Opiniao

A agenda moral

O PSD tem-se afastado progressivamente das suas bases, embarcando nas patranhas do pensamento dominante e esquecendo a primazia da pessoa humana, que sempre esteve na mente dos seus principais fundadores, em detrimento do individualismo materialista, que vai tomando conta da sociedade actual.

Santana Lopes achou por bem bater com a porta e sair do partido que em tempos chegou a liderar.

Mas não se ficou por aqui, avançando para a criação de uma nova força partidária, feita à sua imagem e semelhança e, naturalmente, por si dirigida.

O sebastianismo é um fenómeno curioso que tem dado origem a que, ocasionalmente, surja um novo messias disposto a resgatar Portugal do desastre iniciado em Alcácer Quibir.

Santana teve a sua oportunidade que, aliás, lhe caiu do céu, e não a soube aproveitar.

Mas agora, ao romper com o partido no qual fez carreira durante quatro décadas, teve pelo menos o mérito de chamar à atenção de um desvario dos auto-intitulados sociais-democratas, o qual se tem intensificado particularmente nos últimos tempos: a sua submissão às causas que a esquerda radical insiste em impôr.

Por isso veio a público justificar-se por se afastar dos seus companheiros, argumentando  querer intervir politicamente num espaço em que não se dê liberdade de voto quando se é confrontado com a agenda moral da extrema-esquerda.

Na verdade há uma parte importante do PSD, cada vez com mais peso e a controlar os órgãos decisórios do partido, que vê com bons olhos a agenda que tem sido protagonizada pelos bloquistas e pela tendência marxista, maçónica e anti-clerical do PS, também esta em notório crescimento e já em clara maioria dentro das hostes, sobretudo desde que Costa se apoderou do poder interno.

E essa agenda, como todos sabemos, consiste somente em destruir todos os resquícios que ainda persistem de uma civilização milenar que herdámos dos nossos antepassados.

O PSD tem-se afastado progressivamente das suas bases, embarcando nas patranhas do pensamento dominante e esquecendo a primazia da pessoa humana, que sempre esteve na mente dos seus principais fundadores, em detrimento do individualismo materialista, que vai tomando conta da sociedade actual.

A grande fatia daqueles que nas últimas décadas têm oferecido o seu voto ao partido fundado por Sá Carneiro não se revê nas teses que hoje são cozinhadas na Buenos Aires, correndo-se o risco, para o partido, de uma razia de votos nos próximos actos eleitorais.

Na verdade o eleitorado do PSD, maioritariamente, é intrinsecamente conservador nos costumes e não acha piada nenhuma a essa coisa de dois homens se casarem e depois irem-se pavonear nas revistas sociais com uma criança ao colo, como se se tratasse de um objecto adquirido num leilão qualquer, e a quem pomposamente chamam filho.

Esse eleitorado não compreende que muitos daqueles em quem votaram andem numa berraria histérica por causa de um touro que termina o seu percurso de vida numa arena e depois levantem o braço, exortando de alegria, para aprovarem a morte de uma criança a quem não lhe foi concedido o direito a nascer.

É um eleitorado que não compreende que se criminalize o abandono de animais e, em simultâneo, se rejeite igual medida para os mais idosos, procurando-se antes avançar para o homicídio assistido, que mais não é do que uma artimanha para despachar aqueles quando se tornam num fardo demasiado pesado para os que os rodeiam.

Um eleitorado a quem faz confusão que se apregoe que não existe qualquer destrinça entre homens e mulheres e se defenda a teoria absurda de que a sexualidade resulta apenas de uma livre escolha de cada um e não de uma característica inata, adquirida no momento da concepção.

Trata-se de um eleitorado que se revolta por se determinar a proibição  da existência de cruzes nas escolas, e do próprio presépio durante o período natalício, mas que se incentiva a construção de mesquitas custeadas por fundos públicos.

Na verdade o PSD de hoje transformou-se numa manta de retalhos, desprovido de ideologia e de unidade dos valores e princípios que sempre nortearam a sociedade em que vivemos, limitando-se  a existir como uma simples máquina de conquista de poder, na qual qualquer um pode militar, independentemente dos ideais por que se bate.

Basta ter em atenção os deputados que se sentam na sua bancada, para percebermos que muitos deles bem poderiam transitar para uma outra qualquer da extrema-esquerda, onde se sentiriam confortáveis e as suas ideias respeitantes à vida humana teriam acolhimento total.

Impor-se a disciplina de voto em questões rotineiras, mesmo que relacionadas com matéria económica, mas dar-se completa liberdade quando se é bombardeado com teses paranóicas que visam levar ao desmembramento do papel das famílias no seio da sociedade, revela bem o estado a que chegou o partido do qual se esperava que fosse o principal motor de resistência ao avanço deste novo tipo de extremismo, um polvo em crescendo e cujos tentáculos se têm espalhado um pouco por toda a parte.

Se olharmos para a História, e dela quisermos retirar ensinamentos, facilmente seremos levados a concluir que as grande civilizações que o mundo conheceu, cujos alicerces pareciam indiciar a sua imortalidade, desapareceram da face da terra não por desastres financeiros, como aqueles que ciclicamente nos levam a nós, portugueses, a uma quase miséria, mas sim pela degradação moral em que se viram atoladas.

É esta agenda moral dos tempos modernos, que se propaga como um cancro e tende a reduzir a cactos a civilização europeia, roubando-lhe o esplendor e glória que fez da Europa o centro do universo, que tem de ser combatida.

E desse combate o PSD excluiu-se, daí poder vir a ser punido pelos seus habituais eleitores.

Santana certamente não vai conseguir recuperar o papel que em tempos lhe foi oferecido, mas que vai criar mossa no seu antigo partido, disso não tenho dúvidas!