Economia

Aeroporto. Lisboa perde 1,8 milhões de passageiros por estar esgotado

ANA diz que estudo ambiental sobre aeroporto do Montijo será entregue até ao final do ano.

O aeroporto de Lisboa perde 1,8 milhões de passageiros por ano por estar lotado. As contas são de Francisco Pita, administrador da ANA - Aeroportos de Portugal. “Não temos um aeroporto em colapso, temos um aeroporto lotado. Estamos a colocar no mercado a oferta que temos e estamos perto da oferta máxima”, refere o responsável, lembrando que a infraestrutura está a “operar dentro da capacidade, não acima”, revelou no Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT). 

O administrador voltou a recordar que o aeroporto de Lisboa deverá chegar este ano ao recorde de 29 milhões de passageiros, mas até não ser encontrada outra solução, como a que se prevê para 2022, data estimada para a abertura do aeroporto complementar no Montijo, a infraestrutura irá continuar a perder passageiros.

O que é certo é que o número recorde estimado de passageiros para este ano está 10 milhões acima das previsões que existiam há cerca de 10 anos. Por isso, Francisco Pita afasta a ideia de que se negligenciou a necessidade de se avançar com uma solução, como a do Montijo, mais cedo. “As estimativas feitas há uma década não indicavam níveis e o ritmo de crescimento que tivemos nos últimos cinco anos. Ninguém apontava para este nível de crescimento. E isto não quer dizer que as previsões estivessem erradas”, afirma. 

Estudo sobre Montijo

Francisco Pita referiu ainda que a empresa espera entregar até ao final do ano os elementos adicionais que a Agência Portuguesa de Ambiente (APA) requereu relativamente ao Estudo de Impacte Ambiental para o aeroporto complementar do Montijo.

Para o responsável, o Montijo “é o único aeroporto na região de Lisboa que tem uma pista paralela à da Portela e a uma distância que permite a independência das duas pistas”, lembrando que “o que está previsto é na Portela passar – com as alterações que queremos fazer – a ter 48 movimentos por hora e adicionar no Montijo 24 movimentos ficando 72 movimentos por hora”.

Recorde-se que, a comissão de avaliação revelou que relatório tinha falta de qualidade, era confuso e apresentava lacunas. Face a estas falhas, a ANA foi obrigada a fazer novo estudo. Isto significa que, os pareceres técnicos usados anteriormente não puderam ser usados no novo documento. A este segundo relatório de impacto ambiental é exigido que aprofunde as matérias que ficaram apenas abordadas superficialmente no primeiro documento.

“Não houve ainda qualquer tipo de decisão final sobre o Estudo de Impacte Ambiental. Foi necessário preparar um conjunto de elementos adicionais – a APA solicitou um conjunto de informações e elementos adicionais para que possa completar o processo – e estamos a prepará-los e esperamos cumprir com essa parte até ao final deste ano”, salientou. 
Francisco Pita acredita, no entanto, que se “vai chegar a bom porto”, pois esta não é uma questão com que a empresa esteja a lidar pela primeira vez. “Temos o maior respeito pelas questões ambientais, mas temos dentro de casa competências muito grandes nessa matéria. A Vinci gere 44 aeroportos e não há um aeroporto que não tenha impacte ambiental”, explicou o administrador.

No final de setembro, a empresa que gere os aeroportos em Portugal tinha admitido que o aeroporto do Montijo estaria pronto para “entrar em serviço em 2022” e que as negociações com o Estado sobre a “parte económica” estavam a “chegar ao fim”. De acordo com Thierry Ligonnière, CEO da ANA, a ideia era “passar o mais rápido possível para a realização” da transformação da atual base militar em infraestrutura complementar do aeroporto de Lisboa. Poucos dias mais tarde, o responsável chamou a atenção para o facto de esta nova infraestrutura não tinha como objetivo funcionar em sistema low-cost e que apostava numa “qualidade fantástica de serviço”, dirigido a transportadoras com rotas “ponto a ponto”, ou seja, sem correspondências.