Economia

Carlos Costa. Juros baixos contribuíram para aumento de riscos

Para o governador do Banco de Portugal uma das prioridades é proteger a estabilidade financeira. Não só para evitar falências de bancos, mas também para proteger depositantes. 

O ambiente de baixas taxas de juro “contribuiu para o aumento de vulnerabilidades e riscos para a estabilidade financeira”. A garantia foi dada pelo governador do Banco de Portugal (BdP) e lembra que “estamos num tempo onde o foco da estabilidade financeira precisa de ser aumentado, de forma a acompanhar a situação atual em que a acomodação monetária e baixas taxas de juro estão a proporcionar a tomada de riscos”.

Carlos Costa não tem dúvidas: a estabilidade financeira não significa apenas “evitar falências” de bancos, mas também proteger os depositantes. “Proteger a estabilidade financeira não tem como objetivo evitar falências de bancos em si. O foco principal da supervisão microprudencial é proteger as instituições financeiras de riscos idiossincráticos e evitar que tomem demasiados riscos”, afirmou o governador numa conferência sobre estabilidade financeira, no Museu do Dinheiro, em Lisboa.

O líder do banco central alertou ainda para a “interação bem estabelecida entre o mercado imobiliário e o setor bancário, e o bem conhecido risco sistémico subjacente”. Ainda assim, Carlos Costa destacou o papel das autoridades macroprudenciais, que apesar da sua curta existência, encontraram “múltiplos desafios”, cuja natureza mudou “juntamente com a viragem positiva na atividade económica, com o fortalecimento dos sistemas financeiros, na ação tomada por outros decisores políticos e os sinais de reversão no ciclo financeiro, cuja intensidade depende da situação específica de cada país”.

Sinais de alerta

O que é certo é que os sinais de alerta têm ganho maiores contornos. O que é certo é que os sinais de abrandamento económico refletem-se nos dados que têm vindo a ser divulgados. “A atividade de manufatura na zona euro contraiu ao ritmo mais rápido dos últimos sete anos. Este abrandamento deveu-se sobretudo à Alemanha, ao atingir o nível mais baixo em mais de uma década. A manufatura em França também saiu em valores moderados bem como os serviços por toda a Europa”, afirma ao i Nuno Mello, Head of Sales da XTB. 

Segundo o analista “com a guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, a manipulação cambial do yuan por parte das autoridades chinesas e a situação do Brexit com a cada vez mais provável saída do Reino Unido sem qualquer acordo com a União Europeia são fatores que criam uma atmosfera explosiva e portanto prejudicial para a confiança dos investidores”. Uma opinião partilhada por Pedro Amorim, analista da corretora Infinox, que aponta os mesmos riscos.
Já no final de setembro tinha sido a vez de Kristalina Georgieva, na sua primeira intervenção enquanto diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), a chamar a atenção para o facto de a economia mundial ter de estar preparada para enfrentar uma nova crise económica. 

A responsável reconhece que é uma "grande responsabilidade" ter de liderar a instituição numa altura em que “o crescimento da economia mundial continua a dececionar, as tensões comerciais continuam e a dívida alcançou níveis históricos”. E garante que a prioridade imediata do FMI é “ajudar os países a minimizarem os riscos de crise e a prepararem-se para lidar com uma desaceleração”.