Sociedade

O estranho caso do heli avariado

Meio aéreo saiu de Monchique rebocado de camião, mas a ANPC negou a avaria. Nem 24 horas depois, a versão mudou.

Ao final da tarde de quarta-feira, quando a normalidade regressava ao centro de Monchique, a vila presenciou um momento insólito: um helicóptero de combate a incêndios foi retirado do posto de comando - montado desde o começo do fogo junto à escola - em cima de um reboque. O i presenciou a ‘evacuação’ do meio aéreo e questionou imediatamente a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) sobre se teria havido alguma avaria, mas o gabinete de imprensa negou taxativamente, ao telefone, que algum helicóptero estivesse com alguma anomalia. E também negou que algum deles tivesse saído de Monchique por via terrestre.

Entretanto, na noite de quarta para quinta-feira, o i e o SOL recolheram testemunhos em que bombeiros e fontes da autarquia de Monchique confirmam ter visto o helicóptero estacionado no posto de comando a ser intervencionado por técnicos. As mesmas fontes contaram ainda que o meio aéreo teve um problema numa das pás e que, por isso, teve de sair de Monchique de reboque. Na manhã de quinta-feira, confrontada pelo i com estas novas informações, a ANPC deixou de negar o episódio e admitiu que, afinal, que o helicóptero tinha avariado. 

«No dia 7 de Agosto, o HEBL46-H46, sediado no centro de meios aéreos de Ourique, ficou inoperativo às 16h35, devido a uma avaria na pá, tendo aterrado no centro de meios aéreos de Monchique», explicou, por escrito, o gabinete de imprensa. O helicóptero foi substituído horas depois. Quanto ao avariado, «acabou por ser transportado no dia 8 de agosto [quarta-feira] por via terrestre para o aeródromo de Cascais, em Tires, para reparação, uma vez que o problema da pá comprometia a segurança de um regresso em voo».  

Quanto ao facto de, inicialmente, ter negado a avaria, a ANPC  avançou uma explicação: o i tinha perguntado se algum meio aéreo da Proteção Civil teria avariado, mas a aeronave com problemas «pertence à Heliportugal», uma das empresas que aluga helis à ANPC, já que o Estado só tem uma dezena de meios aéreos próprios. Além disso, diz a ANPC, quando o meio aéreo foi rebocado já não integrava o dispositivo de combate desde a véspera, porque avariou. «O helicóptero transportado por via terrestre já não fazia parte do dispositivo aéreo da ANPC», lê-se na explicação.