Economia

Travar 5g significa ‘atraso de dois anos’

Na apresentação dos resultados de 2018, o presidente da NOS afirmou que a hipótese de concorrer à licença da TDT é remota e negou antecipação de verbas ao Sporting.

«Vivemos com base em factos e não temos nenhuma evidência de problemas de segurança com as redes da Huawei», declarou Miguel Almeida, presidente executivo da NOS, durante a apresentação dos resultados de 2018.

No final do mês passado, o regulador de telecomunicações norte-americano esteve em Portugal para alertar o governo para os alegados perigos do uso das redes 5G da tecnológica chinesa, depois de ter banido a Huawei de operar nos Estados Unidos. No entanto, a NOS descarta qualquer preocupação, acreditando não passar de especulações «baseadas no facto de ser uma empresa chinesa».

Quanto aos avisos do regulador, a NOS afirma reger-se pelas leis portugueses e europeias. «Não creio que estejamos ao abrigo da lei americana», ironizou Miguel Almeida, que deixou ainda um aviso:_caso a Europa não permita o desenvolvimento das redes 5G da Huawei, «será um atraso de, pelo menos, dois anos para a Europa».

Miguel Almeida não deixa também margens para dúvidas no que diz respeito ao serviço universal: «Há muito que defendemos que não faz sentido». O presidente afirmou ainda que a NOS irá cumprir «escrupulosamente» o contrato assinado até maio, mas o futuro está na mão do Estado. «Se houver concurso, iremos olhar para ele como fizemos no passado».

A televisão digital terrestre (TDT) foi outros dos assuntos em cima da mesa na apresentação de resultados que teve lugar na sede da empresa. Quanto a esta questão, Miguel Almeida foi claro: «É um processo que ainda não avaliámos». Ainda assim, avançou que a hipótese da operadora concorrer à licença da TDT é bastante remota.

A Meo tem a licença até 2023, mas depois do corte de 15% no preço que é cobrado pela Anacom aos canais disponíveis na TDT, a Altice já fez saber que não está nos seus planos renovar.

«Se querem um setor com concorrência, inovação e investimento, precisamos de um regulador», respondeu quando questionado sobre as sugestões do regulador e a sua posição quanto a elas.

Não querendo assumir uma posição frontalmente contra a Anacom, Miguel Almeida afirmou que o regulador não pode apresentar soluções sem análise e à revelia da homogeneização da regulação europeia. Defendeu também que é impossível o setor ser um motor para a economia «sem ter um mínimo de previsibilidade», até porque a lei das comunicações eletrónicas foi revista há pouco tempo. «O que é esperado de um regulador é que crie condições de concorrência, investimento e desenvolvimento do setor», afirmou.

Miguel Almeida criticou os tempos em que «o populismo se sobrepõe à verdade» e lembrou que Portugal «tem acesso aos melhores serviços de telecomunicações e mais baratos da Europa». Comparando com a média europeia, os portugueses pagam menos 38% pelos pacotes de telecomunicações. E, no que diz respeito à NOS, os preços caíram para metade nos últimos quatro anos.

A NOS é patrocinador do Sporting e, questionado sobre a antecipação de verbas de patrocínio, Miguel Almeida deixou explícito que «os pagamentos serão feitos nos momentos previstos. Não está nos planos antecipação de verbas nem de direitos».

A situação financeira do Sporting tem feito correr muita tinta depois de ter sido conhecida a necessidade de negociação de um empréstimo do investimento Apollo, no valor de 65 milhões de euros. Um negócio que terá como base a titularização dos ganhos obtidos com os direitos televisivos da operadora.

 

2018: um ano de crescimento

«2018 foi mais um ano de crescimento para a NOS», começou por explicar o presidente executivo, na apresentação de resultados da operadora de telecomunicações.

Durante o ano passado, a marca registou um aumento de 15,8% no lucro, para um total de 141,5 milhões de euros. «O quarto ano consecutivo com um crescimento no número de clientes e de receita e a conquistar quota de mercado», disse o responsável.

Nos últimos quatro anos, a NOS investiu 800 milhões de euros na «expansão e modernização» da rede, de um total de 1.600 milhões de euros investidos em Portugal.

Segundo os resultados apresentados ontem e publicados pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o crescimento do número de serviços, de 2,1%, fez com que as receitas das telecomunicações crescessem 1,5% para 1.505 milhões de euros. Um resultado que se justifica pelo aumento do número de serviços apesar da queda da receita.

Durante o ano anterior, o número de serviços cresceu 2,1%. «Temos estado a crescer em todos os serviços sem exceção», explicou José Pedro Pereira da Costa. O CFO da NOS disse também ter reforçado a posição de liderança da NOS na televisão por cabo.

No que toca à rede, a NOS acabou o ano com mais de 75% de casas totais no país, 4,4 milhões. Para 2019, o objetivo é aumentar este número em 200 mil. Miguel Almeida informou ainda que 98% do país está coberto de fibra ótica da NOS.

Além dos particulares, a NOS lidera também nos setores de saúde e banca. A empresa apresentou dois centros tecnológicos de tratamento de dados, um em Lisboa, na zona de Alfragide, o outro no Norte, em Riba D’Ave. «Procuramos sempre que a NOS seja o parceiro preferencial na transformação digital dos clientes», disse o administrador.

A NOS destaca-se ainda como o maior empregador do país, com dois mil colaboradores diretos atualmente. Miguel Almeida mostrou que nos últimos quatro anos, a empresa tinha contratado 571 colaboradores, 94% do total com licenciatura ou mestrado. «2018 foi o ano em que recrutámos mais gente», adiantou. Além do número de trabalhadores diretos, Miguel Almeida explicou que existem cerca de oito mil empresas a fornecer produtos ou serviços à NOS e que, do total, 13.171 trabalhadores se dedicam exclusivamente à operadora.

No programa de recrutamento NOS Alfa, também no mesmo espaço temporal, foram recrutados 153 recém-licenciados.

O investimento realizado pela operadora ficou ao mesmo nível de 2017, 375,7 milhões de euros. O segmento de cinema e audiovisuais registou um decréscimo de 5,9% no número de bilhetes vendidos em Portugal, para 8,889 milhões.