Desporto

Aqui o gigante é Portugal

A Holanda é, tradicionalmente, uma das seleções de futebol mais fortes do mundo. Historicamente, porém, tem-se revelado um adversário muito apetecível para a Seleção nacional.

Encerrado o capítulo Egito, a Seleção nacional vira agora agulhas para o particular de segunda-feira frente à Holanda. No encontro com os faraós, Fernando Santos já fez alguns dos testes e experiências que tinha planeados para esta data FIFA – agora virão os restantes, perante uma seleção com tradição imensa no futebol mundial, mas que está longe de viver os melhores dias: depois de terminar em terceiro no Campeonato do Mundo no Brasil, em 2014, falhou os apuramentos para o Euro 2016 e agora para o Mundial deste ano, na Rússia.

Neste caso, porém, não é só o presente que é pouco risonho para os holandeses. É que, historicamente, a seleção da Laranja tem sempre demonstrado grandes dificuldades nos embates com Portugal. No total, em 12 jogos efetuados entre as duas equipas, a Seleção nacional venceu sete, contra apenas... um triunfo dos holandeses (mais quatro empates).
A única vitória da Holanda dista já de 1991, no apuramento para o Euro 92: 1-0 em Roterdão, golo de Witschge, precisamente um ano depois de Portugal ter vencido pelo mesmo resultado nas Antas, então com tento de Rui Águas. A partir daí, a equipa lusa nunca mais tropeçou perante os holandeses, e são já vários os marcos nos confrontos entre as duas equipas. Do triunfo por 2-0 novamente em Roterdão, em 2000, que lançou Portugal para o Mundial 2002 – a Holanda ficaria de fora – ao 2-1 no Euro 2012, com bis de Cristiano Ronaldo, que ditou o apuramento luso para os quartos-de-final e a eliminação holandesa. Pelo meio, outra vitória por 2-1, nas meias-finais do Euro 2004, com um cabeceamento certeiro de Cristiano Ronaldo e aquele míssil de Maniche num canto curto, e o 1-0 nos oitavos-de-final do Mundial 2006, num jogo que ficou para a história com o epíteto ‘Batalha de Nuremberga’, pelo festival de cartões distribuído pelo árbitro russo Valentin Ivanov (14 amarelos e quatro vermelhos).

O último teste

O encontro desta tarde será certamente a derradeira oportunidade de vários dos jogadores chamados por Fernando Santos demonstrarem que merecem, de facto, um lugar nos 23 que o selecionador vai levar à Rússia. Nomes como Rolando, Neto, Mário Rui, Manuel Fernandes ou mesmo João Cancelo terão de dar tudo para conseguir furar e figurar num lote restrito – onde oito campeões europeus, por exemplo, já não têm lugar (Eduardo, Vieirinha, Ricardo Carvalho, Eliseu, Renato Sanches, Rafa, Nani e Eder). Rúben Neves, outra das novidades nesta convocatória, está muito bem cotado para Fernando Santos mas, como o próprio selecionador assumiu, só deverá sonhar com a presença no Mundial caso William Carvalho ou Danilo não estejam em condições físicas na altura da convocatória final.

Os médios do Sporting e do FC Porto foram duas das grandes ausências desta convocatória, numa lista onde se incluem ainda Pepe, Fábio Coentrão e Nélson Semedo e Rúben Dias – os dois últimos terão perdido aqui uma grande oportunidade (talvez a última) para convencer o selecionador nacional. Há ainda questões relacionadas com a falta de ritmo de elementos-chave para Fernando Santos, como Raphael Guerreiro ou Adrien Silva, ou também o fator psicológico de André Gomes, a que o selecionador prometeu estar atento – o médio do Barcelona, recorde-se, admitiu há poucas semanas estar a atravessar um momento complicado, assumindo não se sentir bem a jogar futebol.

Depois deste particular com a Holanda, em Genebra, Portugal fará mais três jogos de cariz amigável antes da partida para a Rússia – todos, porém, já depois de Fernando Santos anunciar a convocatória final para o Mundial. A 28 de maio, a Seleção nacional defrontará a Tunísia, em Braga; a 2 de junho, jogará na Bélgica; cinco dias depois, mede forças com a Argélia, em solo luso, partindo para a Rússia no dia 9. A estreia no Mundial acontecerá a 15 de junho, frente a Espanha, cinco dias antes do encontro com Marrocos. No dia 25, encerra a fase de grupos frente ao Irão, orientado por Carlos Queiroz.