Economia

Aldeia da Sertã volta a estar ligada ao mundo

A aldeia de Marinha e Vale do Carvalho está sem telecomunicações desde os incêndios de 2017. Depois de várias reuniões, Altice e autarcas locais encontraram a solução para o problema.

Desde os incêndios de outubro de 2017 que a aldeia de Marinha e Vale do Carvalho, em Troviscal, no concelho da Sertã, se encontra sem telecomunicações.

As reivindicações dos cerca de 20 habitantes têm sido muitas mas nenhuma solução tinha sido encontrada... até agora.

A Altice Portugal, a Câmara Municipal da Sertã e a Junta de Freguesia do Troviscal reuniram esta sexta-feira para colocar um ponto final no problema e o resultado foi proveitoso, garantiram ao SOL todas as partes envolvidas. «A conclusão desta reunião é o confirmar formalmente junto da Câmara Municipal e da junta de freguesia que vamos resolver esta situação», declarou Luís Alvarinho, CTO da Altice Portugal. «É importante deixar claro que esta conclusão é o culminar de um conjunto de contactos que a Altice Portugal tem vindo a desenvolver com a Câmara Municipal da Sertã e com a Junta de Freguesia do Troviscal. Não começaram só agora porque, de um momento para o outro, esta aldeia de Marinha e Vale do Carvalho se transformou, provavelmente, na aldeia mais mediática do país», lebrou o CTO.

Satisfeito com a reunião ficou também o presidente da Câmara Municipal da Sertã, José Farinha Nunes, que há muito desejava que o problema fosse resolvido. «Estou extremamente satisfeito com a Altice em relação ao trabalho que tem feito até hoje», garantiu o autarca, que reconhece que a operadora tem cumprido tudo o que tem prometido. «Estou convencido que este processo vai terminar bem porque a Altice tem cumprido os seus compromissos». Apesar de não haver uma data concreta para a resolução do problema, José Farinha Nunes acredita que «esta novela vai chegar ao fim rapidamente». E acrescenta: «A população tem, de facto, necessidade de resolver o problema das comunicações, de forma mais completa possível, e isso vai acontecer».

A satisfação é partilhada pelo presidente da Junta de Freguesia do Troviscal, Manuel Nogueira Figueiredo, que testemunhou como a operadora e os autarcas têm trabalhado em conjunto para resolver a situação.

Carta sem resposta? Recorde-se que o caso desta aldeia já vem a ser acompanhado pela Altice há algum tempo, tendo até apresentado soluções via satélite que foram rejeitadas pela população. «Obviamente não era uma solução igual à que tinham», confessou Luís Alvarinho.

José Farinha Nunes e Manuel Nogueira Figueiredo revelam ao SOL que, durante este mês, foi enviada uma carta à Anacom, com conhecimento da NOS, para que fosse prestada ajuda no terreno. «Na carta reclamávamos um serviço que não foi prestado pela NOS e que deveria ter sido. Era esse acompanhamento que pedíamos à Anacom que fizesse e que não foi feito», acusaram os autarcas, garantindo que não receberam resposta por parte de nenhuma das entidades.

Questionada sobre o assunto, a Anacom confirmou a receção da carta, prometendo uma resposta para breve.

«Quando invocamos a questão do serviço universal, fazemo-lo na perspetiva de que, à data em que aconteceram os incêndios, Portugal tinha uma entidade e um operador que era responsável pelo serviço universal. E, em nosso entendimento, deveria ter havido um maior envolvimento de um conjunto de entidades - eu não sei se governamentais, se responsáveis pela regulação - que geriam o tal contrato de serviço universal, no sentido de mobilizar recursos», disse ao SOL Luís Alvarinho, sem nunca referir diretamente qualquer operadora ou entidade.

Para o CTO da Altice Portugal, o operador de serviço universal «deveria ter vindo para o terreno trabalhar com os autarcas, ver as situações e não dizer única e exclusivamente, como tem vindo a dizer, que nenhum cliente lhe foi bater à porta a pedir serviço».

Regulador ataca Altice Ao SOL, a Anacom refere que «a Altice foi o operador com o maior número de clientes afetados e que demorou mais tempo a repor as ligações». A autoridade reguladora avança ainda que «nas ações de fiscalização efetuadas pela Anacom nas áreas afetadas, constatou-se a existência de situações em que os clientes receberam cartas da Altice informando que não seria possível repor os serviços nos termos inicialmente contratados e de situações em que os clientes rejeitaram a proposta da Altice de reposição do serviço fixo de telefone via satélite».