Sociedade

A quarentena dos invisíveis

Como é que se vai para isolamento sem água e sem casa? O b,i foi visitar o Bairro Alfredo Bensaúde, o Bairro da Torre  e o Bairro 6 de Maio para saber como os moradores enfrentam a pandemia. Alguns na rua, outros sem as condições sanitárias básicas, deixados à sua mercê para enfrentar a crise pandémica. Sozinhos e sem ajuda.

Fique em casa. Por favor, perceba de uma vez por todas que tem que ficar em casa - cumpra as regras de distanciamento social. Basta sair à rua, uma só vez, uma, para ficar contaminado e pôr a vida dos outros em perigo, é a vida dos mais vulneráveis que está em causa. Perceba de uma vez por todas: fique em casa. 

Os apelos chovem, de políticos, do Governo, dos pivôs emocionados do telejornal. Esquecem-se daqueles que não têm casa, esquecem-se daqueles que são forçados a atravessar a crise da covid-19 na rua, quando muitos até tinham um lar onde se podiam proteger do vírus se não fossem expulsos em plena crise pandémica; esquecem-se daqueles que são atirados para a incerteza e para o pânico por não se poderem resguardar entre quatro paredes e um teto durante a pandemia mais letal de que temos memória. 

«O covid ainda não chegou aqui, mas quando chegar morremos todos», suspira em voz alta um morador não no outro lado do mundo, não numa favela nos confins do globo, mas no Bairro Alfredo Bensaúde, Olivais, Lisboa, onde o b,i esteve. Neste bairro, dezenas de pessoas, entre estas muitas famílias com crianças e bebés - a grande maioria de etnia cigana - foram despejadas nas vésperas de o estado de alerta ter entrado em vigor num processo gradual que levou entre um mês e mês e meio. E segundo a denúncia da associação Habita, algumas desocupações decorreram mesmo um dia após o estado de alerta ter entrado em vigor devido à pandemia do coronavírus. De acordo com o mesmo coletivo e com a Pastoral dos Ciganos, foram cerca de 15 ou mais famílias despejadas. Doze estão a viver na rua.

Leia o artigo na íntegra na edição impressa do b,i.