Sociedade

PJ diz que mãe gerava filhos já com a intenção de os vender. Mulher lucrou 80 mil euros

Uma mulher, de nacionalidade brasileira mas a residir em Portugal, foi acusada de vender quatro filhos, lucrando no total 80 mil euros, 20 mil euros cada uma, para França, Suíça e Luxemburgo.

O diretor da Polícia Judiciária do Norte, Norberto Martins, revelou, em conferência de imprensa, que “a PJ tem a perceção de que [as crianças] eram geradas para serem vendidas”.

A detenção da mulher e do seu companheiro foi anunciada nesta quinta-feira pela PJ do Norte. A Judiciária não sabe, no entanto, quem é o progenitor ou progenitores das quatro crianças, se é o companheiro ou os elementos masculinos dos casais a quem foram vendidas.

O casal, detido, reside no grande Porto e as crianças foram "vendidas a cidadãos europeus", e entre as famílias de destino "existem portugueses", segundo Norberto Martins.

A investigação começou após uma denúncia anónima repleta de “informação concreta” sobre aquela mulher, de 41 anos. Nos últimos anos, estava quase sempre grávida, mas não era vista qualquer criança.

O responsável da PJ revelou também que as quatro crianças, a mais velha nasceu em 2011 e a mais nova em 2017, “não estarão numa situação de perigo”.

Questionado sobre a localização dos menores, a polícia “estima o paradeiro”, mas prefere não adiantar pormenores. “Estamos é numa fase em que, por estratégias policiais, não convém dar elementos", assinalou.

Os bebés, segundo a comunicação da PJ, nasceram em Portugal, mas não se sabe em que circunstâncias, se os partos foram em casa ou em hospitais.

Após os nascimentos, o casal suspeito da prática de crimes de tráfico de recém-nascidos, deveria falsificar os documentos das crianças, designadamente no que toca à paternidade.

Sobre o envolvimento de terceiros, o responsável da PJ admitiu que "provavelmente haverá um contacto comum", "alguém que poderia intermediar os negócios". Mas rejeitou confirmar qualquer ligação a redes internacionais de venda de menores. "Não descartamos, mas nada aponta nesse sentido", acrescentou.

A mulher tem 41 anos é pasteleira e tem nacionalidade brasileira, o companheiro tem 45 anos é português e trabalha na construção civil. Têm uma relação há mais de dez anos mas não vivem juntos.

As autoridades estão agora à espera dos resultados de testes de ADN para determinar se a paternidade das crianças corresponde ao homem detido.