Politica

Catalunha. Manifesto apela à "libertação imediata" de Puigdemont

Manifesto surge dois dias depois de o parlamento ter chumbado votos de condenação do Bloco e PCP. Socialistas estão divididos

Um manifesto a apelar “à libertação imediata de Carles Puigdemont e de todos os presos políticos catalães” foi lançado, neste fim de semana, por Manuel Loff, Fernando Rosas e André Freire. O documento é subscrito por cerca de 80 personalidades, que vão desde o Bloco de Esquerda ao PSD. 

“Podem repetir à saciedade os governantes espanhóis o mantra de que a Espanha é uma democracia consolidada, mas os seus atos na questão da Catalunha apontam em sentido oposto. Podem muitos governantes europeus virar a cara e fingir não perceber que, independentemente do que pensarem do direito à autodeterminação do povo catalão, é a democracia e os direitos humanos que estão em causa, na Catalunha e no conjunto da Espanha”, diz o manifesto que conta com apoios em vários quadrantes políticos.

Salta à vista um considerável número de subscritores ligados ao Bloco de Esquerda. Francisco Louçã, Marisa Matias, Mariana Mortágua, Luís Fazenda, José Soeiro e José Manuel Pureza, entre outros. O documento que faz um apelo a que se “acabem de uma vez por todas práticas políticas e judiciais incompatíveis com o respeito dos direitos cívicos e políticos dos cidadãos catalães e (...) se dê lugar à negociação política de um problema político” conta também com o apoio de vários socialistas. Tiago Barbosa Ribeiro, Ascenso Simões, Isabel Moreira, Paulo Trigo Pereira são alguns dos deputados que apelam à libertação de Puigdemont. Pacheco Pereira e o deputado Ulisses Pereira são dois militantes do PSD que se juntam ao apelo. 

O manifesto surge dois dias depois de o parlamento ter chumbado os votos de condenação do Bloco de Esquerda e do PCP. O voto apresentado pelo BE, que condenava “as manifestações de violência do Estado espanhol” e manifestava “a sua solidariedade com os exilados e presos políticos”, foi chumbado com os votos contra do PS, PSD e CDS. Houve, porém, 11 deputados socialistas que votaram ao lado da esquerda e 12 que se abstiveram. O voto do PCP foi, a pedido dos socialistas, dividido em duas partes. A referência a “uma deriva autoritária do governo e autoridades espanholas” foi reprovada com os votos do PS e da direita. 21 deputados socialistas votaram a favor e oito abstiveram-se. Foi aprovada a parte do texto que apela a uma “solução política para a questão nacional em Espanha”.

“UMA VERGONHA”

Foram vários os deputados socialistas a expressarem publicamente o seu descontentamento com a atuação do governo espanhol. João Soares defendeu que “a forma como Madrid, Rajoy e o PP têm tratado a questão da Catalunha é altamente lamentável”. O deputado Tiago Barbosa Ribeiro considerou que “é  completamente intolerável que qualquer ativista político seja tratado como um terrorista e sujeito a penas que nem sequer vemos nas ditaduras mais ferozes”. Também a deputada socialista Isabel Moreira escreveu, nas redes sociais, que “o que se passa em Espanha é uma vergonha”. A posição do governo vai no sentido de não se intrometer numa questão interna do Estado espanhol.