Economia

Euro. Moeda única fez 20 anos, opiniões dividem-se entre sucesso e fracasso

Mário Centeno diz que moeda única “é um dos maiores sucessos europeus”, João Ferreira do Amaral prefere falar em “gigantesco fracasso”. BCE prepara-se para lançar novas notas de 100 e 200 euros em maio.

Fez esta terça-feira 20 anos que nasceu a moeda única. Primeiro em versão virtual – usada nos mercados financeiros e em pagamentos escriturais – mas três anos depois chegou à carteira dos cidadãos europeus. Para o presidente do Eurogrupo é “um dos maiores sucessos europeus”, ainda assim, refere que a resiliência da moeda única requer “esforços permanentes” de reforma, nomeadamente através do aprofundamento da União Económica e Monetária.

“A sua importância e o seu impacto durante as duas primeiras décadas da sua história são incontestáveis, mas o seu futuro permanece por escrever. A responsabilidade que pesa sobre nós é, assim, histórica”, disse Mário Centeno, em comunicado.

Também o vice-presidente da Comissão Europeia aponta o euro como a “segunda moeda mais importante no mundo, sendo fortemente respaldado pelos europeus que a usam diariamente”. Valdis Dombrovskis lembra, no entanto, que apesar de ser uma moeda forte, o trabalho não está terminado. “O euro será tão estável quanto a nossa União Económica e Monetária. Eis porque precisamos de fazer o nosso trabalho de casa e reforçar a resiliência das nossas economias individuais e da área do euro como um todo”, referiu.

Economista falam em fracasso

Mas nem todos encaram a moeda única desta forma. Em entrevista ao SOL, João Ferreira do Amaral garantiu que “a criação da moeda única é um gigantesco fracasso”. Para o economista nada do que foi prometido foi cumprido. “Tinha-se prometido mais crescimento e a Europa cresceu muito menos, principalmente a zona Euro que ainda cresceu menos que o resto da Europa; tinha-se previsto estabilidade e quase todos os dias está-se a falar do fim da moeda única, em que a instabilidade tem sido permanente; tinha-se previsto que era uma forma de convergência com os países mais desenvolvidos e assim que foi criada a moeda única começaram a surgir as divergências entre os países mais ricos e os menos ricos”, revelou.

E as críticas não ficam por aqui. Na mesma entrevista, João Ferreira do Amaral lembra que o euro atingiu as autonomias dos Estados. Ou se arranja um Estado europeu e ninguém está interessado nisso ou não havendo um Estado Europeu então os Estados nacionais deveriam ter os poderes necessários para poderem funcionar enquanto Estados. Não podem ser uma junta de freguesia gigantesca”, revelou ao SOL. 

Novas notas em maio

A verdade é que a solidez do euro começou a ser posta em causa com a crise financeira em 2008 que acabou por espoletar uma crise de dívida na zona euro, entre 2010 e 2012.
Atualmente a moeda única é utilizada por 19 países da UE e por cerca de 340 milhões de cidadãos europeus, de acordo com os dados do Banco Central Europeu. A partir de maio vão começar a circular as novas notas de 100 e 200 euros, tendo sido abandonada a nota de 500 euros.