Internacional

Washington e Caracas confirmam negociações secretas

Trump e Maduro confirmam que os seus governos estão em contacto ao "mais alto nível". 

O Presidente da Venezuela Nicolá Maduro confirmou que está há meses em negociações com membros da administração de Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos. 

“Confirmo, que por durante meses houve contactos entre altos funcionários do Governo dos Estados Unidos de Donald Trump e o Governo bolivariano - a que eu presido - com a minha autorização direta”, confessou Maduro num discurso na noite de terça-feira. “Vários contactos, através de diversos canais”, completou, sugerindo também que tem procurado conversar com todos: “Tal como tenho procurado o diálogo na Venezuela, tenho procurado uma maneira para fazer com que o Presidente Trump realmente ouça a Venezuela”.

No domingo, uma publicação da Axios alegou que um dos políticos mais poderosos do país, aliado a Maduro, Diosdado Cabello, estava em contacto com o conselheiro do chefe da Casa Branca para a América Latina, Mauricio Claver Carone.

A corroboração do Presidente da Venezuela surgiu depois de Trump ter confirmado que a sua administração estava em negociações com o seu Governo na terça-feira. “Estamos em contacto. Estamos a conversar com vários representantes da Venezuela”, disse Trump, sem querer divulgar quem, apenas dizendo que as conversações estavam a decorrer ao “mais alto nível”. 

Depois de meses de tensão entre os dois países, a confirmação de que ambos estão em contacto poderá ser um sinal de suavização das hostilidades entre estes. “ É um sinal positivo”, reiterou Geoff Ramseu, um especialista nas questões venezuelanas do Washington Office on Latin America, ao Guardian. “Sugere que há uma compreensão ao mais alto nível do Governo [de Maduro] de que isto é insustentável”, acrescentou Ramsey, referindo-se à crise económica, política e humanitária que a Venezuela atravessa.  

O país sul-americano vive uma das piores crises económicas desde o chavismo ou mesmo da sua história. A situação de aperto económico e financeiro já levou a uma razia migratória, com quatro milhões de venezuelanos a deixarem o país nos últimos anos.  

As tensões entre Washington e Caracas escalaram desde que Juan Guaidó se autoproclamou Presidente interino, no dia 23 de janeiro. Embora Guaidó tenha ganho o apoio e reconhecimento de mais de 50 países, não conseguiu até agora tomar o poder em Caracas.