Politica

António Costa recusa demissão do ministro da Saúde

O primeiro-ministro chegou mesmo a dizer que duvida da existência de todos os problemas que a comunicação social revela da área da Saúde

António Costa colocou completamente de lado a hipótese de demissão do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes. Para quem pensa que o ministro se vai demitir, “pode tirar o cavalinho da chuva” disse o primeiro-ministro.

A falta de recursos na saúde que tem motivado várias demissões dos altos cargos dos hospitais é, para Costa, uma dúvida. O primeiro-ministro afirmou que tem dúvidas de que os problemas na Saúde que são reportados pela comunicação social existam. E recorda o caso do ministro Correia de Campos: “Foi preciso o ministro Correia de Campos se demitir para acabar aquela curiosa epidemia dos partos nas auto-estradas que nunca mais ocorreram desde que o ministro de demitiu”.

“Já todos nós temos idade suficiente e experiência acumulada para sabermos que o setor da Saúde é um setor no qual com muita facilidade se generaliza e se torna como paradigma situações pontuais”, afirmou ainda o primeiro-ministro que acredita que a demissão de Adalberto Fernandes não faz com que “os problemas se resolvam como por artes mágicas”.

Costa foi também questionado sobre a polémica à volta da recondução da Procuradora-Geral da República (PGR), Joana Marques Vidal, que no início deste ano colocou a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem, de um lado ao dizer que na sua “perspetiva de análise jurídica” o mandato é “único”, e Costa de outro ao dizer que as declarações de Van Dunem eram a opinião pessoal da ministra. “Se o Presidente da República desejar falar antes sobre esse assunto falaremos antes, mas é um assunto que é tratado com o PR e no momento em que o governo e o PR entendem que deve ser tratado”, respondeu o primeiro-ministro, mantendo a postura de que é “prematuro” falar sobre o assunto, como tinha dito na altura.

 

“O risco de incêndio é hoje maior do que há décadas”

Depois do incêndio que assolou Monchique durante oito dias, António Costa deixou um alerta sobre as situações de fogo, este sábado, na entrevista ao Expresso: “Dizer que as pessoas podem estar descansadas é uma irresponsabilidade, dizer que têm de estar inquietas é uma desnecessidade”.

Para o primeiro-ministro, e tendo como base “as alterações climáticas, o risco de incêndio é hoje maior do que há décadas atrás” e, por isso, “é preciso que as pessoas estejam conscientes [do estado] da floresta”.

António Costa falou ainda da chuva de críticas que foi alvo por ter dito que o incêndio de Monchique, que causou 41 feridos e destruiu mais de 20 mil hectares, era “a exceção que confirmou a regra de sucesso”. “Não queria que as minhas palavras fossem mal interpretadas”, afirmou.

 

Geringonça e caso Robles

Quando questionado sobre o polémico caso que envolveu o vereador do Bloco de Esquerda, Ricardo Robles, Costas admitiu ter ficado “surpreendido”. “Nunca imaginei que quem emprega com tal virulência a moral política cometesse pecadilhos”, afirmou sobre o caso do prédio de Alfama.

E para as próximas eleições, António Costa aproveitou para pedir um “PS forte”. Quando questionado se a solução governativa é para continuar, Costa respondeu que “esta solução só é possível com um PS forte e quanto mais forte for o PS melhor funcionará esta solução”. No entanto, e apesar de reforçar que um “bloco central não”, Costa não coloca de completamente de parte possíveis acordos com o PSD que, segundo o primeiro-ministro “não tem lepra”.