Economia

Centeno sublinha que auditoria à Caixa só surgiu "oito ministros e sete governos depois"

Em relação à atual administração da Caixa, Centeno garante que "já está a trabalhar no apuramento das responsabilidades civis, porque o Ministério das Finanças deu essa indicação".

"Oito ministros e sete governos depois" é que surgiu a auditoria à Caixa Geral de Depósitos (CGD). É desta forma que Mário Centeno explicou aos deputados o papel do atual Governo no apuramento das responsabilidades das falhas que foram identificadas no banco público por uma auditoria realizada pela EY. 

Em causa estão prejuízos na ordem dos 1029,9 milhões de euros, num conjunto de 46 financiamentos, com as várias administrações do banco público a aprovarem créditos em que não foram dadas garantias suficientes, o que acabou por se traduzir em riscos considerados "elevados" ou "graves". 

O governante disse também que foi com este Executivo que foi solicitado a identificação dos maiores créditos, especialmente os que registassem maioeres imparidades, revelou na comissão de Orçamento de Finanças.

Em relação à atual administração da Caixa, Centeno garante que "já está a trabalhar no apuramento das responsabilidades civis, porque o Ministério das Finanças deu essa indicação". E deixou uma garantia: "quando o trabalho estiver concluído, estaremos lá" para responsabilizar.

Recorde-se que, esta terça-feira,  o Ministério Público autorizou a CGD a disponibilizar o relatório da auditoria feito pela EY aos atos de gestão à Assembleia da República. 

“O Ministério Público concluiu nada ter a opor que a CGD, entidade que ordenou a elaboração da referida auditoria e que está em condições de a expurgar de eventual matéria que considere estar em segredo bancário, a disponibilize à AR [Assembleia da República]”, anunciou em comunicado a Procuradoria-Geral da República (PGR). Isto depois de a administração da Caixa ter recusado a entrega do relatório à AR num primeiro momento invocando sigilo bancário e, numa segunda vez, invocando o segredo de justiça.

É de referir que o Estado injetou diretamente mais de 4 mil milhões de euros desde 2011 perante prejuízos recorde.