Economia

Aeroporto. Alverca ficaria no top 10 mundial

Defensores desta solução garantem que se a infraestrutura fosse instalada em Alverca ficaria em segundo lugar no ranking europeu e em nono lugar no mundial.

O grupo de cidadãos que defende a solução Alverca para a localização do futuro aeroporto, em detrimento do Montijo, já pediu aos grupos parlamentares com assento na Assembleia da República que seja requerido à tutela o detalhado parecer técnico que sustenta a declaração pública de inviabilidade aeronáutica de um par de pistas paralelas com 4.500m de afastamento lateral, apurou o SOL.

O mesmo grupo defende que seja pedido à Eurocontrol (European Organization for the Safety of Air Navigation), enquanto entidade responsável, que avalie a compatibilização da pista da Portela com as três existentes pistas convergentes (Montijo, Alverca e Sintra ) e que complemente o seu estudo com o par de pistas paralelas com 4.500m de afastamento transversal e que deverá seguir o exemplo de grandes aeroportos como Amesterdão, Tóquio e Denver, apurou o SOL.

Uma solução destas, de acordo com o mesmo grupo, iria colocar a nova infraestrutura «em segunda lugar no ranking europeu e em nono lugar no mundial». Ao mesmo tempo, «as pistas desfasadas longitudinalmente melhoram a segurança nacional», revela o documento a que o SOL teve acesso e que foi entregue aos deputados.
José Furtado, especialista português no setor e responsável pelo desenvolvimento deste projeto, enumera outras vantagens, nomeadamente no que diz respeito ao impacto com a natureza. «A pista do Montijo tem três pontos de forte conflito com grande concentração de aves de médio e grande porte num ambiente que ainda está preservado. A pista de Alverca só terá conflito com bandos de aves (em menor número e com menor envergadura) em um ponto a sul que, no presente, tem o habitat totalmente estragado por parte do dique do mouchão ter colapsado há três anos – desde então a ilha está submersa por água salgada no ciclo das marés», refere o estudo elaborado pelo responsável.
Segundo o mesmo, os efeitos também serão menores em termos de ruído, afetando menos 300 mil pessoas. Também as ligações ferroviárias da solução Hub Portela + Montijo são criticadas. «Está totalmente desligada da rede ferroviária, está condenada mais cedo do que tarde por razões ambientais/ civilizacionais e não tem visão nacional. O mesmo acontece com a solução HUB Alcochete, que é prejudicada pela elevadíssima distância e por estar num ramal: cinco vezes mais que concorrentes diretos Madrid e Barcelona (ambos com Metro e Suburbano); mais do dobro da distância da maioria dos outros aeroportos, enquanto as solução HUB Alverca-Portela estará no top 3 europeu em termos de ligações expresso, metro, suburbano, entre outros».


Turismo pressiona políticos
A Confederação do Turismo de Portugal (CTP) está preocupada com este novo impasse e já pediu uma reunião urgente a Rui Rio para o sensibilizar acerca das consequências para o turismo e para a economia. A reação de Francisco Calheiros surgiu depois de o PS ter desafiado o PSD a «clarificar» se continua a apoiar a solução de um novo aeroporto no Montijo. Esta é a questão colocada pelos socialistas depois de o partido de os sociais-democratas terem garantido que estavam indisponíveis para alterar a lei que permite a qualquer uma das autarquias afetadas pela construção do aeroporto do Montijo vetar o avanço do projeto, desafiando o Governo a negociar com os municípios.
O secretário-geral adjunto do PS lembrou que esta localização foi decidida quando o Governo de Passos Coelho estava no poder e, como tal, quer saber se o PSD está «a ceder a uma vertigem populista».

José Luís Carneiro deixou ainda a garantia de que os socialistas irão «continuar o diálogo com os municípios» e com «todos os partidos com representação parlamentar». Em causa está a intransigência das câmaras do Seixal e da Moita em relação à localização do futuro aeroporto no Montijo. Ao SOL, as autarquias já admitiram avançar, em último recurso, com uma providência cautelar, mas garantiram que vão privilegiar o debate institucional e manter o diferendo no campo político. «Só se nada disso resultar é que iremos recorrer a uma decisão judicial», garantiu Rui Garcia, presidente da Câmara da Moita.

Também esta quinta-feira o primeiro-ministro reiterou que não há «plano B» ao aeroporto no Montijo, avisando que «recomeçar do zero» terá «custos muito grandes para a economia do país». E afirmou-se «perplexo» com a posição do PSD. 

«Todos sabem que a cada dia a obra é cada vez mais urgente e, portanto, se queremos reabrir tudo – como eu sempre disse, não há plano B ao Montijo. O plano B ao Montijo é recuar sete anos atrás e recomeçar do zero agora com a hipótese de Alcochete. Isso terá custos muito grandes para a economia do país e, portanto, eu acho que todos devem agir com responsabilidade», afirmou António Costa.

Esta não é a primeira vez que as entidades patronais intervêm em torno da necessidade de avançar com o novo aeroporto. No início do ano, várias confederações juntaram-se num apelo ao Executivo para que a reconversão da base militar no aeroporto complementar do Montijo comece «sem demoras».

De acordo com as mesmas, seria necessário que «o Governo assuma, com clareza e determinação, a urgência de avançar com esta obra, essencial e estratégica para a economia nacional, dando início imediato à fase de implementação do aeroporto do Montijo».

Para estas confederações, trata-se «de uma infraestrutura aeroportuária de irrefutável benefício para o país e para a economia nacional – servindo os interesses de todas as atividades económicas e dos cidadãos portugueses. O aeroporto do Montijo apresenta-se, hoje, como a única solução que responderá em termos de custos, eficácia e competitividade a um problema que se arrasta desde há mais de 50 anos, com graves prejuízos para o país», afirmaram na altura.


Aviação sem interesse

TAP não quer Montijo. Também as low-cost afastam interesse na infraestrutura.

A solução Montijo está longe de criar consenso junto das principais companhias áreas de aviação. A TAP tem insistido que «não há possibilidade» de a companhia aérea ir para a futura infraestrutura – o novo aeroporto «não é para a TAP». De acordo com o CEO Antonoaldo Neves, a companhia aérea opera aviões de longo curso, que não cabem no aeroporto do Montijo, «nem hoje, nem daqui a quatro anos».

Mas não é caso único. A dimensão da pista do Montijo também afasta as grandes companhias que fazem voos de longo curso. É o caso da Lufthansa, British Airways ou a Emirates. A explicação é simples: O Montijo será para voos de curto e médio curso.

Também as companhias low-cost, como a Ryanair e da Easyjet, oferecem resistência, já que estas transportadoras são  usadas para pequenas pausas de dois ou três dias e, como tal, não estão disponíveis para abdicar dos slots na Portela. Essa mudança poderá estar em cima da mesa quando o crescimento o obrigar ou se as taxas foram mais baixas.
Aliás, quem irá voar para o Montijo serão aquelas que forem mais sensíveis ao preço, já que a ANA – Aeroportos de Portugal veio garantir que está a «desenhar planos de incentivos para quem vá para lá primeiro, essa terá vantagens ao nível de taxas», o mesmo acontecendo «para companhias que mudem parte das suas operações do aeroporto Humberto Delgado para o Montijo», chegou a referir Thierry Ligonnière, no Parlamento.

O responsável garantiu também que o futuro aeroporto completar da região de Lisboa «não é um aeroporto low-cost», mas uma infraestrutura «de boa qualidade».