Sociedade

SMS tramam Azeredo

“Eu sabia, mas tive que aguentar calado a porrada que levei”, escreve Azeredo Lopes a deputado socialista.

Mensagens de SMS trocadas entre o antigo ministro da Defesa e o deputado Tiago Barbosa Ribeiro revelam que José Azeredo Lopes era conivente com o plano de recuperação das armas furtadas nos paiolins de Tancos em 2017 posto ilicitamente em prática pela GNR e a PJM.

Com efeito, na tarde do dia em que foi comunicado publicamente o achamento do armamento na Chamusca, numa operação conjunta levada a cabo pela GNR e a PJM em colaboração com os ladrões, por forma a marginalizaram a PJ das investigações, Barbosa Ribeiro enviou a Azeredo Lopes, que estava então na tribuna do governo na Assembleia da República, em plena sessão de debate quinzenal com o primeiro-ministro, uma SMS de felicitações: “Parabéns pela recuperação do armamento, grande alívio…! Não te quis chatear hoje.” Ao que o ministro, dois minutos depois, respondeu pela mesma via: “Foi bom: pela primeira vez se recuperou armamento furtado. Eu sabia, mas tive que aguentar calado a porrada que levei. Mas, como é claro, não sabia que ia ser hoje”.

E depois de o deputado socialista lhe perguntar se iria ao Parlamento explicar o que se passara, o titular da Defesa confirmou, exigindo-lhe confidencialidade absoluta quanto à troca de SMS: “Venho, mas não poderei dizer o que te estou a contar. Ainda assim, foi uma bomba”.