Economia

Ribeiro Mendes sai com direito a reforma

Uma das exigências era cumprir mandato até ao fim. Um critério respeitado mesmo tendo avançado para eleições.  

O antigo administrador Ribeiro Mendes saiu da Associação Mutualista Montepio com direito a uma reforma mensal de 3600 euros. Uma das exigências para receber esse valor era cumprir o mandato de três anos até ao fim, um critério que foi respeitado, já que Ribeiro Mendes avançou para as eleições contra o agora reeleito presidente e manteve-se em funções como administrador. 

Na altura da campanha e apesar de ser dissidente em relação à administração que estava em funções, Ribeiro Mendes esclareceu que não fazia sentido sair da estrutura porque tinha um mandato dos associados. «Recebi um mandato dos associados e estou a cumpri-lo dentro dos limites que é possível. Defendo que os mandatos são para cumprir até ao fim, só me demitiria se tivesse problemas com a supervisão ou com a justiça e é no final do mandato que terei de responder por aquilo que fiz e por aquilo que não fiz», revelou na altura ao SOL.

O então candidato chegou a afirmar que não era o seu nome que estava a causar a instabilidade interna na Mutualista e, como tal, acreditava que não seria necessário a sua renúncia para resolver os problemas da instituição. «Se em plena crise, em 2017, tivesse renunciado ao meu mandato, o que é que os associados pensariam? Este está a abandonar o navio. Não foi isso que fiz, mantive-me porque havia uma situação muito grave de quebra de confiança que era preciso resolver», esclareceu, na altura. 

Uma justificação que nunca caiu bem ao atual presidente da Associação. Tomás Correia, na altura da campanha eleitoral, chegou a admitir que Ribeiro Mendes não tinha condições para poder integrar uma candidatura promovida pelo conselho de administração. «Sempre tivemos grande abertura, queremos ter as melhores pessoas nos órgãos sociais da associação, agora não nos obriguem a estar disponíveis para integrar pessoas que não têm espírito de equipa», disse ao SOL. 

Em relação ao facto do seu ‘rival’ continuar a exercer funções, o presidente agora reeleito disse apenas aquilo que faria se estivesse no seu lugar. «Se estivesse no conselho de administração e se quisesse candidatar-me renunciava ao mandato imediatamente. Mas têm o direito de continuarem, não tenho de impor os princípios com que pauto a minha vida aos outros. Já estive em situações em que não concordava com o caminho do conselho de administração e renunciei ao mandato. Fui administrador da Caixa durante muitos anos, mas a certa altura entendi que estava a enveredar por um caminho que não me parecia correta, ninguém me ouviu dizer nada, mas renunciei ao mandato», afirmou.