À Esquerda e à Direita

Costa, Bruno de Carvalho e as fraquezas humanas

Confesso que estava tentado a escrever sobre a entrevista de António Costa ao Expresso, onde se fartou de enviar recados, nomeadamente a Marcelo Rebelo de Sousa, embora neste caso até tenha sido mais uma bicada, ao afirmar que todos temos fraquezas e que o Presidente tem as suas quando o assunto é o PSD; aos professores; a Pedro Nuno Santos, de forma muito velada, é certo; à procuradora geral da República, a quem atribuiu as culpas todas de não se ter chegado ainda a nenhuma conclusão do assalto aos paióis de Tancos, tendo por isso guia de marcha no final do mandato em outubro; ao BE e ao PCP, dizendo que há limites para as reivindicações e que Rui Rio pode ajudar numa futura solução governativa; não se esquecendo de elogiar Vítor Constâncio (!) e Adalberto Campos Fernandes (!), dando a entender que não haverá nenhuma remodelação governamental, além das trocas de boys, que já estão a ser colocados em lugares apetecíveis... Amor com amor se paga. Não foi muito efusivo em relação a Centeno, mas também se percebe.

Mas a verdade é que esta entrevista tem de ficar para segundo plano atendendo à melhor novela de sempre, que teve hoje mais episódios em direto. Falo, obviamente, da novela do Sporting. E, para começar, temos de reconhecer que Bruno de Carvalho é um génio, louco, é certo, mas a sua imaginação não tem limites. No episódio de hoje conseguiu enganar toda a comunicação social, por algumas horas, dizendo que tinha na sua posse um documento do tribunal que anulava a assembleia geral que o destituiu. Entrou nas instalações de Alvalade e quando saiu fez uma declaração delirante tendo a colaboração de um advogado, também ele um grande ator de filmes de série B. Este chegou ao cúmulo de dizer que tinha uma providência cautelar que dava a Bruno de Carvalho a hipótese de voltar a sentar-se na cadeira de presidente do clube e da SAD.

O problema surgiu quando uma repórter lhe pediu para mostrar tal documento, tendo o causídico respondido que «não valia a pena». Tudo seria facilmente desmascarado se as comissões de Gestão e de Fiscalização não tivessem demorado horas a contar realmente o que se tinha passado. Será que estiveram reunidos com aventais e que, por isso, precisaram de algum input de outros irmãos? Nunca se saberá, mas os representantes das tais comissões explicaram que Bruno de Carvalho apenas se apresentou com «uma mão cheia de coisa nenhuma» e que, por isso, tiveram de chamar a polícia para o colocar na rua. Também é reprovável o papel da Justiça, pois alguém podia e devia ter feito um comunicado a explicar que Bruno de Carvalho não tinha nenhum documento do tribunal que lhe permitisse regressar ao cargo de presidente, mas sim que tinha ele próprio entregue mais uma providência cautelar.

Para terminar o episódio da novela em grande, Sousa Cintra, depois das duas conferências de imprensa, já que Peseiro falou imediatamente depois da Comissão de Gestão, não desperdiçou o facto de ter um microfone à frente e explicou que o Sporting amanhã vai entrar em campo com uma grande equipa, mas os reforços que ainda não chegaram é que vão fazer do Sporting um grande clube. Sousa Cintra, uma das figuras mais patuscas da nossa sociedade, bem podia ter chamado o cristão novo Henrique Monteiro, chefe da Fiscalização, para mais um momento épico. Só faltou isso num dia hilariante.

P. S. Mesmo a acabar a crónica oiço que Sousa Cintra vai à CMTV... Genial! P. S. 2. Já depois de ter terminado a crónica Bruno de Carvalho ainda deu outra conferência de imprensa a negar tudo o que tinha dito a Comissão de Gestão. Melhor é impossível.

vitor.rainho@sol.pt