Sociedade

Vou fazer greve de fome “até quando for necessário”, diz Carlos Ramalho

“Estou aqui a dar a cara e a lutar por eles e com certeza que espero a solidariedade desta profissão e desta classe"

O presidente do Sindicato Democrático dos Enfermeiros (Sindepor), revelou ontem que iria entrar em greve de fome. Hoje, em frente ao Palácio de Belém, Carlos Ramalho afirmou que irá manter o protesto durante "o tempo que for necessário", esperando que os enfermeiros se demonstrem solidários com o seu gesto de luta.

Vou fazer greve de fome “até quando for necessário e espero solidariedade da parte dos enfermeiros”, disse, em declarações aos jornalistas, em frente à porta do Palácio de Belém. “Estou aqui a dar a cara e a lutar por eles e com certeza que espero a solidariedade desta profissão e desta classe”, completou.

“Os enfermeiros neste momento estão no direito de decidir de que lado querem estar. Muitos enfermeiros andavam há muito tempo descontentes, desmotivados e a pedir que algo se fizesse. Enquanto líder do sindicato tomei a minha posição e quero dar este exemplo a todos os enfermeiros. Agora cabe aos enfermeiros tomarem as suas próprias decisões”, reiterou.

Questionado sobre o facto de a greve de fome ser o melhor caminho para o governo voltar à mesa das negociações, Carlos Ramalho diz acreditar que está a fazer o que “um verdadeiro líder de um sindicato deve fazer”. “Quando assumimos este sindicato, nós anunciamos aos enfermeiros que íamos mudar. O nosso lema é mudar e dissemos sempre que íamos ter uma postura diferente e que iriamos defender os interesses da classe profissional até às ultimas consequências”, acrescentou.

Quanto às reivindicações da classe, o presidente do Sindepor diz que ainda falta o governo assumir uma valorização pela profissão. “Os enfermeiros ao longo de muitos anos aguardaram por uma negociação justa, mas isso nunca aconteceu”, justificou, lembrando que em 1991 “os enfermeiros tinham uma carreira com cinco categorias” e em 2009 foi “imposta uma carreira com duas categorias”, mas que não existe. “Os enfermeiros neste momento estão todos no mesmo patamar e é indiferente terem um ano de serviço ou terem 25 ou 30 anos. Não há carreira, não há dignificação, não há progressões, não há nada”, sublinhou.