Politica

Aliança. Paulo Sande quer dar poder a parlamentos nacionais para travar propostas na Europa

O cabeça de lista às eleições europeias de 26 de maio do partido Aliança discursou este sábado no congresso do partido, em Évora, para propor medidas que acautelem o papel de cada parlamento dos Estados-membros na União Europeia, com poder de veto.

Paulo Sande é um independente, foi até agora, assessor político do presidente da República, e subiu este sábado ao palco do primeiro congresso do partido Aliança como o cabeça de listas nas eleições europeias. Levou um discurso escrito de dez páginas que servirá de guião para a sua campanha. Apesar de ser um convicto europeísta, Paulo Sande puxou por Shakespear para lembrar que "algo vai mal no Reino da Dinamarca", leia-se na Europa. E usou a expressão para deixar um alerta: "Ecoa um clamor público sobre a ilegitimidade da comissao [europeia] que não pode ser ignorado". 

Por isso, o candidato propôs que "um número determinado de parlamentos nacionais possa considerar uma proposta da comissão europeia em violação do princípio da subsidariedade, encerrando o processo legislativo em causa". Dito de outra forma: Paulo Sande quer, sem tibiezas, que seja acautelado o poder de veto dos parlamentos nacionais a propostas da Comissão Europeia. Tudo em nome da transparência.

Na sua intervenção, Paulo Sande  defendeu ainda que em assuntos "de grande importância para Portugal", o Governo deve ter um mandato "que estabeleça as linhas vermelhas e objetivos concretos" antes de qualquer deliberação do conselho de ministros da União Europeia.

O candidato começou por dizer que o País está a "assistir à regeneração da política em Portugal" com o primeiro congresso da Aliança. 

"Nós não viemos como os do costume, em busca de lugares à mesa do banquete do Estado. Não faremos aquilo a que os do costume estão habituados. Desacostumem-se", avisou num discurso bastante aplaudido no final.

Uma hora antes, subiu ao palco o embaixador Martins da Cruz, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, que saiu do PSD no verão deste ano. 

Martins da  Cruz fez um discurso, preocupado com os populismos e deixou uma crítica ao governo na gestão do processo do caso da Venezuela. O executivo preparou a ida dos operacionais do Grupo Operacional Especial (GOE) para aquele país em cima da hora, quando já tinha reconhecido Juan Guaidó para convocar eleições presidenciais antecipadas. Resultado? Para Martins da Cruz o executivo "envergonhou a polícia e Portugal e ainda tentou abafar o assunto". Os  iGOE foram travados no aeroporto de Caracas, depois de um impasse de mais de dez horas com longas negociações diplomáticas.

Sobre o Aliança,dá o seu apoio porque é "um desfio à rigidez do nosso sistema político".