Economia

Tomás Correia tranquilo e afasta qualquer possível condenação

O presidente da Mutualista agora reeleito diz que “sempre houve capacidade de antecipar os problemas” e promete novo ciclo na instituição.

O presidente da Associação Mutualista Montepio, que foi reeleito, esta quinta-feira, fez um pequeno balanço dos dez anos que está à frente da instituição garantido que “sempre houve capacidade de antecipar os problemas”. Em relação ao futuro promete um “novo ciclo” e está convicto de que vai cumprir o mandato de três anos até ao fim. Já que esta liderança ainda se rege pelos estatutos ainda em vigor e não pelos quatro anos que ditam as novas regras das mutualistas.

 “Um ciclo que se segue a outro, de mais de dez anos, por mim liderado, que foi um ciclo muito difícil em que tivemos que vencer determinados desafios”, acenando agora “com um ciclo que assentará num grupo mais coeso quer na Associação, quer para o grupo”, referiu num encontro com jornalistas.

Tomás Correia mostrou-se ainda tranquilo em relação a qualquer possível condenação por parte do Banco de Portugal. “Não acredito minimamente que haja qualquer condenação, logo esse problema não se põe. A única coisa que posso dizer é que não tenho nenhuma intranquilidade em relação a isso”, salientou.

Em causa está um processo contra-ordenacional por parte do Banco de Portugal para investigar as ligações do Montepio ao Banco Espírito Santo e a Paulo Guilherme, o filho do construtor civil que concedeu uma liberalidade a Ricardo Salgado e que foi financiador da instituição financeira.

Também em relação à decisão da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) em criar um grupo de trabalho para preparar a forma como irá dispor dos novos poderes de monitorização das associações mutualistas, o presidente reeleito garantiu que não foi notificado e, como tal, ainda não indicou nenhum representante. “A iniciativa tem de partir da tutela e da ASF, não temos de assumir qualquer iniciativa e indicaremos um representante quando nos for pedido”, esclareceu.

Recorde-se com a entrada em vigor do novo Código das Associações Mutualistas, a ASF ficou com a supervisão financeira da Mutualista Montepio e, como tal, criou um grupo de trabalho com vista a definir “o âmbito, a natureza e o formato” do exercício dos seus novos poderes. No entanto, o regulador tem chamado a atenção para o facto que, após o período de transição de 12 anos é que a Mutualista passará a estar sujeita ao regime de supervisão financeira do setor segurador.  E face a esse período transitório, Tomás Correia acredita também que não terá problemas de idoneidade. “Não estou preocupado. Não tive nenhum contacto com a ASF e tenho a certeza que não teremos. Durante o período de transição não cabe à ASF fazer essa avaliação”, referiu.

Ermida para chairman

Em relação à escolha de João Ermida para chairman do Banco Montepio, o presidente reeleito garantiu que “é um brande profissional da banca” e irá assumir funções desde que receba luz verde por parte do Banco de Portugal.

Aliás, ontem de manhã, a Associação Mutualista Montepio e o Montepio enviaram um comunicado conjunto a garantir que não existe qualquer tensão entre as duas instituições em torno do nome de João Ermida proposto para chairman da instituição financeira. Um nome que já tinha sido avançado pelo “SOL”.

"Tendo em conta o prazo adicional concedido pelo Banco de Portugal para acumulação das funções de presidente do conselho de administração e de presidente da comissão executiva pelo atual titular, a Associação Mutualista, através do seu presidente, desenvolveu iniciativas, em articulação com o Presidente do Banco, para encontrar e propor um nome para aquela função com respeito pelo prazo referido", acrescentando que, na "sequência destas iniciativas, o Presidente do MGAM endereçou convite a João Ermida e, atendendo ao período eleitoral na instituição, foi adotado o procedimento de pedido de autorização prévia à respetiva nomeação; tal pedido foi, como dispõe a regulamentação, devidamente instruído pelo Banco – incluindo o parecer favorável da Comissão de Auditoria – e submetido formalmente ao Banco de Portugal com o conhecimento do MGAM.

As duas entidades esclarecem ainda que, neste momento decorre, nos termos da lei, o processo de avaliação prévia da pessoa proposta para a função de chairman do Banco Montepio e, como tal, dizem que  "nenhuma opinião do supervisor foi ou será emitida antes do final deste processo".