Triunfo na Taça Davis tem forte peso político

Portugal jogará agora a 1 e 2 de fevereiro a Qualificação para Final da Taça Davis. É o equivalente a disputar os antigos play-offs  de acesso ao Grupo Mundial

Portugal derrotou a África do Sul em Lisboa por 4-0. Constato com agrado que enganei-me quando há duas semanas manifestei aqui desconfiança sobre o teórico super favoritismo com que a seleção nacional se revestia.

Os sul-africanos acusaram a sua inexperiência e incapacidade de adaptação à lenta terra batida do court preparado a pedido de Nuno Marques, que decidiu, depois, renunciar ao cargo de selecionador, para dedicar-se às crescentes responsabilidades atribuídas na academia de Rafa Nadal em Maiorca.

Portugal jogará agora a 1 e 2 de fevereiro a Qualificação para Final da Taça Davis. É o equivalente a disputar os antigos play-offs de acesso ao Grupo Mundial.

Será a terceira vez na sua história que Portugal irá jogar uma eliminatória de acesso à primeira divisão mundial, depois das derrotas frente à Croácia em 1994 no Porto e diante da Alemanha em 2017 no Estádio Nacional.

Poderemos fazer história e estarmos pela primeira vez presentes na elite desta competição criada em 1900 e que funciona como o autêntico campeonato mundial de seleções nacionais masculinas.

 

Para o presidente da Federação Portuguesa de Ténis (FPT), Vasco Costa, seria o cumprimento de um objetivo declarado desde que assumiu o cargo – e já vai no seu segundo mandato -, mas seria sobretudo um reforço da sua imagem pessoal (e da FPT em geral) a nível internacional.

Foi ele quem lutou nos bastidores e conquistou para Portugal a organização, em 2019, em Lisboa, da Assembleia Geral da Federação Internacional de Ténis (ITF).

 

Sermos os anfitriões de tal cimeira de peso eleitoral (vai votar-se o novo Conselho de Administração da ITF), com Portugal na Final de uma Taça Davis, seria ouro sobre azul, até porque a FPT votou a favor da reforma da Taça Davis.

No próximo dia 30 ficaremos a saber se vamos defrontar fora o Kazaquistão de Mikhail Kukushkin (71.º no ranking mundial e 46.º em 2015, com 23 vitórias e 14 derrotas na Taça Davis) ou se receberemos em casa a forte equipa do Canadá, com Milos Raonic (22.º ATP e ex-n.º 3 e 18-6 na Taça Davis), Denis Shapovalov (29.º ATP e 5-3 na Taça Davis) e Vasek Pospisil (73.º ATP, 25.º há quatro anos e 17-17 na Taça Davis).

 

A seleção prefere jogar em casa com o Canadá do que viajar ao Kazaquistão, para fugir a um piso muito rápido. É compreensível se pensarmos nas derrotas deste ano na Suécia e na Ucrânia em condições de jogo semelhantes.

Importa preparar já o futuro e o primeiro passo é nomear um novo selecionador. O diretor-técnico nacional e coordenador do Centro de Alto Rendimento, Rui Machado, é o grande favorito.