Sociedade

A coisa mais importante que temos de fazer em 2019? Comer menos carne, diz o Guardian

A industrialização da agricultura tem tido um grande peso no ambiente

Usar menos automóveis, reciclar os materiais, evitar o uso de plástico. Tudo isto são princípios que devemos adotar. Mas, segundo o jornal britânico Guardian, com a chegada do novo ano existe uma regra que todos devemos, a partir de agora, aplicar: comer menos carne.

“Vários estudos revelados durante o ano passado põem a nu o impacto do consumo de carne, principalmente carne de vaca e porco, no ambiente, enquanto fatores relevantes para as alterações climáticas e para a poluição da terra e da água”, lê-se num artigo publicado no início deste ano.

Numa altura em que estamos perto de sofrer uma das maiores crises de extinção de espécies desde o tempo dos dinossauros – uma “aniquilação biológica”, dizem os cientistas -, os animais de criação e os seres humanos perfazem 96% de todos os mamíferos. Esta criação ‘desmesurada’ traz graves consequências para o planeta: a desflorestação e as emissões de gases têm um impacto na formação do efeito de estufa semelhante à totalidade dos gases emitidos por todos os carros, autocarros e aviões do mundo, revela a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Além disso, a industrialização da agricultura implica o uso de fertilizantes e outros químicos, por forma a satisfazer as necessidades da população mundial. Isso leva a um aumento da poluição dos solos, dos rios e, em ultima instância, dos oceanos.

Recorde-se que, em outubro, uma equipa de cientistas já tinha publicado na revista Nature que era obrigatório diminuir o consumo de carne o quanto antes. O especialistas defendiam que era necessário reduzir 90% do consumo de carne nos países ocidentais. “Estamos mesmo a arriscar a sustentabilidade de todo o sistema. Se estamos interessados em que as pessoas consigam comer e produzir, temos mesmo de reduzir o consumo de carne”, referiam os autores da investigação.

E o que pode ser feito? Já na altura, os autores do estudo defendiam que a solução passavam pela imposição de novas políticas de educação e taxas para controlar o uso de químicos, a criação de animais e o consumo de carne em si.

“Alimentar uma população mundial de dez mil milhões de pessoas é possível, mas só se mudarmos a forma como comemos e produzimos os nossos alimentos”, afirmou na altura o professor do Instituto Potsdam para o Estudo do Impacto Ambiental (Alemanha), Johan Rockström, um dos autores da investigação.