Economia

Macedo diz que banco público é usado para “arremesso político”

Caixa aposta na renovação da marca que será aplicada a todos os balcões e em novo atendimento.

Para o presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos, o banco público é usado como “arremesso político”, criando danos na instituição por estar a enfrentar “meses e meses com notícias que não são positivas”. Aliás, esta não é a primeira vez que Paulo Macedo tem chamado a atenção para as consequências negativas das várias intervenções públicas que têm sido feitas e, que no seu entender, vão continuar com a nova comissão de inquérito que entretanto irá avançar.

No entanto, Paulo Macedo garante que a resposta do banco é “estar mais perto dos clientes” com vista a “minimizar o desfoque do negócio e da atividade”. De acordo com o responsável, esta é um das missões do banco, assim como dar melhores condições aos cerca de quatro milhões de clientes. A pensar nisso, a instituição financeira apresentou ontem uma nova imagem com uma aposta a um  lettering um mais antigo. Esse rebrading já é visível no balcão do Lumiar e na Avenida da Boavista, no Porto, mas irá alargar-se a todas as agências.  “A CGD vai manter o azul como cor principal, um azul mais claro e aberto, mas vai jogar em muitas combinações com o laranja e com o amarelo”, disse. 

Tal como o SOL avançou no sábado, o banco liderado por Paulo Macedo, apresentou essa mudança de marca no passado dia 2 aos trabalhadores da instituição financeira na Altice Arena. Um evento que custou cerca de 50 mil euros só na reserva do espaço. A este valor há que somar gastos extra, nomeadamente com audiovisuais e catering, o que poderá duplicar a despesa. Neste encontro, o presidente da instituição financeira chegou mesmo a dizer que 2019 “vai ser um ano de transformação”. 

Mas as alterações não vão ficar por aqui. Outra das novidades diz respeito à possibilidade de se poder abrir uma conta em apenas 20 minutos, através do cartão de cidadão e de um sign pad, para as assinaturas. Já no interior do banco, vão existir ecrãs gigantes onde os clientes poderão consultar preçários de todos os serviços em formato digital ou fazer simulações de créditos. 

A Caixa tem estado envolta em  forte polémica desde que foi conhecida a auditoria à gestão entre 2000 e 2015 ao revelar concessão de créditos mal fundamentada, atribuição de bónus aos gestores com resultados negativos, interferência do Estado e aprovação de empréstimos com parecer desfavorável ou condicionado da direção de risco, com prejuízos significativos para o banco público.

A instituição financeira apresentou lucros de 496 milhões de euros em 2018, bem acima dos 51,9 milhões de euros registados em 2017, sendo o segundo ano consecutivo de lucros do banco público, depois de entre 2011 e 2016 os prejuízos acumulados terem superado os 3800 milhões de euros.