Opiniao

Como é diferente a demagogia em Portugal!

Uma singular interpretação de nacionalismo leva a Liga do Norte a preferir os criminosos das várias máfias, porque são de Itália, aos refugiados vindos de regiões do norte de África onde já flutuou a bandeira italiana. A aleatoriedade da política fez de Salvini o primeiro evangelizador do século XXI a chegar ao poder, e o homem tudo faz para ganhar protagonismo, à frente de uma cruzada que já se estende a Espanha, França, Alemanha, Polónia e Hungria, para só citar os países onde a extrema-direita está mais activa.

Boris Johnson

Fora as parecenças com Benny Hill, o homem não é o ser atípico que querem pintar. Tem um currículo singular - precoce, inteligente, culto, narcisista, excêntrico, jornalista de integridade duvidosa – mas o egocentrismo e a imprevisibilidade com que actua fazem dele um tipo potencialmente perigoso. Para já, historiador que parece querer esquecer a História, apresta-se para destruir o que foi pacientemente tecido antes dele, para fazer da Europa um espaço de paz, de solidariedade e de coesão.

Bolsonaro

Quer matar toda a gente: gatuno, favelado, índio: “Lugar de marginal é no cemitério, não é na rua”. Desflorestação da Amazónia? Crimes contra a Humanidade? O homem não está nem aí, o poder é dele e usa-o como o usaram outros tiranetes sul-americanos.

Maduro

Ali ao lado, mora o sucessor de Chavez, uma dupla que usou o discurso anti-americano para levar o povo à miséria. País rico em petróleo, instituiu um salário mínimo obsceno, de menos de três dólares, que condena os venezuelanos a morrerem à fome. Não é coisa nova numa região dada a acreditar em Messias, que conquistam o poder com promessas de igualdade e juras de fidelidade à bandeira. Podem vir da direita ou da esquerda, que o resultado é o mesmo: a sedução pelo poder absoluto.

Salvini

Quer a Itália para os italianos, esquecendo que o se país é uma manta de retalhos ainda com diferenças nas línguas que falam os povos do norte e os do sul. Até ver, só o futebol consegue unir a Itália, mas isso quando acontece a squadra azzurra sagrar-se campeã do mundo. Uma singular interpretação de nacionalismo leva a Liga do Norte a preferir os criminosos das várias máfias, porque são de Itália, aos refugiados vindos de regiões do norte de África onde já flutuou a bandeira italiana. A aleatoriedade da política fez de Salvini o primeiro evangelizador do século XXI a chegar ao poder, e o homem tudo faz para ganhar protagonismo, à frente de uma cruzada que já se estende a Espanha, França, Alemanha, Polónia e Hungria, para só citar os países onde a extrema-direita está mais activa. Há menos de um século, Mussolini mostrou como é fácil passar do discurso nacionalista à guerra a tudo o que é diferente.

Trump

O clown de cabelo alaranjado já foi chamado do que há de pior. E ele vinga-se, arremetendo contra tudo o que não seja made in USA, pessoas ou coisas. Com o mesmo desvario, ataca o Irão, a China ou a Coreia do Norte, nos meses pares, para, nos meses ímpares, lhes propor acordos comerciais. De quem ele gosta mesmo é de Vladimir Putin, e há quem jure que é para pagar favores antigos.

Pardal Henriques e Marinho e Pinto

Cada país tem os demagogos que consegue produzir. A nossa História diz-nos que, neste domínio, podemos dormir sossegados: está para nascer um que vá além do palavreado. Só por isso, mantenho o que já aqui escrevi: se o Dr. Pardal e o Dr. Pinto prometerem irritar o Dr. Costa, terão o meu voto. Não adianta nada, mas daí não virá mal ao mundo...