Opiniao

Direito de Resposta

Fiquei indignado com o conteúdo da notícia intitulada PJM queria acabar com os Comandos (SOL, 03/11/2018), onde a jornalista Felícia Cabrita (FC) falseia a verdade, baseando-se não se sabe bem em quê, distorcendo a verdade dos factos, oferecendo calúnia gratuita sobre a minha pessoa e outros, e principalmente sobre a PJM e Exército.

Escreve FC que: «as escutas entre o ex-director da Policia Judiciaria Militar e Vasco Brazão, ex- porta-voz desta polícia, revelam que os dois oficiais tinham como projecto a extinção dos comandos». Esta pretensa tese é absolutamente falsa e absurda.

As frases publicadas foram cortadas e colocadas fora de contexto, mas mesmo assim concluir que nelas está um projecto para extinguir os Comandos é algo inimaginável.

Durante a frequência do Curso de Promoção a Oficial Superior elaborei um trabalho para a cadeira de História Militar, sobre a Operação TRIDENTE. Operação realizada na ex-província ultramarina da Guiné no ano de 1964, tendo a particularidade de as Forças Terrestres, desta grande Operação, terem sido comandadas pelo meu avô materno.

As conclusões do meu trabalho incluem ensinamentos que o Estado-Maior da Operação colheu e transcritos para o Relatório da Operação Tridente: «Mais uma vez se reconheceu que é incomparavelmente mais importante para o rendimento duma tropa o valor dos subalternos e graduados do que o volume da mesma. A confirmar este ponto de vista, aponta-se a brilhante actuação do Grupo de Comandos, constituído na sua quase totalidade por elementos das Companhias de Cavalaria».

Também neste mesmo Relatório, na Apreciação Final, conclui-se que: «Os resultados obtidos devem-se principalmente: à brilhante actuação do Grupo de Comandos e dos Destacamentos de Fuzileiros Especiais 7 e 8 (únicas Unidades desembarcadas com meios e organização adequada para este tipo de guerra)...».

Escolher precisamente uma Operação onde os Comandos tiveram uma actuação brilhante, segundo palavras do meu avô, e depois querer extingui-los é no mínimo absurdo.

No início da investigação ao ‘caso Comandos’, enviei um email aos investigadores que comigo trabalhavam, onde entre várias coisas escrevi:  «...colaborar com o Exército, e particularmente com os Comandos, para que situações destas nunca mais voltem a acontecer».

É uma frase um bocado descabida para quem tinha, segundo FC, um projecto para extinguir os Comandos.

Quanto aos Comandos, digo-lhe que tenho enorme consideração e reconhecimento, não só pelo que fizeram nos diferentes Teatros de Operações no ex-Ultramar, como mais recentemente nas missões de Apoio à Paz no Afeganistão e na República Centro Africana, mas também pelo importante contributo que o Regimento de Comandos deu na reconquista da liberdade a 25 de novembro de 1975.

Escreve FC: «...o inquérito ao caso de Tancos inicia-se quando a investigação à morte de dois recrutas nos Comandos, em Setembro de 2016, liderada pelo major Vasco Brazão, ainda estava em marcha..». Ora isto é falso como facilmente se poderá averiguar consultando os processos ou mais fácil ainda lendo as notícias da época.

A acusação do MP, no denominado ‘caso Comandos’, foi a 20 de junho de 2017. A investigação ao ‘caso Tancos’ começou no dia 28 de junho de 2017, 8 dias após a acusação do ‘caso Comandos’. Como é que FC consegue escrever que a investigação ao ‘caso Comandos’ ainda estava em marcha quando se iniciou a investigação a Tancos? Qual o objectivo desta manipulação?

FC ao colocar a investigação num plano contra os Comandos, desrespeita a verdade dos factos, procurando denegrir a minha pessoa, os militares que comigo trabalharam, o meu ex-Director e principalmente a imagem e credibilidade da PJM, o que é inaceitável e deplorável. E faz isto sem apresentar um único facto que possa comprovar tal tese.

FC escreve «Recorde-se que o material militar furtado em Tancos a 28 de junho de 2017 veio a ‘aparecer’ milagrosamente quatro meses depois em caixotes completamente secos após uma noite de chuva». Em relação aos caixotes secos, pode e deve FC solicitar a quem lhe forneceu esta informação, mais uma vez violando o segredo de justiça, que lhe disponibilize o Relatório do Laboratório de Policia Técnica-Científica da PJM e assim poderá esclarecer os leitores das razões para que algumas embalagens, estarem secas, com o rigor pela verdade que os leitores lhe deveriam merecer.

FC escreve: «o único pecado de Marcelo foi acreditar na versão da PJM» e «...numa cerimónia na base de Tancos, Luís Vieira terá dado informações erradas a Marcelo, tentando virar o Presidente da República contra a Judiciária Civil». 

O Presidente (PR) não esteve em nenhuma cerimónia na base de Tancos, foi, isso sim, visitar os Paióis Nacionais de Tancos, que não são nenhuma base, local de onde foi furtado o material de guerra.

A PJM não contou nenhuma versão ao PR, nem quis colocar o PR contra a PJ civil. O que a PJM fez, e escrevo-o pois é público, foi informar o PR, com frontalidade e verdade, de que era lamentável que entidades com competência de investigação soubessem há vários meses do planeamento de um furto a uma instalação militar e não tivessem informado as entidades com competência e capacidade de prevenção do crime, ou seja, a PJM e as próprias Forças Armadas (FFAA).

Sendo nossa opinião que o jornal que V. Exa. dirige tem como principal objectivo a informação e o esclarecimento correctos dos seus leitores, solicito que dê a esta carta a divulgação adequada, visto que a jornalista Felícia Cabrita tem o privilégio de escrever para um jornal de grande tiragem, formador de opinião pública e que é lido por muita gente, mormente os familiares e amigos dos homens que inaceitavelmente ataca falseando a verdade dos factos.

Vasco Cavaleiro da Cunha Brazão

Lisboa