Biblioteca Pessoal

Uma enciclopédia no bolso

Nos dias que precederam o 500.º  aniversário da morte de Leonardo da Vinci precisei de consultar três livros. O primeiro é uma edição italiana das Vidas de Vasari, uma das principais fontes acerca da vida, lendas e mexericos sobre o artista. O segundo é a monografia que Kenneth Clark lhe dedicou – um estudo sólido e sempre estimulante da obra artística do mestre do Renascimento. 

O terceiro é um livro muito pequenino, mas cheio de informação. Tem a vantagem de ser profusamente ilustrado – no espírito, aliás, da coleção ‘Découvertes Gallimard’, a que pertence. Lançada em 1986, esta coleção estaria originalmente destinada à juventude, mas de tão bem executados os livrinhos rapidamente se revelaram do maior interesse também para adultos. Cobrem os mais variados temas da história e da cultura, desde os monumentos Pré-Históricos aos grandes nomes da arte e da literatura. Os 700 volumes já publicados formam uma fascinante enciclopédia que, se os tomarmos separadamente, cabe em qualquer bolso.

Na minha estante fazem companhia ao livro sobre Leonardo outros nove que dão uma ideia da abrangência da coleção: Picasso (o primeiro que adquiri), A História no Cinema, Mozart, Quando as Catedrais Eram Pintadas, Escravos e Negreiros, Júlio Verne, A Biblioteca Sainte-Geneviève, Confúcio e A Rota da Seda.

Cada um deles é composto por um texto acessível, mas rigoroso, salpicado de ilustrações (nunca são menos de três por cada par de páginas), um pouco na lógica do grafismo dos guias de viagens. Mas não se pense por isso que o propósito é menos sério. No final, há sempre um anexo com uma vintena de páginas de documentos.

O slogan criado pela agência publicitária que os promove é revelador: «Nunca se viram tantas coisas entre a primeira e a última página de um livro».

O meu exemplar sobre Leonardo, para ser rigoroso, não pertence à coleção francesa, mas sim à sua versão americana. O que me remete para o local onde o comprei, quanto a mim o melhor e mais belo museu do mundo: o Metropolitan de Nova Iorque. Lá dentro – um pouco à semelhança do que acontece com a coleção Découvertes – cabe de tudo um pouco, até um templo egípcio, um quarto de Pompeia e uma sala desenhada por Frank Lloyd Wight. Curiosamente, apesar da sua opulência, escapa ao Metropolitan o ‘Santo Graal’ para qualquer instituição do género – uma pintura saída das mãos de Leonardo. São só vinte em todo o mundo e nenhum dos seus ciosos proprietários está disposto a cometer a loucura de se separar de tão valioso troféu.