recebia uma chamada a seguir a dizer «parece impossível, esse senhor morreu a semana passada». Agora, revolta direta de protagonistas d’O Homem Que Mordeu o Cão acho que não. Lembro-me de uma história sobre ninjas em que aconteceu a coisa mais insólita. No meu Facebook, recebi uma mensagem ultra-revoltada de um senhor que era Presidente da Associação Ninja de Faro. E foi tipo: mas existe uma Associação Ninja de Faro!? É que para mim os ninjas saltam de sítios mascarados com espadas. Não sabia que era uma arte marcial. Tive que explicar na rádio, e simpaticamente o senhor perdoou o meu desconhecimento da arte ninja. É muito fácil ofender alguém com a história mais inofensiva. Nunca se está livre.

O ser-se ouvido de norte a sul obriga a um pudor acrescido?

Não, a prioridade é a história ter graça e fazer rir as pessoas. Após tantos anos, já tenho alguma noção do que pode funcionar e não tenho pudor de ferir suscetibilidades mas nunca sabemos quando pode acontecer. Aconteceu o «Trás-Os-Montes gate» quando o José Cid foi ao Canal Q e começou a dizer aquelas coisas à José Cid. Ele é um provocador e disse coisas super-desagradáveis do pessoal de Trás-Os-Montes - que devia ser construída uma muralha para ninguém sair ou entrar. Obviamente, não levei a sério porque era tão delirante o que estava dizer que a minha reação foi soltar uma gargalhada. E o que eu paguei por essa gargalhada! As pessoas ficaram revoltadas com ele, por ter dito aquilo, e comigo por me ter rido. Só que eu achei aquilo tão «ao lado» que nem me passou pela cabeça dizer: «parece impossível, José Cid. Uma muralha?!». Durante umas boas 48 horas fui enxovalhado e ameaçado. Também aprendi a relativizar a Internet porque tinha de ir a Chaves pouco tempo depois. Pensei que ia ser espancado mas fui muito bem recebido. As pessoas foram impecáveis. Estamos tão escravos das redes sociais, e achamos que aquilo é que é a vida, que tomamos a parte pelo todo. E aquilo é só um grupo de pessoas. Não é assim tão importante. Até há uns tempos, se lia algo injusto ou ofensivo sobre o meu trabalho, pegava-me com as pessoas. Estou a tentar controlar-me e acho que estou a melhorar.

Há um novo politicamente correto instalado?

É uma discussão tremenda e longuíssima que até já gerou zaragatas entre mim e pessoas com quem me dou. Está-se a perder a perspetiva do que é a comédia ao demonizá-la. A comédia é demoníaca na sua essência. O Mel Brooks tem toda a razão quando diz que é papel da comédia virar um espelho para a humanidade e mostrar que somos horríveis. A humanidade é intrinsecamente horrível. Temos de estar atentos ao facto de alguém poder ficar ofendido mas confundi-la com os males do mundo e crimes reais como xenofobia e homofobia, faz-me confusão. É claro que haverá piadas homofóbicas, e aí depende de cada pessoa, mas às tantas estamos a avançar para uma sanitização em que se perde o contexto da piada. Agora nos Óscares, nasceu um debate meio parvo sobre o Três Cartazes à Beira da Estrada. Na ‘McSweeneys’, uma publicação onde já li coisas muito interessantes, li um texto a arrasar o filme por se estar a premiar um agressor racista que tem uma redenção no fim. Quando o que passa no filme é capaz de ser o que passa na vida. A vida é cinzenta, não é branco, nem preto. Não há heróis de um lado e vilões do outro. Por isso é que não gostei do A Forma da Água do Guillermo Del Toro. Apresenta uma visão da vida em que é toda a gente muito boazinha e toda a gente muito má. E, de repente, há um filme [Três Cartazes à Beira da Estrada] em que é toda a gente meia doida. Os bons fazem coisas más e os maus coisas boas. Como a vida é. Somos horríveis e isso é ótimo para ficção.

Fazes rádio e televisão. Diretos para as redes sociais, escreves para séries e filmes. E agora?

Adoraria que fosse aprovada uma segunda temporada. Temos ideias para aquelas personagens. Seria ainda em 1986 porque a primeira temporada passa-se em janeiro e fevereiro. É uma série de inverno. O nosso sonho é falar-se sobre o verão. Sobre o México’86 [Campeonato do Mundo de Futebol] e sobre o rescaldo das eleições. Foi o ano em que apareceu o [gelado] Calipo. Gostávamos de fazer o nosso Verão Azul. Adoro rádio mas estou super-cansado de acordar às 6 da manhã. Falo muito sobre isso com o Pedro Ribeiro [diretor da Rádio Comercial]. Há-de haver uma altura em que é necessário dar o lugar a uma nova geração. O gozo que me deu trabalhar no 1986 fez-me pensar que há aqui uma nova via. Adoraria aparecer menos.