Economia

FMI revê em baixa crescimento da economia mundial mas afasta cenário de recessão iminente

Economia mundial deverá crescer 3,5% em 2019 e 3,6% em 2020. Em grande parte deve-se à desaceleração da zona euro. Mário Centeno diz que previsões deve, fazer “os decisores políticos pensar” sobre os “riscos e as incertezas” que o originaram.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) baixou as suas estimativas para a economia mundial. De acordo com as estimativas do “World Economic Outlook”, o crescimento deverá fixar-se em 3,5% em 2019 e 3,6% em 2020, ou seja, menos 0,2 e 0,1 pontos percentuais, respetivamente, face às previsões anteriores. Ainda assim, a entidade liderada por Christine Lagarde, afastou um cenário de recessão iminente. “Uma recessão mundial está ao virar da esquina? A resposta é não, mas definitivamente aumentou o risco de que a redução do crescimento se agudize”, disse, numa conferência de imprensa em Davos. 

 A descida nas previsões de crescimento assenta essencialmente na desaceleração da zona euro, em particular da economia alemã, na forte contração da Turquia e na moderação do crescimento na América Latina.

O FMI explica que esta revisão em baixa deve-se aos efeitos na Alemanha da introdução de novos padrões para emissões poluentes de veículos e, em Itália, das preocupações quanto aos riscos da dívida soberana e riscos financeiros, que penalizaram a procura interna, decorrendo igualmente da deterioração do sentimento nos mercados financeiros e da contração da economia da Turquia, agora projetada para ser maior do que o previsto. O organismo chama também a atenção para “o desempenho mais fraco em algumas economias, especialmente na Europa e na Ásia”.

“Os riscos para o crescimento global tendem a ser negativos. Uma escalada das tensões comerciais, além das já incorporadas nesta previsão, continua a ser uma importante fonte de risco para as perspetivas”, indica a instituição.

Economias desaceleram

O FMI desceu em 0,3 pontos percentuais a estimativa de crescimento para a economia da zona euro para 1,6% em 2019, mantendo a anterior previsão de 1,7% para 2020, e depois da expansão de 1,8% estimada para o ano passado, 0,2 pontos percentuais abaixo da previsão de outubro.

O crescimento económico dos Estados Unidos foi mantido em 2,5% para 2019 e 1,8% para 2020, enquanto a previsão de crescimento económico do Japão foi revista em alta para 1,1% em 2019 e para 0,5% em 2020 (mais 0,2 pontos percentuais em ambos os anos do que o previsto anteriormente).

Para os mercados emergentes e as economias em desenvolvimento, o FMI antecipa que o crescimento económico desça para 4,5% em 2019, menos 0,2 pontos percentuais do que a previsão de outubro, antes de melhorar para 4,9% em 2020 (a mesma estimativa no outono), e após uma expansão de 4,6% em 2018.

A  entidade diz ainda que, além da escalada das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China, “poderia deflagrar numa deterioração adicional do sentimento de risco, com implicações adversas no crescimento, especialmente devido aos elevados níveis de dívida pública e privada”, acrescentando que “esses potenciais gatilhos incluem uma saída sem acordo do Reino Unido da União Europeia e uma desaceleração maior do que a prevista na China”.

De acordo com os economistas da instituição financeira, China deve crescer 6,2% em 2019 e 2020, depois de o país ter anunciado hoje que teve um crescimento de 6,6% em 2018, o mais fraco desde 1990.

Soam alarmes 

O presidente do Eurogrupo já veio garantir que o abrandamento da economia mundial deve fazer “os decisores políticos pensar” sobre os “riscos e as incertezas” que o originaram. “É uma questão que nos deve fazer a todos pensar, enquanto decisores políticos, as razões para esse abrandamento”, declarou Mário Centeno à entrada da reunião do Eurogrupo.

De acordo com o também ministro das finanças português, “esse abrandamento deve-se, em grande medida, aos riscos e às incertezas que se foram acumulando ao longo dos últimos meses, nalguns casos até anos”.

“Esses riscos são de natureza política e, portanto, está nas mãos de quem tem o poder de tomar decisões políticas de tornar claro o caminho para as nossas economias, para as nossas sociedades e, portanto, devemos todos estar atentos a essa situação e ter uma resposta rápida para ela”, sublinhou Centeno.