Sociedade

Emprego cresceu entre os mais velhos

O Centro de Relações Laborais revela que o emprego cresceu e registou o valor mais elevado dos últimos nove anos. O grupo etário onde foi registado o maior aumento de emprego foi dos 55 aos 64 anos.


O emprego em Portugal registou um aumento significativo. Aliás, foi registado, em 2018, o valor mais elevado dos últimos nove anos, com  4,63 milhões de pessoas empregadas, alcançando uma taxa de 55%. O valor chegou até a superar a taxa de emprego da União Europeia. Estes dados foram divulgados pelo Centro de Relações Laborais (CRL) no seu relatório anual sobre emprego e formação e explicam que, deste aumento de emprego, a população com mais idade foi a mais beneficiada. 

Em números, o crescimento do emprego no grupo etário dos 55 aos 64 anos fixou-se nos 6,4%, um valor que é superior aos 5% registados pela população entre os 15 e os 24 anos. Para o escalão etário entre os 35 e os 44 anos, a avaliação deste relatório é negativa e revela que foi registada uma diminuição de emprego.

Recorde-se até que o aumento do emprego na faixa etária entre os 55 e os 64 anos já tinha sido anunciado, no mês passado, pelo Ministério do Trabalho, que explicou, na altura, que o emprego nessa faixa etária tinha registado um aumento de 22% desde 2015, tendo sido o que mais cresceu desde esse ano e onde foram registados 150 mil postos de trabalho. Na altura, Miguel Cabrita, secretário de Estado do Emprego, justificou:  «Há um envelhecimento da população activa e é normal que os escalões etários mais elevados tenham mais peso no emprego total», disse. Mas, no seu entender, há ainda outra justificação que passa pelo facto de «à medida que o  não seriam a primeira escolha num contexto de maior disponibilidade de mão-de-obra».

Mais estudos, mais emprego

O relatório conclui ainda que ter estudos é importante para conseguir emprego, como provam os números. Assim, a população empregada com o ensino secundário e superior cresceu para cerca de 54% do total.

Assim, no ano passado, a taxa de desemprego de quem tinha o ensino básico era de 42,2%, um número menor do que a taxa para indivíduos com o ensino secundário: 68,7%. Quem tinha o ensino superior liderava a percentagem de pessoas empregadas com 78,7%.

Mais trabalhadores

No que diz respeito aos setores, a população empregada - que representava um total de 68,8% - cresceu 2,7%, um valor ligeiramente superior ao da população empregada na indústria, construção, energia e água (25,4% no total), que cresceu 2,6%.

No setor dos serviços, o destaque vai para a educação (mais 33,6 mil pessoas) e ainda a Administração Pública e Defesa, Segurança Social (mais 26,9 mil pessoas) como as áreas que mais cresceram. Em terceiro lugar aparece as atividades de saúde humana e apoio social com mais 11,9 mil pessoas a trabalhar.

Ao contrário, o emprego na agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca desceu 3,7% face ao ano de 2017 representando 5,8% no total.

Desemprego caiu 

No ano passado, revela o documento do CRL, no Continente, 343,5 mil pessoas estavam desempregadas. O número representa uma queda de 21,6% relativamente ao ano anterior. A maioria dos desempregados eram, em 2018, mulheres: 52,6%. 

O número de pessoas à procura do primeiro emprego era 41,7 mil, muito inferior ao número de pessoas que procuravam um novo emprego: 301,6 mil. Já o número de empregados de longa duração registou um decréscimo de 30,5% quando comparado com 2017, fixando-se nos 174 mil, uma diminuição superior ao triplo do decréscimo que registaram os desempregados até 12 meses: -8,9.

Número de inativos desce

O relatório explica que, no ano passado - e tal como já tinha acontecido no ano anterior - a população empregada apresentou um saldo positivo de cerca de 78,1 mil pessoas. Este número resultou, sobretudo, da entrada de indivíduos que antes se encontravam em situação de desemprego. 

Pelo contrário, a população desempregada, registou um decréscimo de -72,9 mil pessoas, devido ao número de transitados do desemprego para o emprego. O que também registou uma diminuição foi o número de inativos, que passaram para a situação de desemprego.

320 despedimentos coletivos

No ano passado, o CRL informa que foram comunicados 320 processos de despedimento coletivo, que abrangeram um total de 3,6 mil trabalhadores. Ainda assim, em termos homólogos, 2018 registou um decréscimo de 19,2%, o que significa menos 76 processos de despedimento coletivo comunicados.
 

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