Sociedade

Estivadores do Porto de Lisboa começam greve de duas semanas

Estivadores do Porto de Setúbal marcaram greve total para 5 de junho por causa da precariedade

Estivadores do Porto de Lisboa começam greve de duas semanas

Os estivadores do Porto de Lisboa começam hoje uma greve de duas semanas às horas suplementares. Em causa está o que o SEAL - Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística considera ser uma má distribuição das horas suplementares e práticas antissindicais pelo patronato. António Mariano, presidente do SEAL, avançou ao i que os estivadores do Porto de Setúbal farão greve total no próximo dia 5 de junho por causa da precariedade, onde existe um trabalhador com “contrato permanente para dez trabalhadores precários”.

“Há trabalhadores com uma grande carga de trabalho suplementar que estão a atingir os limites legais e outros com muito pouco trabalho, e não é isso que está escrito no contrato coletivo de trabalho”, disse o responsável ao i, referindo que em “meados de agosto alguns trabalhadores já não poderão fazer mais trabalho suplementar por terem ultrapassado o limite legal.” 

Questionado sobre se a situação poderá escalar ao nível da greve de dois meses em 2016, o dirigente sindical optou por desvalorizar, afirmando que “não se emitiu um pré-aviso que permita [aos patrões] transformar uma greve ao trabalho suplementar numa greve total”. E os efeitos da paralisação? “Poderá ter algum efeito na ligação às Ilhas, porque é trabalho praticamente todos os dias e não trabalharemos no fim de semana, e principalmente nas linhas de contentores que têm muitas escalas no Porto de Lisboa ao fim de semana”, respondeu prontamente. “Cada estivador vai fazer o seu turno de trabalho nos dias úteis e, de resto, não vamos trabalhar.” 

Segundo António Mariano, o SEAL esteve nos últimos meses em negociações em sede de comissão paritária, prevista no contrato coletivo, com a entidade patronal para se acordar um mecanismo para controlar e monitorizar a distribuição das horas extraordinárias, mas as negociações chegaram a um “impasse absoluto”. 

Práticas antisindicais

António Mariano também denunciou as pressões de que os estivadores têm sido alvo para não se sindicalizarem. “Têm vindo a criar sucessivamente obstáculos à realização de plenários” que, diz, “conduziram à marcação de faltas injustificadas aos trabalhadores que não compareceram nas empresas à hora desses plenários.” A esta prática juntou-se uma comunicação interna “a dizer que quem fosse aos plenários já não iria trabalhar nesse dia” - pressões que, continua o dirigente, têm levado a uma “reação extremamente negativa” por parte dos estivadores. No entanto, a realidade vivida no Porto de Lisboa parece não ser caso isolado: “Há práticas antissindicais contra os nossos associados um pouco por todo o país.”

Neste panorama, diz Mariano, o Porto de Setúbal é um caso paradigmático, com situações de precariedade que se “arrastam há mais de duas décadas”. É por isso que os estivadores desse porto entrarão em greve total no próximo dia 5 de junho. 

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