Politica

CDS de cristas com passivo de quase um milhão

Filipe Lobo d’Àvila já teve acesso às contas do partido. O líder da JP posiciona-se para também entrar na corrida e João Almeida só quebra o tabu a partir de 19 de novembro.

As contas do CDS, com o desastre eleitoral das eleições legislativas,  poderiam condicionar as potenciais candidaturas à liderança, mas aparentemente há uma que já teve acesso à situação financeira do partido e o «cenário não é tão preocupante como se pensaria». A certeza é dada ao SOL por José Carmo, do grupo de conselheiros nacionais centristas ‘Juntos pelo Futuro’, encabeçado por Filipe Lobo d´ Ávila.

O grupo tinha pedido para ter acesso às contas do CDS, depois da notícia de que o partido estaria a fazer rescisões e a vender espaços para tentar mitigar a derrapagem orçamental do CDS. Os centristas concluíram, logo após a perda de dois terços dos seus deputados (de 18 para cinco mandatos) que o passivo chegaria a um milhão de euros. Os números foram avaliados pela direção do CDS-PP, com o objetivo – e a meta– de que o valor será mais baixo quando se chegar ao congresso do partido a 25 e 26 de janeiro de 2020.

O grupo de Lobo d’ Ávila já se reuniu com o secretário-geral Pedro Morais Soares e uma equipa de elementos criados para o saneamento das contas. Nessa equipa estará Leonardo Mathias, antigo secretário de Estado -Adjunto e da Economia de Pires de Lima.

Pedro Morais Soares disponibilizou todos os dados, com a garantia de que não está prevista venda de património, entretanto sobrevalorizado face ao registado em 2018: 425 mil euros. Os valores serão muito superiores até porque há sedes no País, como a do Algarve que valem muito mais a preços comerciais e com o mercado imobiliário em alta.  Até ao congresso ninguém mexe no património. Quem vier a seguir a Assunção Cristas, que sai do Parlamento e da liderança em janeiro, decidirá o melhor caminho.

José Carmo realça que o pedido de acesso às contas foi satisfeito. «Efetivamente, e com alguma celeridade na resposta, tivemos uma reunião na sede do CDS, no Largo do Caldas com o secretário-geral [Pedro Morais Soares] e com a equipa que está a acompanhar o processo», confirmou ao SOL o militante. Mais, foram-lhes fornecidos todos elementos solicitados.

«A nossa preocupação era ter acesso à situação atual, quer de passivos, quer de ativos e foi-nos dada, para que nós consigamos definir, em consciência, aquilo que são as nossas estratégias para a moção e para o futuro do partido. E sabermos com que condicionantes contamos. E também para que Filipe Lobo d’Àvila, em particular, tome a decisão sobre se está em condições para se candidatar, ou não, à presidência do partido», declarou ao SOL José Carmo.

«A conclusão foi a de que não vão ser condicionados pela condição financeira», assegurou o responsável, dando nota que não será por isso que Lobo d’Ávila não avançará. De facto, o ex-deputado e ex-secretário de Estado está em ponderação e, agora, não tem argumentos financeiros para não avançar.  «Não será essa [situação] que irá condicionar a [decisão]», assegurou José Carmo, depois de ter feito uma exigência pública sobre o estado das contas do CDS. Em causa está a situação bancária em várias instituições financeiras, o valor do património, o peso da despesa e das receitas.  Agora, Lobo d’ Ávila tem caminho aberto para angariar apoios e preparar a moção global estratégica, que, em princípio, será apresentada. 

Rescisões e cortes salariais

OCDS já começou a fazer rescisões com alguns funcionários do partido,   renegociou a descida de salários com outros e dispensou  funcionários no grupo parlamentar, depois de ter passado de 18 para cinco deputados. Normalmente nestes casos, os adjuntos cessam funções com a mudança de Legislatura, porque são nomeados. E já não voltarão a sê-lo. Segundo algumas informações recolhidas pelo SOL, as saídas entre o partido e grupo parlamentar [ que tem autonomia face à sede]  poderão chegar a cerca de uma dezena. Mas o secretário-geral do partido, Pedro Morais Soares nada quis confirmar, assegurando que não fala do processo, nem do valor do passivo. 

«O partido tem que fazer os necessários ajustamentos. O partido não teve os resultados que esperava. Daí que têm de ser feito ajustamentos. Não lhe vou dizer, não é de bom tom e não corresponde à verdade. Há muito informação que anda por aí que é completamente falsa», declarou Pedro Morais Soares ao SOL. O dirigente assinalou que está em processo de fecho de contas. Assim, não pode, nem deve, dar mais informações. As contas são auditadas e publicadas, concluiu o dirigente. O SOL insistiu em saber se tinha havido rescisões: «É um assunto interno», limitou-se a dizer.

No passado, em 1987, quando o CDS ficou reduzido a quatro deputados, a sede do partido tinha cerca de 100 funcionários. Os centristas também tiveram de fazer cortes drásticos após a perda de 18 deputados. A sede tem atualmente 22 funcionários.

Candidatos posicionam-se

No CDS, oficialmente só existem dois candidatos, Abel Matos Santos, da Tendência Esperança e Movimento (TEM), e Carlos Meira, militante de Viana do Castelo. Mas nos próximos dias também o presidente da JP, Francisco Rodrigues dos Santos, deve esclarecer a sua posição e João Almeida, o ainda porta-voz do partido, também está em ponderação. A reflexão do dirigente deve terminar em meados de novembro, a partir de dia 19, quando regressar de uma deslocação ao estrangeiro. Neste puzzle é preciso ainda definir se a moção que Nuno Melo vai levar a congresso terá um candidato associado.  O próprio já disse que não seria. Mas pode haver surpresas no congresso, marcado para 25 e 26 de janeiro.