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Partilha de informações

Na dimensão interna e externa da partilha de informações, apesar de nos últimos anos ter havido uma alteração de paradigma, há ainda um longo caminho a percorrer. Desde logo, pela indiscutível utilidade e necessidade dessa partilha na atualidade, tendo em conta fenómenos de violência extrema - de que o terrorismo global, é exemplo maior -, onde o valor da vida humana, direito universal e fundamental, é totalmente menosprezado segundo a ‘cartilha’ da criminalidade organizada e do terror disseminado pela violência física ou não (ataques cibernéticos),  e imprevisibilidade, de ataques terroristas. O aumento crescente da criminalidade, em termos globais e independentemente do seu grau de complexidade, incrementou, indiscutivelmente, a necessidade de uma efetiva partilha de informação, em vários domínios e setores da sociedade. Esse imperativo, porém, e não obstante a inexorabilidade causal entre partilha de informação e complexidade crescente dos fenómenos criminais violentos, fica ainda aquém do desejável e necessário, para que se possa caminhar para o equilíbrio democrático societário. Desde logo, pela resistência ainda do velho princípio de que a posse de informação é sinónimo de poder, pelo que o processo de tomada de decisão, de modo eficaz e em tempo útil, se perde por vezes neste hiato entre posse e partilha de informação, dificultando assim o alerta precoce e a prevenção, por antecipação, de determinados fenómenos criminais.

A forma mais eficaz de prevenção da criminalidade consubstancia-se na antecipação quanto ao próximo passo do crime, ou seja, a real perceção do onde; quando; e de que modo; determinado facto poderá ocorrer. Só através de uma adequada e eficiente partilha de informações se consegue obter uma real proximidade da previsibilidade de ocorrências criminais futuras. A precisão da realidade da informação obtida é imprescindível para a obtenção da dissuasão do fator surpresa, consubstanciando-se numa maior eficácia e eficiência da prevenção criminal. 

Hodiernamente, muito se tem falado sobre o mundo globalizado e as implicações que este fenómeno tem sobre o facto de o homem não poder ser visto como um ser individual, mas sim parte integrante de uma comunidade. Neste momento, estamos perante aquilo que se pode considerar uma ‘aldeia global digital’, em que o fator humano, e as suas interações pessoais, perdem relevância face ao domínio exponencial das ‘ciber-relações’, resultante da facilidade de acesso às tecnologias de informação e comunicação (Dennis Stevenson, 1997). A transmissão de informações é hoje feita através de recursos tecnológicos interligados, e interdependentes, numa rede mundial, complexa e difusa, perante a qual dificilmente se conseguirá ter um controlo real e efetivo. Neste momento, perante uma sociedade globalizada, considera-se que os «engenheiros do conhecimento e promotores da evolução sócio técnica das organizações serão tão necessários quanto especialistas em máquinas» (Lévy, 1999). A partilha de informações é de tal forma importante que tem, direta e indiretamente, implicações no equilíbrio da economia mundial.)

A par de uma indiscutível e imensurável necessidade de partilha de informação no domínio da segurança, ela não será menos importante no domínio económico-financeiro por a circulação da informação fará com que os novos mercados consigam descobrir novas fontes de rendimento, bem como parceiros institucionais. Esta partilha de informações ao nível do negócio propriamente dito, à semelhança da partilha condicionada de informações de segurança, de também ser ela uma partilha condicionada às restrições próprias do mercado nacional e internacional. Principalmente por estes motivos as informações e a sua partilha constituem indiscutivelmente um valioso poder que pode derrubar instituições ou um qualquer tipo de governo.