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Café in. Um ponto de encontro à beira rio

A um passo do Tejo e com a maresia na mesa. Uma ponte perfeita entre sabores e a vista... da Ponte. Frequentado pela elite de Lisboa, e não só, o restaurante Café In foi um projeto pioneiro na zona ribeirinha. Abílio Fernandes começou a sonhar com o espaço quando ainda levava sandes e cerveja aos trabalhadores  que construíam o tabuleiro da ponte sobre o Tejo.

Bruno Gonçalves
Bruno Gonçalves
Bruno Gonçalves
Bruno Gonçalves

«O Café In representa manter uma tradição que tive sempre em mente: bom comer e bom beber. E fazê-lo entre amigos. É o fundamental». A frase é de Abílio Fernandes, proprietário do restaurante, situado na Av. Brasília. Naquele mesmo sítio, precisamente, estiveram instalados os estaleiros de apoio à construção da ponte, há mais de 50 anos, no século XX. 

Abílio Fernandes tinha 21 anos e estava na tropa, na Polícia Militar, colocado ali na zona. E foi quando teve uma ideia de negócio: levar sandes e cervejas aos trabalhadores da ponte. Levava à cantina, num dos barracões dos estaleiros onde hoje é o Café In. E  também lá a cima, ao tabuleiro, subindo por um elevador.

Hoje, com uma vista deslumbrante para o Tejo e para a Ponte 25 abril, o Café In proporciona uma experiência gastronómica rara. Os verdadeiros apreciadores de marisco podem contar com produtos de qualidade que chegam à mesa praticamente saídos do mar. Mas os restantes não desesperem, quer seja prato de peixe ou de carne, a qualidade é 100% garantida. Há ainda outras opções e uma coisa parece certa: daqui ninguém sai arrependido. À exceção daquele sentimento de culpa que nos assombra por acharmos sempre que comemos demasiado. Mas, quando sair, nem essa sensação vai impedi-lo de querer planear uma data de regresso. 

Na zona ribeirinha da capital lisboeta, o espaço abriu portas na década de 90 pela mão do empresário de sucesso Abílio Fernandes, que conta nos dias de hoje com cerca de duas dezenas de restaurantes na capital portuguesa. «‘In’ era uma maneira brilhante de estar na vida. As pessoas da nova geração dessa altura queriam ser in, diferentes dos outros. O Café in foi criado como ponto de encontro», refere, quando justifica a escolha do nome atribuído ao restaurante no ano de 1997. 

As vidraças ao longo de todo o restaurante permitem estar sempre perante um quadro de beleza natural independentemente do local em que estiver sentado, já que este Café In Esplanada-Bar tem capacidade para sentar mais de 400 pessoas. Apesar da amplitude, a simpatia e a arte de bem atender por parte do anfitrião, que se estende a toda a equipa, torna o espaço automaticamente confortável e acolhedor.

«Quando abri o Café In já tinha vários restaurantes na Baixa de Lisboa, entre eles o Texas Bar, no Cais do Sodré, mas para mim este foi um projeto aliciante, na medida em que foi a partir do aparecimento do Café In que a zona ribeirinha começou a despoletar. E hoje é uma zona privilegiada da cidade», recorda Abílio Fernandes.

«Naquela altura a cidade de Lisboa estava completamente virada de costas para o rio e agora é o ex-líbris da capital», refere o proprietário, que não esquece as diferenças significativas daquele passado recente em relação ao presente.
Muito antes de o projeto ser proposto a Abílio Fernandes pelo Porto de Lisboa, o espaço, lembra, era destinado aos «barracões» que albergavam os «gabinetes destinados à gestão de apoio daqueles que faziam a construção da ponte [Salazar]», inaugurada em 1966.

Aberto há mais de 20 anos, o Café In é há muito (para não se dizer desde sempre) um sítio de referência na capital. Frequentado pelas elites políticas, empresariais, intelectuais, culturais e desportivas da cidade, a história do restaurante não pode ser encontrada nas paredes, mas no livro de honra. Foi, aliás, neste espaço que se desenrolou grande parte da discussão sobre o sucessor de José Peseiro no Sporting, não fosse o próprio anfitrião um ex-membro da direção do clube leonino, mais especificamente antigo vice-presidente da direção liderada por Sousa Cintra e membro da lista de Abrantes Mendes às eleições de março de 2011. 

Além dos agentes desportivos – recebeu também o jantar organizado pela UEFA, com a presença de vários donos dos principais clubes da Europa, aquando da realização da final da Champions no Estádio da Luz (2014) – é frequente por aqui encontrar presidentes, ministros, atores, apresentadores ou cantores, nacionais e internacionais. Exemplo disso mesmo, conta, são Lula da Silva e «um Presidente dos Estados Unidos».

Apesar do percurso no meio futebolístico, foi da restauração que sempre fez vida e onde começou com 21 anos. Recorda o momento em que comprou o Café In e a fortuna que por ele pagou na altura: 300 mil contos. Abílio Fernandes explana, porém, as razões que o convenceram a tamanho investimento.

«O Café In deve ser dos poucos edifícios à beira rio que tem umas infraestruturas únicas: tem 400m2 e, ao nível freático, os técnicos prepararam um género de um caixote com betão e ferro para ser aplicado quando a maré estava baixa, permitindo uma secagem rápida. Ainda hoje não tem uma pinga de água», assevera.

À data, a aposta foi arriscada, já que a frente ribeirinha estava longe de ser como hoje a conhecemos. Afinal, pouca vida tinha toda esta linha entre Belém e o Cais do Sodré onde hoje pode ser encontrado o Café In e mais uma série de restaurantes, com direito a ciclovia e zonas ajardinadas que rapidamente se tornaram spot de eleição para turistas e alfacinhas.

Tal como é regra, deixamos a parte de pagar para o fim. Mas vamos a contas. Até porque não vai ter razão para indisposições. Também neste campo pode optar por menu premium ou normal. Há ainda preços especiais para jantares de grupo e eventos, pelo que também se tornou um espaço muito procurado neste sentido. Mas, diga-se, para quem quiser apenas beber um copo ou tomar um café também tem essa possibilidade. 

No início, aliás, o espaço de bar-esplanada era o ponto de encontro para jovens e menos jovens antes de abalarem para a noite de lisboa, quando a 24 de Julho estava no auge e a zona das Docas também.

Mesmo assim, ainda hoje o Café continua In como ponto de encontro, a qualquer hora do dia.

Café In 

Morada: Av. Brasília, Pavilhão Nascente 311 
1300-596 Lisboa

Telefone para reservas de jantares de grupo ou de Natal: 213 626 248

Horário: seg. a qui. e domingos das 10h00 à 01h00– sex. e sáb. das 10h00 às 03h00