Politica

Santana ainda acredita em coligação

«Vamos trabalhar com sabedoria. É preciso ter cuidado para não cavar barreiras intransponíveis», diz o presidente da Aliança. 

Rui Rio e Assunção Cristas rejeitaram o desafio lançado pelo líder da Aliança para uma coligação à direita, mas Santana Lopes não dá o assunto como encerrado. «Vamos trabalhar com sabedoria», diz ao SOL o fundador da Aliança, que prefere esperar pelo resultado das europeias, que se realizam no dia 26 de maio. Até lá, «é preciso ter cuidado para não cavar barreiras intransponíveis», porque «pode ser que só os resultados das europeias os convença que tem de ser pela via da convergência e não ir cada um por si».

Santana colocou a possibilidade de uma coligação pré-eleitoral em cima da mesa devido ao contexto político que o país vive. A única forma de vencer a «frente de esquerda» é pensar numa coligação com os partidos de centro-direita.

O fundador da Aliança estranha mesmo que «a direita, no momento em que há uma frente de esquerda, esteja mais desunida do que há alguma vez esteve nos últimos anos».

Rui Rio foi o primeiro a responder ao apelo de Santana para dizer que «não faz sentido algum» pensar numa coligação pré-eleitoral. Santana espera que «os eleitores saibam distinguir entre quem está à espera de cair nos braços do PS, no dia que o PS desista da sua relação com os partidos da esquerda, e quem luta por uma alternativa» ao Governo socialista apoiado pelos partidos de esquerda.  

A disponibilidade manifestada por Rio para acordos com António Costa é vista, desde a primeira hora, com desconfiança por alguns setores de centro-direita. Não é por acaso que não há nenhuma figura, entre os mais de 100 fundadores, próxima de Rui Rio no movimento criado por Miguel Morgado para unir a direita. Santana Lopes saúda o aparecimento destes movimentos, mas avisa que não basta «celebrar acontecimentos do passado ou fazer planos para o futuro», porque  o país «não aguenta mais quatro anos de frente de esquerda».

Movimento para federar 
a direita lança manifesto 

O movimento 5 de julho, inspirado na data em que nasceu a Aliança Democrática de Sá Carneiro, apresenta hoje, às 17 horas, em Lisboa o seu Manifesto. A página do MOV 5.7 na internet explica a criação deste movimento com a «crise política e cultural» que a direita atravessa. «O perigo que a espreita não é menor do que a oportunidade que abre – refundar-se e reconstruir-se para depois se federar. Este é o momento para iniciar essa tarefa». Miguel Morgado que tem recebido muitas mensagens de apoio. «A reação tem sido ótima. Excede as minhas expectativas», diz ao SOL o deputado do PSD, garantindo que a aposta do movimento é «reunir a diversidade das direitas». «Somos mais de 500 e ninguém tem de sacrificar as suas diferenças. É mesmo para preservar essas diferenças e fazer dessas diferenças a riqueza das direitas para agora e para o futuro», garante.

O movimento conta com militantes de todos os partidos de direita. Alexandre Relvas, ex-diretor de campanha de Cavaco Silva, Carlos Abreu Amorim, vice-presidente do grupo parlamentar nos tempos de Passos Coelho, ou Carlos Costa Neves, ex-deputado do PSD. Não faltam também militantes do CDS. Alguns com lugares de destaque no partido liderado por Assunção Cristas, como Cecília Meireles ou Ana Rita Bessa. Os novos partidos também participam no movimento. A Aliança tem entre os fundadores do movimento João Pedro Varandas e a Iniciativa Liberal tem o seu líder Carlos Guimarães Pinto. 

Passista e crítico de Rui Rio
Miguel Morgado é professor universitário e foi assessor político do primeiro-ministro Passos Coelho. Ganhou peso no Governo  e foi eleito deputado, pela primeira vez, em 2015. É um passista assumido e desde o início um crítico da liderança de Rui Rio. Chegou a alertar para «o risco de definhamento do PSD», mas sempre foi defensor de que Rio deve cumprir o mandato até ao fim. Assumiu um papel mais discreto no Parlamento desde a saída de Passos Coelho.

Durante quase dois anos foi vice-presidente do grupo parlamentar. 

Já assumiu a vontade de se candidatar à liderança do PSD.  «Não sou menos militante do que os outros e, portanto, não me excluo, não me isento de responsabilidades, nem excluo possibilidades que possam aparecer na altura», disse, em abril de 2018.